Alves Correia


Carlo Bandeira

29/04/2016 16h09

Alves Correia

“O rádio era mágico. Eu escutava Roberto Carlos e quando terminava já começava o Jerry Adriani. Essa velocidade me encantava. Desde os meus quatorze anos, sonhava em fazer rádio. Até que um dia, eu passando pela frente da Rádio Rio São Francisco, de Penedo, um  cidadão me chamou e perguntou quanto eu queria para passar uma vassoura nas dependências da emissora. Pois a mulher da limpeza, por motivo de doença faltara naquele dia. Foi como eu consegui entrar pro rádio”.

Esse foi o início de Cosme Alves Correia, O Alves Correia, no rádio alagoano, em Penedo sua terra natal. Logo, ele estava nos estúdios da emissora. Foi se formando aos poucos. Escrevia os programas, fazia operação de áudio e teimava, na hora do intervalo, quando o apresentador do horário não estava, em puxar o microfone e dava a hora certa. Logo depois vinha a bronca da direção da rádio. Algum tempo depois, ele, o Alves substituíra o locutor oficial, que tinha se afastado para cuidar da saúde.

Ele sempre gostou de novidades. E em Arapiraca foi inaugurada a rádio Novo Nordeste, com equipamentos de última geração. Veio  fazer um teste e passou em todos; operador de áudio, redação, locução e por aí a fora. Assis Gondim foi o seu padrinho, aqui em Arapiraca, onde lhe aconselhou e lhe mostrou alguns segredos da profissão.

Eu lhe perguntei; Alves como você explica o seu sucesso? Prestem atenção ao que ele me respondeu.

Alves: “Bandeira eu queria ser diferente, fui confundido até com o coronel Ludugero. Mas sempre quis ser diferente”. Continua; ‘você imagina que pra fazer sucesso àquela época, todo mundo fala carioca e paulista. E eu pensava; tô perdido. A minha aceitação se deve por eu manter as minhas raízes, falando como fala o alagoano, como fala o nordestino. Nunca abri mão disso”.

Com um programa salada como ele mesmo define, foi embora pra Maceió, direto para a Gazeta de Alagoas AM. Sobressaia-se com a sua salada de notícias, plantões de polícia, músicas e paródias em cima de música de duplo sentido. Sempre em primeiro lugar na audiência, segundo o IBOPE. Foi o suficiente para assumir o horário nobre da Emissora. Daí para frente, surge o convite para fazer espetáculos em Circo. “Comprei meu primeiro carro com a renda que o dono do circo repartiu comigo”. ‘E adivinhe o carro: meu primeiro fusquinha. Minha mulher não acreditava, e pra falar a verdade, nem eu acreditava que chegaria a tanto.’

“Hoje sou um homem realizado e feliz, tornei-me político; fui vereador, deputado e agora pré-candidato a prefeito de São Sebastião, pra provar que, com seriedade e compromisso com o meu público, conseguimos administrar para o bem de todos”.

‘Quando minha mãe contava que papai, lá em Penedo, subia no alto de um pé de manga pra instalar uma antena pra poder me escutar, pela Gazeta de Maceió, me arrepio até hoje. E claro, passei a acreditar, muito mais, em mim mesmo’.

“E a mensagem que deixo, é o meu próprio exemplo; nunca desista dos seus ideais, como eu fiz e faço, até hoje. Tente, tente, tente outra vez. Um dia você vai conseguir. E assim sou grato ao nosso bom Deus”.



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