Suel Cordeiro – A pintura grudada na pele


Iranei Barreto

22/09/2017 12h58

 

Nascido em Palmeira dos Índios, mas adepto da cultura e folclore sertanejos onde oindivíduo pertence a terra onde seu umbigo foi enterrado, o artista visual SuelCordeiro tornou-se filho de Santana do Ipanema, berço do sertão alagoano. Aos seteanos, mudou os ares interioranos e veio morar em Maceió. Através dos quadrinhos,desenvolveu seu gosto pelas artes. Somado a isso, com influências que vão desde orock, Salvador Dalí até o grafite, Suel tornou-se um dos mais importantes artistascontemporâneos de Alagoas. Ele o é artista homenageado de setembro do Aqui Acolá

Outra grande influência de seu trabalho são as capas de discos, principalmente os derock ‘n’ roll. “Um dos caras que eu mais gosto, o H. R. Giger, criador do Alien, fezdezenas de capas de CD. Quanto ao lance mais soturno ele é um dos artistas que maisadmiro”, comenta ele. “No que diz respeito à pintura mais convencional e acadêmica,apesar de eu ser um autodidata e nunca ter freqüentado academia, um dos grandesmestres é Salvador Dalí. Mas também curto os impressionistas e expressionistas”. Aarte pop (“não só Andy Warhol”) também está presente no trabalho de Suel. “É bemdifícil dizer o que eu gosto, porque eu gosto de tudo”, diz ele. “Uma coisa que não façoé repetição, essa coisa de criar estilo.”.

Ele conta que começou de maneira bem artesanal, pintando camisas para os amigos.“Cheguei ainda a trabalhar em feirinhas na Pajuçara e no antigo Cheiro da Terra (ouCheiro das Trevas)”, brinca. “Montei uma banquinha e era só desilusão porque eu faziaumas camisas massas, uns Wolverines irados e os turistas só pediam pra eu desenharMinnie e Mickey”, lembra.

Sua carreira começou a tomar projeção na cidade quando foi descoberto pelaarquitetura. “Fiz uma camisa com um Bob Marley pra uma ex-namorada e elatrabalhava num escritório de arquitetos. O pessoal gostou e acabei pintando umaparede lá e a coisa foi ficando mais fácil”. Além do rock, Suel também tem influênciasda cultura hip hop, o que o fez utilizar o grafite em seus trabalhos. “Também gostomuito de tinta acrílica, mas hoje a demanda do grafite em painéis e paredes está emalta”. Em sua primeira exposição individual ele lembra que tinha trabalhos de todos osestilos. “Tinha releituras de obras antigas de Van Gogh, pedacinhos de tecnologiasdesmanteladas e coladas na tela. Eu não tinha foco, chutei pra todo lado”, afirma.“Algum tempo depois um grande incentivador meu, o Delson Uchôa, visitou outraexposição que fiz onde eu coloquei um tema. Aí ele me disse – agora sim vocêencontrou algo seu, achou um foco”. Contudo, Suel não é adepto das repetições e sempre procura fazer algo diferente paraseu próximo trabalho. “Isso acaba virando um grande drama para o artistacontemporâneo: tentar ser original. Hoje em dia, tudo já foi feito”.

Uma das pessoas mais importantes para a construção do trabalho de Suel é CarolGusmão. “Ela é minha curadora, esposa, incentivadora, musa inspiradora há 19 anos.Eu só faço mais arte por influência dela”, declara. Ao todo foram seis mostras individuais e várias coletivas. Seus planos para o ano quevem incluem uma exposição que vai se chamar Alter Ego. Para a sua intervenção nalogomarca do blog Aqui Acolá, Suel confessa que a ideia é trazer aspectos e elementosmarinhos, símbolos da beleza e da identidade alagoana. “Mesmo com a ideia definida,tudo pode acontecer. Durante o processo de criação é que as coisas acontecem”, dizele.



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Em cartaz “Filme” – novo álbum de Cris Braun em parceria com Dinho Zampier


Iranei Barreto

11/08/2017 13h54

Disco assinado pela dupla de músicos foi lançado na internet há poucos dias.

Está em cartaz nas grandes plataformas da rede digital o mais novolançamento da música visual alagoana. “Filme” é o título do disco concebidopela cantora e compositora Cris Braun e pelo músico e produtor Dinho Zampiere é a trilha sonora de um filme que não existe, pelo menos física ematerialmente. O resultado é uma viagem sonora e imaginativa única paracada ouvinte-espectador.

