Ser craque não é ser ídolo!


Carlo Bandeira

05/07/2018 11h37

Ser craque, todo mundo sabe que ele é. Mas vestir um uniforme que representa um povo, não dá o direito de agir como se agisse na sua própria casa. Eis o caso do Neymar Junior, um grande craque, porém, para galgar a idolatria da massa brasileira lhe falta muito.

Qual vida fácil teve a grande maioria de nós, os brasileiros mortais, aqueles que já começam a trabalhar quando abrem os olhos do descanso noturno. Acordar, aprontar-se, quase sonhando ainda, escovar os poucos dentes que ainda restam, às 4 ou 5 horas da manhã, para defender o salário mínimo nacional, todos os dias.

O ídolo não se faz com desdém ou provocações humilhantes aos oponentes competidores, principalmente, no esporte, que carrega a máxima; o importante é competir, com lisura, sem deflagração de más intenções, sem cair tanto na mesmice da enrolação.

Temos sim um cracasso, sem a menor sombra de dúvidas. Aliás, temos vários craques numa seleção que representa, queiramos ou não, uma pátria, uma pátria de chuteiras, como já dizia o velho cronista e dramaturgo pernambucano, Nelson Rodrigues.

Todos somos admiradores do dom divino do Neymar, que tem em seus dribles, a maneira mais correta de ludibriar os oponentes a sua frente, e seguir em frente, em direção ao gol, patrimônio maior de sua arte.

Somos muito duros em criticar o Neymar, não a sua arte, mas o seu comportamento quando investido na função de um trabalhador que representa um povo que tem na amarelinha, a sua farda.

Como um soldado fardado, como um estudante e a farda de seu colégio, como um operário e o seu macacão, todos representam alguma instituição, e respondem por ela.

Eis a convocação de um brasileiro para representar, não a sua vontade ou o seu estado de espirito, mas todo um povo que sofre todos os dias com as incertezas e as desigualdades que ele sofrera um dia.

Você é o nosso craque, e poderá ser nosso Ídolo!



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