E a Acala, por onde andas?


Janu

07/04/2017 14h14

Arapiraca vive um momento neutro na literatura - ou melhor dizendo no incentivo dela. Uma cidade próspera para todo tipo de arte, com vários lançamentos recentes - como “Quanto Tanto” da Marta Eugênia e o “Meio Chá de Pólvora” do Breno Airan. Sem falar de outras novidades que vem acontecendo.


Numa era onde a comunicação visual e escrita toma proporções sem precedentes, o ato de escrever também tem aumentado - observando do post fantástico em algum blog a um textão político algumas vezes bem aproveitado no facebook. E uma das entidades que mais poderiam acompanhar essa revolução da escrita, podendo contribuir com concursos e projetos que somassem, continua de braços cruzados mantendo a pompa de ‘distribuir’ cadeiras a alguns imortais que fizeram uns livros de auto ajuda.

Um pouco da história

A ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes), em sua teoria, é uma ideia bonita de agregação cultural tendo como seu criador Antônio Machado Neto que seguia o ditos do imortal Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Em meados de 1985 ele sonhou, imaginou um órgão cultural que viesse juntar, agregar, aglutinar um grupo de escritores, que tivessem livros escritos e até publicados, mas que não pertencessem a nenhum órgão ou academia. E esse ideal foi se avolumando. Antônio visitou cidades, procurando pessoas ligadas a escrever a Cultura. Dinheiro pouco no bolso, tinha que viajar às próprias custas, professor humilde que era. Foi a Santana do Ipanema/AL, convidou o prof.º Clerisvaldo Chagas e o Major Darcy Araújo, em Cacimbinhas/AL, convidou Geovan Benjoino em Pão de Açúcar/AL, encontrou o poeta Erivaldo Vieira, o Profº Oliveiros Nunes Barbosa, que por sua vez convidou o pesquisador Zezito Guedes, Rosendo Correia de Macedo, Carlindo de Lira, João Gomes de Oliveira, e outros que foram chegando.

“Que matuto ousado este, que sertanejo idiota idealizar uma Academia de Letras”, teria dito alguém, mas se isto ocorreu, não arrefeceu os ideais, pelo contrário, tornaram-os mais fortes e coesos. Em 1986 estavam reunidos  e precisavam de espaços. Então o escritor Zezito Guedes conseguiu uma sala na Biblioteca Municipal Profº Pedro de França Reys, hoje também, Casa da Cultura.

E numa manhã fria de um domingo de setembro, se reuniram pela 1.ª vez.

Como nome foi escolhido “Academia Arapiraquense de Filosofia, Ciências e Letras”, na mesma ocasião foi escolhido o 1º presidente, recaindo a escolha sobre o nome do profº Oliveiros Nunes tendo como Vice-Presidente o Major Darcy de Araújo Melo, in memoriam.

Timidamente, galgaram espaços na sociedade, e finalmente no dia 14 de junho de 1987, oficializou-se a “Academia Arapiraquense de Filosofia, Ciências e Letras”, sem alarde, sem coquetel, mas com muita alegria, com um objetivo precípuo da vanguarda cultural.

Em seus primeiros passos tiveram fracassos, dissabores, dúvidas, discussões. Mas tudo isso foram sementes que ajudaram a crescer, não importando quantos passos foram dados errados e sim o que foi aprendido com isso. O professor Antônio tinha sempre que viajar mais 80 quilômetros para participar das reuniões, e era um dos mais assíduos.

Ninguém é melhor que todos juntos

A história da Cultura de um povo precisa ser preservada, resgatada para a posteridade.