Com participações de Toni Augusto nas guitarras, violão e guitarlele, YksonNascimento no baixo, Thiago Herculano no violino, Alisson Paz na bateria eWalter Costa nas programações, as canções foram todas construídas a partirdo teclado de Dinho. Segundo Cris, o conceito do trabalho é bastante ligado aoinstrumental e ao novo modo de ouvir música atualmente com as playlists.

As 11 faixas passeiam pelas emoções de um filme imaginário – alegria,introspecção, festa ou solidão. A dupla produziu quase todas as músicas, comexceção de “Harpia” e “Cheio”, onde convidaram os amigos Sacha Amback eBilly Brandão para a produção de cada uma, respectivamente. O disco contaainda com parcerias com o poeta Fernando Fiúza, “Tieteberga Sento in Seno”de Vivaldi e “Escorpiões”, composição de Alvin L do repertório dos Sex Beatles,banda de rock dos anos 90 integrada por Cris.

“Ainda pra fechar o conceito, chamei o diretor super talentoso Henrique Oliveirapara a parte visual do trabalho. Fomos para o sertão e fizemos imagensincríveis que estão no encarte do disco e vão fazer parte do show delançamento, que será feito em Maceió e no Rio”, afirma Cris Braun.

Dinho Zampier já é um músico veterano no cenário musical alagoano.Trabalhou com Wado, Vitor Pirralho, Júnior Almeida, Sonic Junior, eatualmente toca com a banda Mopho e a Figueiroas. Cris Braun nasceu no RioGrande do Sul, mas viveu boa parte da vida entre Maceió e Rio de Janeiro.Além de “Filme”, tem 3 discos solos e 2 gravados com a banda Sex Beatles.

“Filme” já está disponível nas principais plataformas digitais como Apple Music,Deezer, Spotify, Soundcloud e Youtube, além de poder ser baixado pelo siteoficial da cantora – crisbraun.com.br. A previsão é de que o CD físico seja Lançado em setembro, também pela distribuidora Tratore.   

Texto: Nicollas Serafim



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“O Grande Veleiro” segue ancorado em Maceió apresentando vida e obra de Bispo do Rosário


Iranei Barreto

04/08/2017 13h23

Se alguém te contasse que uma das maiores referências da artecontemporânea brasileira viveu por meio século em instituições psiquiátricas eque se quer tinha noção que o resultado do seu trabalho um dia seriaclassificado como arte, você acreditaria? Vamos lá então, a história é bemverdadeira e estamos falando do artista plástico Arthur Bispo do Rosário. Aquiem Maceió, na Galeria de Arte do SESC Centro, atracou a mostra itinerante “OGrande Veleiro”, que permanece até 11 de agosto apresentando a vida e obradeste sergipano de Japaratuba.

Para quem ainda não conhece essa história, vamos adiantar o final, as obrasde Bispo do Rosário conseguiram sim atravessar os altos muros dasinstituições psiquiátricas e obtiveram o devido reconhecimento nacional einternacional. Mas, vamos ao começo da história!

Arthur Bispo do Rosário Nasceu em 1909. Era filho de carpinteiro. Apaixonadopelo mar, ingressou na Marinha em 1925. Foi também no mar que descobriusua segunda paixão: o boxe. Uma coisa inviabilizou a outra e Bispo foi expulsoda carreira militar. Do pugilismo foi afastado devido a um acidente que feriugravemente seu pé.

Depois do acidente, continuou no Rio de Janeiro, trabalhando como caseiro doadvogado José Maria Leone até que em 22 de dezembro de 1938, aos 29anos, Bispo do Rosário teve seu primeiro surto. Conduzido por um imaginárioexército de anjos se apresentou na igreja da Candelária aos padres comoincumbido de “julgar os vivos e os mortos”. “Ele se convertia na figura deJesus Cristo, mas acabaria sob o domínio da psiquiatria”, ressaltou a escritoraLuciana Hidalgo no texto “As artes de Arthur Bispo do Rosário”. Internado noHospital Nacional dos Alienados foi diagnosticado como esquizofrênico-paranóico e transferido para a Colônia Juliano Moreira, hospício na épocaconsiderado “fim de linha”. Dos mais agitados, acabou ficando isolado.

E foiNessas fases de isolamento que a arte brotou.Em 1967, Arthur Bispo do Rosário recebeu a segunda e grande "missão" dereorganizar todas as coisas existentes na terra para a sua reapresentação no"Dia do Juízo Final". E por 07 anos consecutivos construiu suas obras noconjunto de celas-fortes do Pavilhão 10, na Colônia Juliano Moreira. Aprodução de Arthur Bispo do Rosário durou 50 anos dentro Juliano Moreira eviabilizou discussões sobre arte e loucura, identidade e territórios, tanto nocampo das artes quanto na psicologia e na sociologia, através da literatura,com a biografia produzida pela escritora Luciana Hidalgo.

