Agricultura

Má gestão e dividas levam Cooperagro a “Falência”


Carlo Bandeira
Fonte: Redação

09/02/2018 10h10

À beira da falência, a fecularia, fábrica de produtos da cadeia produtiva da mandioca, fundada em 2008, entra em um novo ciclo a partir do mês de abril de 2017. Ainda no início da gestão do atual prefeito Rogério Teófilo, foi mandado para aquela agroindústria, um consultor em administração para  emitir um diagnóstico sobre a real situação  financeira e a viabilidade econômica da sua linha de produção.

Em 2012, A fecularia foi cedida por Comodato, à Cooperativa Agropecuária de Campo Grande – COOPERAGRO -, e que, naquele instante, iria cooperativar produtores de mandioca do agreste, oriundos da Agricultura Familiar.

9 de abril, inicia-se o processo de levantamento sobre a saúde financeira daquela agroindústria, instalada às margens da Al 115, na zona rural de Arapiraca.

A diretoria era presidida por Junior Lopes, pessoa conhecida no meio agroindustrial, que recebeu o emissário da prefeitura, Eli Mário Magalhães, e dali se iniciou o levantamento para a detecção da realidade econômica e financeira de operação e produção da fábrica.

São 498 famílias cooperadas, todas da agricultura familiar, e mais de 20 mil pessoas que se favorecem direta e indiretamente. Toda a cadeia produtiva da mandioca se beneficia do empreendimento.

Uma peça chave fez parte da comissão que foi formada para o levantamento na empresa, trata-se de João José da silva, mais conhecido por Zé Canário, que exercia, como cooperado, a função de diretor financeiro na COOPERAGRO.

“Eu já vinha preocupado com a situação que se encontrava a Cooperativa. Era muito difícil participar da administração. O presidente não dava muito espaço para opiniões da sua diretoria”, admitiu Zé Canário. E continua; “quando foi em abriu do ano passado, chega à cooperativa, Eli Mário Magalhães, enviado pela prefeitura de Arapiraca. Foi quando a gente começou a enfrentar todos os problemas que havia, até àquele momento”, concluiu Zé canário.

Como diretor financeiro cooperado, Zé Canário, abriu as contas para  a realização do levantamento e relatou junto com o consultor Eli Mário, a real situação.

“De cara: quase quatro folhas de pagamento atrasadas. A situação dos funcionários da Cooperativa era muito grave. Pais e mães de famílias sem receber seus salários; a Cooperativa em débito com os agricultores familiares, nossos fornecedores de mandioca. Entre outros credores, existem as maiores dívidas com a Agência de Fomento do Estado de Alagoas, a DESENVOLVE, no valor de cerca de R$ 900.000,00(novecentos mil reais); e a CONAB, com um crédito de R$ 500.000,00(quinhentos mil reais), e daí por diante”, continua relatando o diretor financeiro.

O Sr° Zé canário continua; “Conseguimos um acordo, em 2016, com a CONAB, que abateu de uma dívida de R$ 500.000,00(quinhentos mil reais), 75% desse valor, e ainda para a Cooperativa pagar em cinco prestações de R$ 25.000,00(vinte cinco mil reais), por ano, transformando aqueles quinhentos mil reais em um débito de apenas R$ 125.000,00( cento e vinte mil reais). Prestações que não foram pagas, porque a presidência determinou outras prioridades”, completou.

O diretor financeiro ainda expõe que; “como já não havia crédito junto aos produtores familiares de mandioca, pois, eles já não haviam recebido o equivalente pela produção entregue à Cooperativa, eu, particularmente, fui até eles e usei o meu crédito pessoal, que tenho junto aos produtores, e me responsabilizei pela compra da matéria prima, pra gente não parar a produção da goma úmida de mandioca. Nosso carro chefe nas vendas, no mercado de Arapiraca.

“Vários procedimentos tomados pela presidência à época, isso até abriu de 2017, vinha nos tirando o sono”, desabafou Zé Canário.

