Série: Há 472 Anos Nascera a Alma Alagoana


Carlo Bandeira

03/02/2017 15h54

A Alma Alagoana dos Tingui Botó!

 Na série desta coluna; “Há 472 Anos Nascera a Alma Alagoana”, trava-se, Entre si, duas questões. “Uma” opõe-se à outra e, ao mesmo tempo, a outra completa a “uma”. Portanto, fazem parte da mesma história que conta a saga do povo de um canto proclamado Alagoas.

Início, meio e o contemporâneo, é o que impede a desunião das duas realidades; os “472 Anos Nascera Alma Alagoana”, e os “200 anos de Emancipação do Estado de Alagoas”.

Neste número, fomos buscar nos Indígenas, a alma alagoana mais antiga, e a mais conhecedora destas terras.

Em uma visita informal a um grande amigo, pai, inspiração, enfim, O Pajé Adalberto, da Aldeia Tingui Botó, povo oriundo dos Kariri Xocó, comprovei o drama de quem vive sob as guardas das Políticas Públicas, em todas as esfera de Poder, principalmente o Poder Federal.

Em Olho D´Água do Meio, zona rural do Munícipio de Feira Grande, onde nasceu uma destacada personalidade,  a deputada Ceci Cunha,

Ceci Cunha

evidencia-se a alma Alagoana antes mesmo da entrada da Aldeia, localizada ali.

Olho D´Água do Meio, não parece ser diferente de qualquer dos outros recantos nordestinos. Casas em ruas que sobem e descem; uma igrejinha; uma pracinha central; e um “Padinho Ciço”, é Claro.

Já com a presença do Pajé Adalberto, acompanhado de seu Genro Eduardo, seu neto Wirã, herdeiro da pajelança, conversamos sobre o ritual que acabara de realizar, na mata sagrada de seu povo, e principalmente sobre as dificuldades que assolam os Tingui Botó, como também, as possibilidades de recuperação Cultural e econômica.

A Água, quero dizer, a falta dela, foi a introdução das constatações havidas na argumentação da conversa. O desmatamento e o uso irracional fizeram de um lugar, que teve como origem um olho d´água, ou seja, uma nascente, um canto seco e seco também os seus rios, como o Boa Cica, mostrado aqui, nesta coluna.

Porém, constatar a disposição em recuperar o seu meio ambiente, após anos de degradação, foi o indício da aparição dessa alma que tanto falamos; A Alma Alagoana, que vem das camadas mais populares desse Povo e das mais excluídas, também.

Eu e o Pajé Adalberto

"Não adianta só perfurar poços, isso é muito bom, mais alivia, apenas, um sofrimento que acabará com a recuperação da mata ciliar e um reflorestamento que permita plantar e criar animais que sejam típicos da nossa terra”. “Temos que fazer alguma coisa a respeito, senão todos vamos pagar, nós os indígenas e os não indígenas”, disse o Pajé e o Eduardo seu genro.

 

A mesma providência ouvi de Ricardo Tingui, filho do Cacique dos Tingui Botó;Ricardo Tingui

“precisamos reparar o desmatamento, pois a única mata que ainda existe é aqui na aldeia, mas temos que reforçar essa ideia em toda a comunidade”.      

Por fim, trouxemos à tona, conclusões sobre a verdadeira Alma alagoana.

Crianças Tingui Botó

Precisamos olhar para frente, para o futuro, para os nossos filhos e netos, todos nós, filhos dessa terra. E vamos reconstruir com nossas forças, o que se destrói por falta de políticas corretas. E que favoreça o pequeno produtor viver um sistema que se sustente, Finalizou o Pajé Adalberto.

Afinal, qual Alagoas queremos para os Próximos 200 anos?

Só a verdadeira alma alagoana poderá nos responder!  



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