Segundo pesquisas realizadas pelo crítico de artes, Frederico Morais, a partirda década de 60, Bispo passou a produzir objetos com diversos itens oriundosdo lixo e da sucata que, após a sua descoberta, foram classificados como artevanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp. Entre os temas,destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha najuventude), estandartes, faixas de misses e objetos domésticos.

A sua obra mais conhecida é o “Manto da Apresentação”, que Bispo deveria vestir no diado Juízo Final. Bordados no manto estão os nomes das pessoas que elejulgava merecedoras de subir aos céus – mulheres, em sua esmagadora maioria.

Em 1982, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro expôs algunsexemplares do universo de Bispo numa coletiva reunindo presidiários, menoresinfratores e idosos, intitulada “À margem da vida”. Bispo do Rosário faleceu em1989, ano em que teve sua primeira individual – “Registros de minha passagemna terra”. Os trabalhos do artista não apenas transpuseram os muros dohospital psiquiátrico, como chegaram inclusive na prestigiada Bienal de Venezae em vários museus espalhados pelo mundo. O sergipano também deu nomeao Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, situado dentro do InstitutoMunicipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira.

Exposições – Atualmente duas exposições itinerantes promovidas pelo SESCsobre Bispo do Rosário percorrem o Brasil: “Arthur Bispo do Rosário: A AlgunsCentímetros do Chão”, que está percorrendo o interior paulista pela primeiravez com obras originais do artista. E a mostra “O Grande Veleiro” que segueem cartaz aqui em Maceió e teve início na Unidade Centro do Sesc Aracaju.Em seguida, entre agosto e setembro, estará na Escola Sesc de Ensino Médio,no Rio de Janeiro, e depois, entre outubro e novembro, no Centro Cultural SescParaty. Em 2018, a exposição ainda circulará por outras cidades brasileiras, aserem definidas.

A mostra “O Grande Veleiro” é interativa, conta com jogos e obras que podemser tocadas pelo público e que remontam à trajetória de Bispo do Rosário. Aimagem do veleiro, que dá nome e é bastante marcante em toda a exposição,remete aos anos em que ele atuou na Marinha Brasileira ,quando se mudou deSergipe para o Rio de Janeiro, em 1925.

A exposição ganhou em Maceió oficinas diárias de bordado do Grupo BordAzul – bordadeiras do Litoral Norte; exposição fotográfica resultado de atividadesterapêuticas do Caps Maceió; atividades como contação de histórias, comDamiana Melo e bate-papo com o Prof. Dr. Severino Alves de Lucena Filho,lançamento do livro “Festa Junina em Portugal: Marcas culturais no contexto defolkmarketing”. A montagem tem assinatura de Alice Barros e Robertson Dorta,a organização ficou por conta da analista em Artes Visuais do SESC, KelcyFerreira, e mediação de Álvaro Henrique. As visitas poderão ser feitas desegunda a sexta, das 12h às 18 horas. Entrada gratuita.

Texto: Iranei Barreto 

“Os doentes mentais são como beija-flores, nunca pousam, ficam a 2metros do chão,” Arhtur Bispo do Rosário.



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Rádio Quantica Uma nova forma de ouvir música diferenciada