Historicamente, as academias pelo mundo afora estão ligadas a grandes sonhos de ilustres, registre-se a Academia Francesa, fundada em 1635, pelo 1.º Ministro do Rei Luís XIII, o Cardeal-Duque de Richelieu, e que, posteriormente, no dia 20 de julho de 1897, foi fundada a ABL (Academia Brasileira de Letras), idealizada pelo eminente escritor Machado de Assis, que se constitui seu 1.º presidente, moldado nos ideais da Academia Francesa, e em 1.º de novembro de 1919 foi criada a Academia Alagoana de Letras, tendo como 1.º presidente o prof.º Moreira e Silva. E anos mais tarde, um grupo de intelectuais criou a Academia Maceioense de Letras no dia 11 de agosto de 1955, tendo como 1.º presidente o jornalista Augusto Vaz Filho.

Mesmo com tantas dificuldades a ACALA quase engatou com alguns concursos literários e lançamentos duvidosos. Hoje, com um prédio muito bonito, mas sem funcionamento prático, continuamos sem enxergar o que de tão notório essa, que um dia já fora tão promissora Academia, atualmente com a faca e queijo na mão, tornou-se tão obtusa e sem significativos trabalhos que apoiassem o fazer literário ou a incursão dos jovens, que até já possuem livros, vale lembrar que livros bons, publicados, nas sessões ordinárias ou mesmo com cadeiras.  

Aguardamos o dia que ser intelectual seja mais que garantir um status e a preocupação pelo fazer cultural seja maior que obter regalias.





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EDITAIS ABERTOS!


Janu

01/04/2017 11h19

Como sempre venho aqui informar sobre editais culturais abertos em Alagoas e no Brasil. Dessa vez trago mais alguns:

Imprensa Oficial lança edital para selecionar ilustradores para a Coleção Coco de Roda


A Imprensa Oficial Graciliano Ramos anuncia a abertura de inscrições para o edital que vai selecionar ilustradores para os livros de literatura infantil da Coleção Coco de Roda. O período de inscrição será de 24 de março a 14 de abril.

Os vencedores do edital vão ilustrar os cinco novos livros da série, inaugurada em 2011, e que já conta 21 publicações. Os livros serão lançados na Bienal Internacional do Livro de Alagoas, no final de setembro. Serão selecionados cinco ilustradores (um para cada livro), que receberão um prêmio de R$ 3,5 mil, e uma cota de 2% da primeira tiragem do livro que ilustrar. Os autores dos textos também foram escolhidos por edital, em agosto de 2016.

A iniciativa visa também prestigiar os ilustradores nascidos em Alagoas ou radicados no Estado, condição básica para se habilitar ao edital. Leia na íntegra o conteúdo do edital no endereço: http://www.imprensaoficialal.com.br/editalilustra2017/

Secult lança edital para registro de dois novos mestres do Patrimônio Vivo

A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) lançou um novo edital de inscrição para o Livro de Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas, disponível no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (22). Nesta edição, serão preenchidas duas vagas destinadas para representantes da cultura popular do Estado. As inscrições seguem até o dia 20 de abril.

O edital reconhecerá como Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas mestre e mestras que detenham os conhecimentos ou as técnicas necessárias para a produção e para a preservação de aspectos da cultura tradicional ou popular de uma comunidade estabelecida em Alagoas nas áreas de danças e folguedos da cultura popular, literatura oral e/ou escrita, gastronomia, música, artes cênicas, artesanato, dentre outras.

"Os mestre do Patrimônio Vivo são de suma importância para a conservação da história cultural de Alagoas. A transmissão de conhecimentos e costumes não deve acabar, pois a identidade cultural de um povo é uma das suas maiores riquezas", ressalta a titular da pasta Mellina Freitas.

Será considerado apto a receber o registro de Patrimônio Vivo brasileiro residente em Alagoas há 20 anos, que tenha participação comprovada em atividades culturais no mesmo período e esteja capacitado a transmitir seus conhecimentos ou suas técnicas à sociedade, de forma presencial ou por intermédio dos mais diversos meios de comunicação.

Uma comissão especial composta por cinco representantes de entidades relacionadas à cultura irá analisar e avaliar os candidatos, segundo os critérios de sustentabilidade cultural, currículo do participante, reconhecimento na sua comunidade e por outros segmentos como transmissor e fomentador desse saber e cultura dos povos tradicionais (indígenas e/ou quilombolas).

