13 de Maio Dia da liberdade de quem?


Carlo Bandeira

12/05/2017 11h36

A luta, no Brasil, pela liberdade, é notória, plausível e verdadeiríssima. Morro dos Macacos, Zumbi, Quilombos, fugas de índios, mortes, perseguições, tudo isso, capitula a saga em busca da liberdade de um povo subscrito e subjugado à revelia da sua importância, da sua legitimidade. Contudo, verifica-se que a ferida ainda está aberta, pior, alastrando-se até os dias de hoje.Não podemos esquecer Canudos, marco da perseguição de uma sociedade oligárquica, a uma sociedade democrática e solidária, efetivada e dirigida por um louco, por um Antônio Conselheiro.À época, “a  imprensa dos primeiros anos da República e muitos historiadores, para justificar esse genocídio, retrataram o Antônio Conselheiro como um louco, fanático religioso e contrarrevolucionário monarquista perigoso”, texto extraído da Internet. Nada atual, parece-nos este texto!Nosso povo é uma pintura dantesca. Sempre foi, é e sempre será, enquanto as raízes desta nação brasileira não brotar de fato.Com tantos exemplos de luta, mortes e extermínios, como a dos Caetés, fazem da nossa consciência, um corredor de memórias

apagadas.A robustez do povo brasileiro padece nas afirmações de uma elite, que teima em não valorizar o que é de Brasil, o que é brasileiro, o que resulta da nossa mistura de raças e culturas.Somos um povo de lutas perdidas, mas um povo de lutas, de louco, de insanos portadores da liberdade, que vislumbram, em sonhos, em devaneios, o valor  que ainda perseguimos, bem aqui, na realidade que vivemos acordados.Vê-se que a liberdade de um povo, não decorre de projetos de lei, tampouco das leis efetivas. 13 de maio é uma prova viva e real desta assertiva. Lei não liberta.O que liberta são as convicções. As mesmas convicções que nos levam ao sacrifício. Sacrifícios que levaram em suas convicções; os Tupis, os Kariris,  o Zumbi, Frei Caneca, Tiradentes, Antônio Conselheiro, os operários, os passageiros dos ônibus e trens lotados.Temos tantas datas de lutas. Contudo, data de consciência temos poucas; a consciência negra, em 20 de novembro; e a consciência indígena, 25 de Abril e mais algumas outras poucas datas que comemoramos alguma consciência.Não às reformas de Temer, veremos em que data vai cair!



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