Iranei Barreto

31/03/2017 16h13

Poucas coisas têm a capacidade de conectar as pessoas ao redor do mundo como a música. O rádio e a popularização da Internet foram dois acontecimentos que impulsionaram vertiginosamente o consumo de música entre as pessoas. Foi com esse pensamento de juntar essas duas ferramentas poderosas que surgiu em Maceió a Quantica, uma rádio online dedicada 24 horas à boa música universal.No ar desde setembro de 2016, o projeto é idealizado e comandado por Ricardo Teles e Waldívia Fabiane Teles. Com mais de 10 anos de experiência na área de rádio, tanto na parte de direção e gestão, quanto na operacional, Ricardo diz que é bastante criterioso quanto à qualidade do áudio e das músicas. “Hoje nós temos mais de 25 mil músicas e todas elas tocam na programação”, revela. “Elas foram selecionadas, então o ouvinte pode esperar muita diversidade, qualidade e boas surpresas com relação a artistas e gêneros musicais”. Segundo Fabiane, a Quantica germinou em Recife há alguns anos e não perdurou por muito tempo. Porém, no ano passado os dois resolveram repaginar e revisitar o projeto, embarcando de mala e cuia no mundo da rádio online. “Se você der uma olhada nas rádios que existem na internet algumas são feitas de maneira bem artesanal e caseira, e outras simplesmente replicam o modelo de uma rádio tradicional para o online”, diz ela. “A Quantica é pensada e feita exclusivamente para a internet”, diz ela.Composta por 70% de música brasileira e 30% de internacionais, a programação é variada e vai do jazz ao rock, passando por R&B, blues, bossa nova, MPB, pop, disco e muito mais. A proposta da Quantica é oferecer música de qualidade 24 horas por dia, com pouquíssimos intervalos. “A estrutura da rádio está bem fundamentada, mas a tendência é que ela fique bem mais enriquecida com dicas de cultura, culinária, meio-ambiente, pensamentos”, comenta Ricardo. “Fora isso, estamos com muitas ideias para novos programas, sempre com uma maneira diferenciada”. No player, o ouvinte tem acesso em tempo real às informações sobre o artista, o álbum e a música que está tocando no momento. Além disso, dentro dos programas estão algumas pequenas sessões especiais como a “Dose Dupla”, que apresenta a mesma música em duas versões diferentes, e o “Momento Beatle”, dedicado ao quarteto de Liverpool. Para ouvir a Quantica, basta acessar quantica.radio.br, ou baixar os aplicativos gratuitos e bastante leves para Android ou iOS “Quantica Radio”.



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Canteiros de obras, O artista em seu habital natural


Iranei Barreto

29/03/2017 15h48

O ateliê está para o artista visual assim como o casulo está para a borboleta. Lá é o local sagrado onde ele se transforma para então sair voando com sua arte pelo mundo.  Foi com esse mote que nasceu o projeto “Canteiros de obras”, que adentra o local de trabalho de 20 artistas visuais alagoanos e o expõe em um documentário, uma exposição e um catálogo. Segundo Viviani Duarte, uma das idealizadoras do projeto, “Canteiros de obras” aconteceu em decorrência da exposição Amostra Grátis, na qual ela, o também curador Rosivaldo Reis e o fotógrafo Pablo de Luca iam até os ateliês dos artistas em buscas das obras que comporiam a mostra. “A partir daí, surgiu a ideia de criar um documentário visitando os ateliês dos artistas de Alagoas”, diz Viviani. O projeto foi contemplado pela Lei de Incentivo à Cultura de Maceió através do Prêmio Eris Maximiano 2015. Além do vídeo-documentário, “Canteiros de obras” se transformou num catálogo impresso contendo todas as informações dos 20 artistas escolhidos; e numa exposição aberta ao público no Centro Cultural Arte Pajuçara, mesmo local onde o filme foi exibido em 13 de fevereiro. “O lançamento foi muito bom. O cinema estava lotado e a receptividade foi muito boa”, afirma o coordenador geral Rosivaldo Reis. Para esta primeira edição, Alex Barbosa, Ana Nobre, Bárbara Lessa, Dalton Costa, Dydha Lyra, Jerônimo Miranda, Lu Azul, Lula Nogueira, Marcos Aurélio, Maria Amélia, Marta Arruda, Mônica Torres, Myrna Maracajá, Persivaldo Figueirôa, Reinaldo Lessa, Rogério Gomes, Rosivaldo Reis, Tânia Pedrosa, Vera Gama e Violeta Plech abriram seus casulos para mostrar suas criações. “Além de tudo isso, nós pretendemos visitar escolas da rede pública de ensino municipal para apresentar o documentário e levar os artistas para que eles façam palestras e se apresentem tanto para as crianças quanto para os professores de arte”, revela Viviani. “Para que assim os professores também utilizem nossos artistas nas suas aulas. O objetivo é perpetuar a ideia de que Alagoas tem sua arte e seus artistas de muita qualidade”. A exposição fica em cartaz até o dia 15 de abril no Centro Cultural Arte Pajuçara. Catálogo online: https://issuu.com/canteirosdeobras/docs/canteirosdeobras_1a_ed



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Léo Villanova e a vida através das imagens


Iranei Barreto

26/06/2016 14h01

Quase toda criança passa por uma fase onde o desenho é a forma mais completa de expressão de seus desejos e sentimentos. Para Léo Villanova, essa fase nunca passou e o ato de transpor seus pensamentos e ideias para o papel se tornou algo comum, do dia a dia. Com o desenho, a fotografia, a charge e os quadrinhos se revezando em sua cabeça e em seus papeis, ele vai contando histórias de vida, ao mesmo tempo em que constrói a sua própria.