Já, Eli Mário Magalhães, constatou  a troca da caldeira, equipamento importante para a fabricação de fécula, e ainda, parte integrante do comodato entre a prefeitura e a COOPERAGRO, uma ferramenta de propriedade da municipalidade de Arapiraca, e que foi trocada por uma caldeira de menor porte, de qualidade funcional duvidosa, e pior, danificada.

Disse Eli Mário; “a importância de um equipamento como esse, possibilitaria à cooperativa produzir a fécula de mandioca”.

“Vim para levantar a situação e providenciar o fechamento da fábrica, pois o presidente afirmara que não existiria condições para a continuidade da produção, e era favorável ao fechamento daquela agroindústria, como já tinha declarado à alguns membros da sua diretoria, contou Eli Mário Magalhães, o consultor.

“Mas como pode um empreendimento desse tamanho, que atende a mais de 20 mil pessoas no estado; tem uma produção 100%  certificada pela produção familiar e selo de produto ecologicamente correto, estar numa situação dessas, falida e sem credibilidade.

 

Cooperagro ganha licitação de R$ 6 mi

Em dezembro de 2016, o presidente Junior Lopes confirma a sua disposição em decretar o encerramento das atividades da Fecularia.

Agosto de 2017, a diretoria da COOPERAGRO entra em reunião, e o presidente Junior Lopes, assina sua renúncia e se compromete, no mesmo documento, a assumir qualquer encargo, que por ventura venha a surgir em consequência da sua gestão.

Após a renúncia do presidente, foi empossado o senhor João José da silva, o Zé Canário, cooperado e produtor familiar da cadeia produtiva da mandioca.

Devido ao empenho dos funcionários, a confiança dos produtores cooperados, Eli Mário enviou para o prefeito Rogério Teófilo a proposta de continuação da produção, o que foi aceito pelo Prefeito.

Logo começam as negociações. Primeiro com os funcionários, onde a nova política administrativa foi aceita e apoiada, não só por eles, como também, aceita pelos fornecedores e clientes.

“Alguns clientes já não confiavam mais na Cooperagro. Fomos aos nossos clientes e acordamos novas entregas e a nova administração, o qual foi bem recebida pelos nossos parceiros comerciais, que imediatamente voltaram a comprar nossos produtos. Os supermercados São Luiz, Unicompra, Asa Branca, super mercado,Master o 15 de Novembro, entre outros, firmaram o novo compromisso.

“Ganhamos uma licitação, na Chamada Pública do Estado de Alagoas,¨através da Secretaria da Assistência e Desenvolvimento Social – SEADES, para aquisição de gêneros alimentícios produzidos pela agricultura familiar, no valor de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais).

Já estamos começando a arcar com as nossas responsabilidades financeiras.

E com esse contrato, temos a certeza de que a COOPERAGRO, supera as dificuldades, como já estamos superando.

Esperamos a assinatura do contrato, pelo Governador Renan Filho, para podermos introduzir novos produtos, como alimentos desidratados, onde já conquistamos essa tecnologia, que fiz questão de ir buscar com um arapiraquense, o engenheiro mecânico José Ailton Leão,  que construiu uma centrífuga que nos dá esta condição de produção, e fez questão de não cobrar os seus honorários”, completou Eli Mário.

“Voltamos pro mercado com o apoio da prefeitura, dos 498 produtores familiares cooperados, dos nosso fornecedores, e com certeza, com a assinatura desse novo contrato, não fecharemos. Vamos sim, fomentar e proporcionar melhor condição de vida para os nossos cooperados e os mais de vinte mil pessoas, que dependem da cultura da mandioca”, finalizou Eli Mário, apoiado pelo novo presidente da COOPERAGRO, Zé Canário.

 

Produção vai atingir 35 toneladas, por dia, de goma úmida de mandioca Foto: Carlo Bandeira
Foto: Carlo Bandeira
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