Léo Villanova e a vida através das imagens


Iranei Barreto

26/06/2016 14h01

Quase toda criança passa por uma fase onde o desenho é a forma mais completa de expressão de seus desejos e sentimentos. Para Léo Villanova, essa fase nunca passou e o ato de transpor seus pensamentos e ideias para o papel se tornou algo comum, do dia a dia. Com o desenho, a fotografia, a charge e os quadrinhos se revezando em sua cabeça e em seus papeis, ele vai contando histórias de vida, ao mesmo tempo em que constrói a sua própria.

Com a profissão de publicitário, a arte foi ganhando cada vez mais espaço em sua vida. Além disso, ele é formado em Jornalismo e estudou Arquitetura. Todos esses campos de conhecimento convergiram e influenciaram-no a desenvolver seus trabalhos, tanto em desenho como em fotografia.

A verdade é que Léo gosta mesmo é de contar histórias através das imagens. Seus trabalhos fotográficos possuem um forte lado documental, ligado fundamentalmente ao Fotojornalismo. Suas fotos têm por objetivo narrar um fato, um acontecimento, uma cultura. “Quando viajo para fotografar procuro sair do lugar comum e me incluir em pequenos universos”, diz ele. “Uso a fotografia para mostrar lugares e pessoas que a grande maioria dificilmente irão conhecer. Eu procuro lugares onde quase todo mundo têm algum tipo de preconceito”.

Nessas andanças fotográficas, já visitou mais de 30 países, incluindo Argentina, Áustria, Cuba, República Tcheca, Cairo, Egito, Hungria, dentre outros. Esteve presente em países do Oriente Médio no histórico período da Primavera Árabe e, segundo ele, foi sua melhor experiência como fotógrafo. Seus registros já compuseram algumas exposições e publicações, entre revistas e jornais. Atualmente, algumas de suas fotos retratando a retirada dos moradores da Vila dos Pescadores, em Jaraguá podem ser conferidas na 1ª Mostra de Fotojornalismo e Vídeo de Alagoas, em cartaz no Museu Palácio Floriano Peixoto (Mupa).

A charge é outra faceta dos desenhos de Léo. Sua primeira colaboração em jornais do estado aconteceu quando ele ainda tinha 12 anos. Passou por veículos como o Jornal de Alagoas e Tribuna Independente, e publicações nacionais como O Pasquim e a revista Bundas. E hoje é chargista diário da Gazeta de Alagoas, desde 2015.

Léo Villanova começou, em 2014, um projeto de retratar, em desenho, os cenários e as ruas da Maceió do século 20. Os desenhos partiram de uma inquietação em perpetuar, por mais tempo, a memória imagética da cidade de Maceió no século passado. “Há uns dois anos começaram a aparecer, na Internet, muitas fotografias antigas da cidade e surgiu aquele surto de nostalgia, de como Maceió era linda. Desde a época da faculdade de Arquitetura, eu sempre me interessei pelo patrimônio histórico arquitetônico da cidade, e a forma mais elementar que eu encontrei de recuperar isso foi através do desenho”.

Ele começou um trabalho de pesquisa em acervos pessoais, museus e institutos, aliada à literatura que falava da cidade até a metade do século 20. Essa junção de relatos escritos e visuais deram base para que ele iniciasse a produção dos desenhos. “O interessante é que essas fotos antigas, geralmente eram tiradas aos domingos onde não havia ninguém na rua. Então a pesquisa também incluiu vestuário e os veículos que existiam na época para o desenho mostrasse a rua viva”. Os trabalhos ficaram expostos na Galeria Gamma, de 27 de maio a 18 de junho como parte da exposição ALas, e chamaram bastante atenção do público.

Além disso, Léo Villanova tem um projeto em parceria com o jornalista, amigo e também desenhista Enio Lins. A ideia é contar, numa história em quadrinhos, o emblemático episódio do impeachment do governador Muniz Falcão, em 1957, que envolveu tiros e até morte dentro da Assembleia Legislativa de Alagoas.

“Também tenho um documentário em vídeo, já roteirizado para trabalhar junto com dois amigos, Ricardo Ledo e Janayna Ávila. É um campo novo, que nunca tinha me despertado a atenção, mas me deixou muito interessado”, afirma.

Com talento, coragem e vontade, Léo Villanova continua sua rotina de conceber ideias, esboçar rascunhos e retratar o mundo a seu olhar. Seja com a caneta na mão ou a câmera no pescoço, ele carrega sempre em seus olhos a luz da curiosidade em encontrar e contar histórias do mundo.

* Texto de Nicollas Serafim - colaborador do blog Aqui Acolá 

** Os trabalhos de Léo Villanova poderão ser encontrados no site do artista: www.leovillanova.net



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