Suel Cordeiro – A pintura grudada na pele


Iranei Barreto

22/09/2017 12h58

 

Nascido em Palmeira dos Índios, mas adepto da cultura e folclore sertanejos onde oindivíduo pertence a terra onde seu umbigo foi enterrado, o artista visual SuelCordeiro tornou-se filho de Santana do Ipanema, berço do sertão alagoano. Aos seteanos, mudou os ares interioranos e veio morar em Maceió. Através dos quadrinhos,desenvolveu seu gosto pelas artes. Somado a isso, com influências que vão desde orock, Salvador Dalí até o grafite, Suel tornou-se um dos mais importantes artistascontemporâneos de Alagoas. Ele o é artista homenageado de setembro do Aqui Acolá

Outra grande influência de seu trabalho são as capas de discos, principalmente os derock ‘n’ roll. “Um dos caras que eu mais gosto, o H. R. Giger, criador do Alien, fezdezenas de capas de CD. Quanto ao lance mais soturno ele é um dos artistas que maisadmiro”, comenta ele. “No que diz respeito à pintura mais convencional e acadêmica,apesar de eu ser um autodidata e nunca ter freqüentado academia, um dos grandesmestres é Salvador Dalí. Mas também curto os impressionistas e expressionistas”. Aarte pop (“não só Andy Warhol”) também está presente no trabalho de Suel. “É bemdifícil dizer o que eu gosto, porque eu gosto de tudo”, diz ele. “Uma coisa que não façoé repetição, essa coisa de criar estilo.”.

Ele conta que começou de maneira bem artesanal, pintando camisas para os amigos.“Cheguei ainda a trabalhar em feirinhas na Pajuçara e no antigo Cheiro da Terra (ouCheiro das Trevas)”, brinca. “Montei uma banquinha e era só desilusão porque eu faziaumas camisas massas, uns Wolverines irados e os turistas só pediam pra eu desenharMinnie e Mickey”, lembra.

Sua carreira começou a tomar projeção na cidade quando foi descoberto pelaarquitetura. “Fiz uma camisa com um Bob Marley pra uma ex-namorada e elatrabalhava num escritório de arquitetos. O pessoal gostou e acabei pintando umaparede lá e a coisa foi ficando mais fácil”. Além do rock, Suel também tem influênciasda cultura hip hop, o que o fez utilizar o grafite em seus trabalhos. “Também gostomuito de tinta acrílica, mas hoje a demanda do grafite em painéis e paredes está emalta”. Em sua primeira exposição individual ele lembra que tinha trabalhos de todos osestilos. “Tinha releituras de obras antigas de Van Gogh, pedacinhos de tecnologiasdesmanteladas e coladas na tela. Eu não tinha foco, chutei pra todo lado”, afirma.“Algum tempo depois um grande incentivador meu, o Delson Uchôa, visitou outraexposição que fiz onde eu coloquei um tema. Aí ele me disse – agora sim vocêencontrou algo seu, achou um foco”. Contudo, Suel não é adepto das repetições e sempre procura fazer algo diferente paraseu próximo trabalho. “Isso acaba virando um grande drama para o artistacontemporâneo: tentar ser original. Hoje em dia, tudo já foi feito”.

Uma das pessoas mais importantes para a construção do trabalho de Suel é CarolGusmão. “Ela é minha curadora, esposa, incentivadora, musa inspiradora há 19 anos.Eu só faço mais arte por influência dela”, declara. Ao todo foram seis mostras individuais e várias coletivas. Seus planos para o ano quevem incluem uma exposição que vai se chamar Alter Ego. Para a sua intervenção nalogomarca do blog Aqui Acolá, Suel confessa que a ideia é trazer aspectos e elementosmarinhos, símbolos da beleza e da identidade alagoana. “Mesmo com a ideia definida,tudo pode acontecer. Durante o processo de criação é que as coisas acontecem”, dizele.



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