Os candidatos devem se inscrever através de um formulário padrão disponível no portal da Secretaria de Estado da Cultura, através do endereço eletrônico www.cultural.al.gov.br e entregá-lo devidamente preenchido no setor de Protocolo da Secult, de segunda-feira a quinta-feira das 09h às 13h, e na sexta-feira das 9h às 12h.



Semana Graciliano Ramos traz vida e obra do mestre literato para os alagoanos


As comemorações que marcam os 200 anos de emancipação política de Alagoas não param. Ações de preservação da identidade e memória dos alagoanos serão pauta de atividades durante a Semana Graciliano Ramos, que acontece de 20 a 24 de março, nos municípios de Palmeira dos Índios, Viçosa, Quebrangulo e Maceió. As atividades farão alusão à vida e obra do escritor alagoano.

As cidades foram escolhidas como palco do evento, porque fizeram parte da vida de Graciliano Ramos. Para o secretário-chefe do Gabinete Civil e coordenador da Comissão Mista Especial do Bicentenário, Fábio Farias, o Governo do Estado quer marcar as comemorações do Bicentenário.

Peças teatrais, exibição de filmes, e palestras vão contar com riqueza de detalhes a história do escritor que marcou a literatura brasileira com obras que retratam a vida do homem nordestino no sertão.

Graças à vivência no interior de Alagoas, Graciliano conhecia de perto a realidade da vida no sertão, retratando-a em importantes obras, como “Vidas Secas” e “São Bernardo”.

A programação também contará com a presença de Ricardo Ramos, filho de Mestre Graça, e do diretor de cinema, roteirista, produtor e ator Ney Sant’Anna.

Confira no site http://www.cultura.al.gov.br a programação completa da Semana Graciliano em Alagoas.
Inscrições abertas para o 3º Salão de Arte Contemporânea de Alagoas

Artistas visuais nas áreas de pintura, gravura, fotografia, grafite, desenho, escultura, design, instalação, colagens e vídeo arte já podem se inscrever para expor seus trabalhos no III Salão Nacional de Arte Contemporânea de Alagoas. Ao todo, serão selecionados sessenta artistas, entre participantes e convidados. As inscrições estão abertas até o dia 17 de abril.

Poderão se inscrever artistas brasileiros e estrangeiros, legalmente residentes, com idade igual ou superior a 18 anos, que tenham participado de, no mínimo, três exposições coletivas e uma individual.

As propostas devem ser encaminhadas pelo Correio ou entregues na Galeria do Complexo Cultural Teatro Deodoro, localizado na Praça Marechal Deodoro, no centro de Maceió.




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CIRCO TEATRO BIRIBINHA


Janu

29/03/2017 16h13

No dia 24 de março, Arapiraca viu o renascimento de um segmento artístico, ausente no Nordeste, e que não vai desgastar tão cedo: o Circo Teatro. E melhor, capitaneado pelo mestre Biribinha.Localizado na frente do Ginásio João Paulo II, várias apresentações serão encenadas na lona montada com suor e brilho.O Circo Teatro surgiu no Brasil na primeira década do século XX, com a introdução de peças na parte final das apresentações. Este gênero teatral se tornou muito popular no país neste período e tornou-se um dos mais importantes veículos de difusão da arte teatral em lugares não alcançados pelas companhias convencionais de teatro das grandes cidades. O repertório em geral era formado por melodramas, comédias, musical, etc... Dentre as companhias circenses que levavam este tipo de espetáculo, destacamos a Família Silveira, com um elenco formado basicamente pela família. Tinham no Circo Mágico Nelson o seu espaço de trabalho. Esta trupe tradicional ficou famosa por seu trabalho esmerado e realista de clássicos do drama como O Ébrio, Coração Materno, Ferro em Brasa, Maconha, o Cigarro do Diabo, entre outros. Até os dias atuais não é raro encontrar espectadores que assistiram a estes espetáculos relembrando, saudosos, as emoções vividas naquelas noites debaixo da lona.Hoje o Circo Teatro está reduzido a algumas companhias circenses que atuam no sul e sudeste do Brasil, e agora numa ação inédita no nordeste, a Companhia Teatral Turma do Biribinha traz a Arapiraca o projeto de resgate do Circo Teatro. Serão realizadas montagens clássicas com nova roupagem, mas sem perder a essência circense e teatral e respeitando completamente a dinâmica do circo teatro. O Projeto tem a frente Teófanes Silveira, o Palhaço Biribinha que tem 59 anos de profissão e traz toda a sua experiência no circo teatro que foi sua escola.