Com a profissão de publicitário, a arte foi ganhando cada vez mais espaço em sua vida. Além disso, ele é formado em Jornalismo e estudou Arquitetura. Todos esses campos de conhecimento convergiram e influenciaram-no a desenvolver seus trabalhos, tanto em desenho como em fotografia.

A verdade é que Léo gosta mesmo é de contar histórias através das imagens. Seus trabalhos fotográficos possuem um forte lado documental, ligado fundamentalmente ao Fotojornalismo. Suas fotos têm por objetivo narrar um fato, um acontecimento, uma cultura. “Quando viajo para fotografar procuro sair do lugar comum e me incluir em pequenos universos”, diz ele. “Uso a fotografia para mostrar lugares e pessoas que a grande maioria dificilmente irão conhecer. Eu procuro lugares onde quase todo mundo têm algum tipo de preconceito”.

Nessas andanças fotográficas, já visitou mais de 30 países, incluindo Argentina, Áustria, Cuba, República Tcheca, Cairo, Egito, Hungria, dentre outros. Esteve presente em países do Oriente Médio no histórico período da Primavera Árabe e, segundo ele, foi sua melhor experiência como fotógrafo. Seus registros já compuseram algumas exposições e publicações, entre revistas e jornais. Atualmente, algumas de suas fotos retratando a retirada dos moradores da Vila dos Pescadores, em Jaraguá podem ser conferidas na 1ª Mostra de Fotojornalismo e Vídeo de Alagoas, em cartaz no Museu Palácio Floriano Peixoto (Mupa).

A charge é outra faceta dos desenhos de Léo. Sua primeira colaboração em jornais do estado aconteceu quando ele ainda tinha 12 anos. Passou por veículos como o Jornal de Alagoas e Tribuna Independente, e publicações nacionais como O Pasquim e a revista Bundas. E hoje é chargista diário da Gazeta de Alagoas, desde 2015.

Léo Villanova começou, em 2014, um projeto de retratar, em desenho, os cenários e as ruas da Maceió do século 20. Os desenhos partiram de uma inquietação em perpetuar, por mais tempo, a memória imagética da cidade de Maceió no século passado. “Há uns dois anos começaram a aparecer, na Internet, muitas fotografias antigas da cidade e surgiu aquele surto de nostalgia, de como Maceió era linda. Desde a época da faculdade de Arquitetura, eu sempre me interessei pelo patrimônio histórico arquitetônico da cidade, e a forma mais elementar que eu encontrei de recuperar isso foi através do desenho”.

Ele começou um trabalho de pesquisa em acervos pessoais, museus e institutos, aliada à literatura que falava da cidade até a metade do século 20. Essa junção de relatos escritos e visuais deram base para que ele iniciasse a produção dos desenhos. “O interessante é que essas fotos antigas, geralmente eram tiradas aos domingos onde não havia ninguém na rua. Então a pesquisa também incluiu vestuário e os veículos que existiam na época para o desenho mostrasse a rua viva”. Os trabalhos ficaram expostos na Galeria Gamma, de 27 de maio a 18 de junho como parte da exposição ALas, e chamaram bastante atenção do público.

Além disso, Léo Villanova tem um projeto em parceria com o jornalista, amigo e também desenhista Enio Lins. A ideia é contar, numa história em quadrinhos, o emblemático episódio do impeachment do governador Muniz Falcão, em 1957, que envolveu tiros e até morte dentro da Assembleia Legislativa de Alagoas.

“Também tenho um documentário em vídeo, já roteirizado para trabalhar junto com dois amigos, Ricardo Ledo e Janayna Ávila. É um campo novo, que nunca tinha me despertado a atenção, mas me deixou muito interessado”, afirma.

Com talento, coragem e vontade, Léo Villanova continua sua rotina de conceber ideias, esboçar rascunhos e retratar o mundo a seu olhar. Seja com a caneta na mão ou a câmera no pescoço, ele carrega sempre em seus olhos a luz da curiosidade em encontrar e contar histórias do mundo.