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A Playboy e o “nu normal”


Janu
Fonte: Cabeça do Janu / Documentário 'Como a Playboy mudou o mundo'.

15/02/2017 04h00

Fundada em 1953, na boa época dos ternos, cadillacs e charutos, a Playboy, no finzinho de 2015, decidiu parar de publicar fotografias de mulheres nuas, alegando que elas se tornaram ultrapassadas por conta da grande quantidade de pornografia grátis na internet - onde sites como o Xvideos tomaram a atenção dos apreciadores do voyeurismo (ou milhares de outros que liguem duas ou mais palavras chaves safadinhas que resultem em um fetiche estranho como suruba de velinhas, cachorros com asiáticas ou esposa “traindo” com o corno filmando - que geraria outro debate, quando se pensa que se ele está filmando, então é algo consentido, não é bem uma traição, certo? Ok, mas esse papo de corno online tá fugindo do assunto.

(Sarah McDaniel, modelo capa da primeira Playboy sem nu, em 2016) 

Tudo tem um início.

A Playboy surgiu com a proposta que durante tanto tempo era sua marca: glamour. Nessa época não existia uma revista centrada no gosto do bom homem dos anos 50. Haviam publicações sobre ternos, publicações sobre cadillacs e publicações sobre charutos - mas nenhuma que juntasse tudo isso e mais uma coisa que era de interesse da maioria dos homens: mulheres. E pra ser de combo: nuas.

Foi com essa prerrogativa que o jovem Hugh Hefner, com seus 27 anos, imaginou uma publicação perfeitamente voltada aos jovens adultos masculinos que revolucionou o universo das revistas. Arrumou 500 dólares emprestado e pagou pelos direitos de fotografias que a deusa Marilyn Monroe havia feito para um calendário no início da sua carreira. Arthur Paul foi o artista responsável pela brilhante logo em formato de coelhinho que hoje é moda em tatuagens de virilhas, ombros e cóx.


A deusa Marilyn Monroe foi a primeira capa da Playboy.

E então tudo começou. Em pouco tempo se espalhou pelo mundo. Um material bem feito, repleto de boas informações e pode-se até dizer que foi a verdadeira culpada dos jovens que a tiveram  passarem tanto tempo no banheiro - pois a Playboy não era uma como uma Sexy, que você levava pro “banho” e acabava o serviço em 7 minutos. Com a Playboy tu ia pro banheiro doido pra salientar as fotos da Feiticeira e 28 minutos depois estava lá com o dito cujo em repouso na mão, lendo sobre modelos de mesas de sinuca e doido pra ler as piadas no final da revista.

Complexo da caretice.

Nesses bons tempos de caretice e conservadorismo da década de 10 do século XXI, a circulação da revista caiu de 5,6 milhões em 1975 para cerca de 800 000 nos anos recentes e  também virou alvo de críticas de mulheres, que pedem o fim de uma prática que muitos veem como ofensiva e degradante. Influenciou diretamente no Brasil que parou de publicar a revista no final de 2015 e só voltou em abril de 2016.


Todo período de transição é situado numa briga de extremos e o ponto onde se encontram é onde resultará o futuro que vivemos. Eu pessoalmente sempre achei uma grande forma de Woman Power existir uma revista onde mulheres empoderadas e donas de si, muito bem pagas em sua maioria, se exibiam de forma artística - nas capas do Brasil só as vezes, e principalmente menos quando ex-bbb´s passaram a ser figurinhas marcadas e sem muito hype ou novidade.


Talvez a transformação total aconteça quando algum CEO da empresa entenda uma coisa: a playboy não é mais uma revista só para homens. Em 2017, um ano depois de “cancelar o nu por ele estar banal”, ela volta com a campanha “nu é normal” - e dessa vez apostando um pouco mais no amadorismo bem feito, deixando o photoshop um pouco de lado, numa linda capa com a modelo Elizabeth Elam.

           Elizabeth Elam - Capa de março/abril 2017.

 

O futuro que já é presente


E se ela, a empresa, se basear nas “pesquisas” online, como exemplo do Brasil que é o país que mais procura “trans” no site RedTube (e eu tenho uma leve intuição que 70% destes são aqueles que bestificam publicamente a opção sexual de cada um, virando um machão pós-gozo ao assistir um vídeo shemale) e lance uma capa como a francesa Vogue, com a modelo trans cearense Valentina Sampaio que vem sendo muito bem comentada no mundo.

(Valetina Sampaio, cearense e primeira modelo trans na capa da Vougue)


Aos trancos e barrancos vamos nos acostumando ao novo mundo, onde os pudores vão sendo quebrados e os tabus minimizados. E pelo jeito que as coisas andam, que esse novo mundo se ajeite logo.



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Mundinho fechado


Janu
Fonte: Mãe Internet

26/01/2017 18h16

                                                55% dos brasileiros acham que a internet é o facebook

Em tempos de meme, pulo do gato que é call to action e uma sociedade altamente estudada em ciência política (só que não), a maioria dos brasileiros - cinquenta e cinco por cento - realmente acha que toda a Internet, mãe rainha do conhecimento compartilhado, se resume apenas no Facebook.com. É isso mesmo que estamos lendo, pra todas elas a internet é o facebook. 


Também pudera, uma vez que grande parte das pessoas, hoje, formam toda sua opinão e posicionamento de um ser essencialmente político através de títulos de matérias que cachoeiram na sua timeline - quando não se importam nem de saber se o foi o Sensacionalista ou não que postou sobre golfinhos voadores em Coité do Nóia - AL.

uiuiui

Que o Facebook é grande, todo mundo sabe. Mas 55% dos brasileiros consideram que não há NADA na internet além do Facebook (no páreo: Nigéria, Indonésia e Índia, onde as porcentagens de pessoas que concordaram foram 65%, 63% e 58%, respectivamente. Nos EUA, o índice foi de apenas 5%). Não é dando uma de “síndrome do vira-lata”, mas isso explica muita coisa sobre o atual extremismo cego que não só ronda, como faz parte intrínseca da nossa sociedade dividida por não sei quem.

A pesquisa da Quartz divulgada como parte do relatório "Internet Health Report v0.1", da Mozilla, pedia que as pessoas respondessem a questão: "Você concorda com a afirmação seguinte: o Facebook é a internet?". O Brasil foi um dos países nos quais a taxa de respostas positivas foi uma das maiores: 55% dos brasileiros concordaram. O ó.

Sdds myspace.

Eu com meus vinte e oito, sou de uma geração que fica ressentida com isso: vimos todo o processo de nascimento da internet social. Seja dos perrengues esperando dar meia noite para “acessar” (quem porra fala acessar hoje?) aos tempos idos do IRC, ICQ, MSN e demais entidades que tivessem suas três letras e alguns internautas escutassem (muito, coitados) Limp Bizkit, Slipknot ou Linkin Park.