* Texto de Nicollas Serafim - colaborador do blog Aqui Acolá 

** Os trabalhos de Léo Villanova poderão ser encontrados no site do artista: www.leovillanova.net



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Guia de exposições “Aqui Acolá” estreia com cinco indicações


Iranei Barreto

01/04/2016 17h17

O Aqui Acolá preparou um roteiro com dicas de exposições imperdíveis que seguem em cartaz na capital. Entre desenhos, pinturas e fotografias, o alagoano tem boas opções para conhecer como anda o mercado das artes e prestigiar nossos artistas locais, além de conferir trabalhos inéditos no Brasil do desenhista Scimon, que está expondo pela primeira vez em Maceió, na Galeria Gamma. Confira abaixo e monte você também seu roteiro de visitações.

CIRCUITO II | Galeria Gamma

Em cartaz até 21 de abril, a exposição “Circuito II”, da Galeria Gamma, apresenta ao público obras do seu acervo e também trabalhos de artistas de galerias parceiras. Da Luís Maluf Gallery, de São Paulo, é possível conferir trabalhos de Alexandre Orion, Caligrapixo e Luís Maluf; da Itália, trabalhos inéditos do desenhista Scimon e da alagoana, radicada em Milão, Geovana Cléa. Também na mostra obras dos alagoanos: Rogério Gomes, Eva Le Campion, Daniela Aguilar, Martha Araújo, Vera Gamma, Vânia Lima; e dos fotógrafos Reinaldo Gama Júnior e Luísa Patury. A visitação poderá ser feita das 14 às 19 horas, de segunda a sexta; e aos sábados, das 09h às 13 horas. Mais informações pelo telefone: 3377 3979.

COLETIVAMENTE  |  Centro Cultural Arte Pajuçara

Em cartaz no Centro Cultural Arte Pajuçara, a exposição “ColetivaMente” propõe diálogo entre diversas linguagens e olhares dos artistas Adriana Jardim, Chico Viveiros, Frédérique Groutars, Ives Lins, Levy Paz, Lilian Barbosa, Marcos Aurélio, Mário Alencar, Myrian Almeida, Persivaldo Figueiroa e Teresa Lima. A coletiva tem curadoria de Viviani Duarte.  O Centro Cultural fica na Avenida Doutor Antônio Gomes de Barros, 1.144, na Pajuçara. A entrada é gratuita.

SIGNO MIMÉTICOS- POETICOS | IPHAN Alagoas

A individual “Signos Miméticos-Poéticos”, do artista alagoano Robertson Dorta, está aberta ao público até 22 de abril, na Casa do Patrimônio do Iphan de Alagoas. As séries de experimentos apresentadas nesta exposição compõem uma seleção de 150 desenhos executado pelo artista em 1996. Dorta utilizou a técnica do grafite sobre papel para compor sua poesia visual. A curadoria é de Alice Barros. A Casa do Patrimônio está localizada na Rua Sá e Albuquerque, 157, no bairro de Jaraguá, e as visitas podem ser feitas de terça a domingo, das 09h às 17h, inclusive feriados. Entrada franca.

HUMOR GRÁFICO EM ALAGOAS | Galeria do Cesmac


“Humor Gráfico em Alagoas” é o nome da exposição que homenageia Hércules Mendes. A coletiva, que tem curadoria da professora Carol Gusmão, prossegue em cartaz na galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes até 29 de abril. Participam da homenagem: Enio Lins, Adnael, Adelmo Cândido, Cristina Gomes, João Sampaio, Jorge Félix, Léo Villanova, Manoel Viana, Nelson Braga, Spinassé e Billo. A Galeria fica localizada na Rua Cônego Machado, no bairro do Farol, aberta para de segunda a quinta, das 13h às 17; e sexta, das 13 às 16h. Entrada gratuita.


A PRAIA É NOSSA | Complexo Cultural


Resultado do I Concurso de Fotografia Ambiental do IMA, realizados com fotógrafos amadores e profissionais em praias de Alagoas, a exposição “A Praia é Nossa”, poderá ser conferida até 07 de abril, na Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro. A mostra pode ser visitada nas segundas, terças, quintas e sextas, das 8h às 18h. Nas quartas-feiras, a visitação pode ser feita das 8h às 20h. A entrada é franca. O complexo fica na Rua Barão de Maceió, 375 – Centro de Maceió. Mais informações: pelo telefone: 3315-5665.


ALFARRÁBIO  | Quando a Arte é Genial


Para quem tem interesse em saber por que algumas obras de arte se destacam bem mais do que as outras, o livro “Quando a arte é genial “ é uma ótima opção de leitura! A publicação de Andy Pankhurst e Lucinda Hawksley reúne uma seleção de 80 pinturas e esculturas extraordinárias do mundo todo e de várias épocas, analisando exatamente o que as torna tão especiais.


VITROLA | Zeca Baleiro – Chão de Giz


A nossa Vitrola está de furar o disco “Zeca Baleiro Canta Zé Ramalho”. Lançado recentemente, o CD apresenta releitura da obra Zé Ramalho, que dispensa comentários. O mais recente trabalho de Zeca Baleiro traz 17 faixas mais 4 faixas extras que refletem toda musicalidade do cantor que reinterpreta composições atemporais como “Taxi Lunar”, “Admirável Gado Novo” e “Chão de Giz”, revivendo, através delas, a personalidade marcante de Zé Ramalho.


Espia | João Facchinetti em preto e branco


Nossa sessão “Espia” estreia com uma imagem capturada pelas lentes do médico-fotografo João Facchinetti.  Sua fotografia é predominantemente em preto e branco. O motivo, segundo ele, é bastante pessoal e particular. “Você tem que desenvolver um olhar para o preto e branco, abstrair-se um pouco das cores para conseguir organizar o espaço fotográfico dentro dessa percepção”.



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Aqui Acolá com nova identidade visual


Iranei Barreto

20/03/2016 11h51

Para comemorar o primeiro ano de atuação do blog Aqui Acolá, nossa marca foi repaginada pelo publicitário Joenne Mesquita e a inspiração veio da escritora Muniz. E não para por aí, a partir de abril, data em que comemoramos nosso aniversário, teremos a cada mês a intervenção de um artista na nossa logo. O artista plástico Persivaldo Figueirôa será o primeiro a imprimir o seu trabalho no nosso logotipo. Já estão confirmados também Lenny Lima, Pedro Cabral, Lula Nogueira, Sergio Vasco, Levy Paz, o pernambucano Clovis Teodorico, e o estreante Fernando Mendonça.O Blog Aqui Acolá surgiu em abril de 2015, com a proposta de abordar temáticas relacionadas ao universo cultural e criativo daqui e de acolá. Inicialmente a equipe era composta por mim, Iranei Barreto, com a colaboração do jornalista Isaac Neves (fotografia e vídeo). Este ano, ganhamos novos colaboradores! Agora contamos também com os textos de Nicollas Serafim, e ao logo do ano promoveremos algumas ações e discussões com o apoio dos RPs Audrey Trevas e Rose Damas; e nossas redes sociais ganharão layout do publicitário Joenne Mesquita.Além do blog, que poderá ser conferido no endereço eletrônico: http://aquiacola.net,  também estamos na internet com perfis no Facebook, Instagram, Flickr, Youtube e Twiter; e assinamos esta coluna no Jornal de Arapiraca.

Sessão Pipoca  |  Maceió e seus EnCantos

Nossa Sessão Pipoca desta semana é um achado da internet, e veio do universo acadêmico, trata-se do projeto de extensão “Maceió e seus EnCantos”, voltado à divulgação e a manutenção da história do tradicional bairro de Jaraguá, destacando seus aspectos culturais, políticos, econômicos e artísticos. O perfil no Youtube traz depoimentos do cineasta Pedro da Rocha, do atual presidente da FEMAC, Vinicius Palmeira; do jornalista Luís Vilar, do ex-secretário e também jornalista Guilherme Lamenha, dentre outros.

Artes Visuais |Hipátia de Alexandria e a Mulher das Alagoas

O Parque Shopping recebe até 31 de março a exposição “Hipátia de Alexandria e a Mulher das Alagoas”, do fotógrafo Jorge Fernando Vieira, com 18 retratos de mulheres de grande atuação nas mais diversas áreas. Entres as homenageadas estão à psicóloga Fátima Calegari, a museóloga Carmem Lúcia Dantas, a jornalista Nide Lins, a artesã Dona Irineia, dentre outras. A homenagem é inspirada na história da filósofa e matemática grega Hipátia de Alexandria, nascida no Egito e morta por fanáticos cristãos no ano 415 D.C.

#ficaadica | Pinacoteca Universitária

Nosso #FicaaDica desta semana vai para os perfis do Instagram e Facebook da Pinacoteca Universitária da Ufal.  Dinâmicos, trazem informações atualizadas sobre a exposição em cartaz; semanalmente postam frases de grandes nomes da nossa literatura, além da série “Voltando no Tempo”, recordando mostras que já estiveram em cartaz. O que também chama a atenção é a identidade visual.

Sessão Vitrola | Criolo “Convoque seu Buda”

Nossa Vitrola desta semana reflete sobre o trabalho de Criolo, com destaque para o terceiro álbum de sua carreira “Convoque seu Buda”. O disco conta com 10 faixas produzidas pelo duo Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral. Criolo surpreende pela originalidade, o bairro Grajaú, eternizado em suas canções, e o caos da grande São Paulo são combustíveis para suas letras. O Álbum está disponível para download no site do artista:  http://www.criolo.net.

Alfarrábio | Grandes Mestres

Para quem quer conhecer um pouco mais sobre história da arte, a coleção “Grandes Mestres da Pintura” é uma ótima oportunidade. Lançados em 2007, pela Folha, a coleção conta a evolução da pintura dos últimos 500 anos, através dos pintores mais representativos deste período. Os livros são divididos em cinco partes: Abertura; O Pintor e Sua Época; Biografia; Galeria; Informação Prática. A Coleção traz livros sobre Van Gogh, Cézanne, Leonardo da Vinci, Monet, Goya, Picasso, Velázquez, Matisse, Michelangelo, Gauguin, Miró, Caravaggio, Dalí, Delacroix, Munch, Renoir, Rembrandt, Kandinsky, Degas, Klimt. As obras podem ser adquiridas em sebos e livrarias.



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Coluna Aqui Acolá


Iranei Barreto
Fonte: Iranei Barreto

14/03/2016 10h23

Os alagoanos têm até 31 de março para conferir a exposição fotográfica da National Geographic, intitulada “Real People, Real Places, Real Fauna”, que visita pela primeira vez a capital alagoana, trazendo imagens que retratam paisagens, vida silvestre, pessoas fascinantes e lugares pitorescos.   A mostra pode ser vista de segunda a sexta das 8h às 18h; nas quartas-feiras das 8h às 20horas,  no Complexo Cultural Teatro Deodoro.A exposição é uma parceria entre a Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal) e a Cengage Learning, editora responsável pelas publicações escolares da National Geographic Learning, e já percorreu vários países e estados brasileiros.A iniciativa visa estimular a reflexão sobre a criação fotográfica, oferecendo imagens incríveis, desvendadas pelos olhares de cada profissional.  Renomados nomes da fotografia mundial como Thomas Abercrombie, Chris Johns, Michael Nichols e Don Taylor estão presentes na exposição que apresenta traços culturais, belezas naturais e fauna de diversas nações. As imagens estão impressas em painéis de 1,80m de altura, cada um contendo duas fotos. A mostra é aberta ao público em geral e tem entrada franca. Quem for visitar a exposição vai participar de sorteios de brindes oferecidos pela organização do evento.

Sessão Pipoca  |  Garota Dinamarquesa 

Depois de um tempo longe da Sétima Arte cá estamos nós dedicando e pedido uma atenção especial para o filme “A garota dinamarquesa”, de Tom Hooper, que inclusive conquistou a estatueta do Oscar de melhor atriz coadjuvante para a atriz sueca Alicia Vikander. Baseado no livro de David Ebershoff, a película conta a marcante e inspiradora história de Lili Elbe (Eddie Redmayne), que nasceu Einar Mogens Wegener e foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. A trama fala ainda do relacionamento amoroso do pintor dinamarquês com Gerda (Alicia Vikander) e sua descoberta como mulher.

#ficaadica | Delson Uchoa 

A estreia da nossa sessão #ficaadica vai para os fãs das artes visuais. O artista alagoano Delson Uchoa tem um perfil no Instagram onde ele posta muitas das obras dele e também nos atualiza sobre as exposições e eventos culturais que ele participa. Então, quem é fã de Delson e de arte contemporânea não pode deixar de acompanhar o perfil do alagoano, que é atualizado diariamente.

Sessão Vitrola | Tulipa Ruiz 

A nossa vitrola não para de tocar “Dancê”, o mais recente álbum de Tulipa Ruiz. O disco, lançado em 2015, traz 11 músicas autorais, assinadas pela cantora e compositora paulistana, com produção de seu irmão, Gustavo Ruiz e parceria com seu pai, o guitarrista Luiz Chagas, além de parceiros ocasionais. O disco apresenta uma Ruiz mais dançante, apontando novos horizontes e estrema sofisticação.

Artes Visuais |Circuito II 

A nossa vitrola não para de tocar “Dancê”, o mais recente álbum de Tulipa Ruiz. O disco, lançado em 2015, traz 11 músicas autorais, assinadas pela cantora e compositora paulistana, com produção de seu irmão, Gustavo Ruiz e parceria com seu pai, o guitarrista Luiz Chagas, além de parceiros ocasionais. O disco apresenta uma Ruiz mais dançante, apontando novos horizontes e estrema sofisticação.



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