Possuíam todas as raízes e influências de redes e aplicativos usadas atualmente -  algumas tinham até que se entender um pouco sobre programação para executar. Desse tempo bom onde jovens se masturbavam com gifs animados e que o negão da piroca do WhatsApp já existia há tempos e se chamava Motumbo. Era um powerpoint em espanhol com el título “La Historia de Motumbo” que circulava nos emails. Você passava os slides de um por um e lá pelo décimo - pá! - um negão com a benga de fora que praticamente batia na tua testa -  dizem os homo sapiens que era o tempo das primeiras formas de ‘viralização’.

tô ligado que tu vai me procurar no google 

O Blog tá aí até hoje

O instagram era o fotolog (a gente tinha sorte que a média de fotos por dia era só de uma - podia mais quem tinha Gold). No tempo: cabelo, foto de cima, depressão - hoje espelho, comida, tudo é lindo. E o orkut, bem o orkut… - um lugar onde frases de efeitos do tipo “Mulher não se pega, se conquista!”, “Sou legal, ñ tô te dando mole” e “Não fui eu, foi meu Eu lírico” juntaram milhões de usuários em comunidades onde a inclusão digital não se preocupou nenhum pouco com bom senso. Br é Br.

Em outras partes da pesquisa, a Mozilla também aponta para casos um tanto quanto óbvios de monopólio da mãe internet. Por exemplo, o Google nosso de cada dia: a empresa é responsável por mais de 75% das pesquisas feitas na internet, e por 95,9% das pesquisas feitas de smartphones. Isso dá à empresa a velha vantagem (pulo o gato) na hora de vender publicidade online com base nos gostos das pessoas, que devem nem saber da existência de uma internet profunda (assunto pra depois).


O Facebook é outro enorme concentrador da internet, segundo o relatório. Além de ser a rede social com maior número de usuários no mundo (com 1,7 bilhão e subindo), a empresa também é dona das outras duas redes sociais que compõem o pódio: WhatsApp e Messenger, com 1 bilhão cada; uma influência desproporcional sobre o que as pessoas veem e fazem online - uma luneta direcionada na tecno-existencialidade?

Em algum tempo virão outras redes substituindo o face e ficando velha, depois lhe dando o status de cult - ou talvez as táticas e surpresas do Zuckerberg possam perdurar por mais alguns anos. Enquanto não tenho a resposta, fico aqui olhando aquele site maroto que sempre visitei para refletir um pouco sobre a vida:

http://www.pudim.com.br/

 

o pudim.



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Laércio, o poeta tecno matuto


Janu

01/04/2016 17h39

No dia 19 de Dezembro de 2014, Laércio Moreno lançava seu CD de poesia matuta na Escola de Belas Artes de Arapiraca, na qual também era professor de Artes Plásticas ­ artista dinâmico que é. Lembro do dia, pois fui (e lembrei exatamente porque pesquisei na internet, oras). Na plateia, pouca gente e a ausência comum da cena ‘vanguardista’ de Arapiraca que praticamente nunca aparece nos eventos/lançamentos uns dos outros.

Principalmente se tratando de um dos únicos ‘das antigas’ que tem um grande cunho autoral em sua arte.

Laércio é cantor, compositor, artista plástico e um grande declamador de poesia matuta ­ tanto que viu seus vídeos, gravados pelo celular mesmo, tomarem grandes proporções em compartilhamentos no facebook, whats app e sendo “usado” em canais do youtube de terceiros. Gente de todo canto vive pedindo músicas, alôs e declamações desse matuto interligado nas redes. Batemos um papo sobre esse momento, reconhecimento e curiosidades. Saca só:

 
Janu ­ Como tu se sente com essa repercussão grande e silenciosa ao mesmo tempo?

Já vi alguns vídeos, muitos com milhares de visualizações. Só que tem gente aqui em Arapiraca que não sabe dessa tua arte no meio virtual em contraponto a  MUITA gente de outros estados.

Laércio:­ É isso aí cara. Eu me sinto feliz. Agora que tô sendo descoberto aqui, através dos de fora. Recebo muitos pedidos de música de gente de todo o país, volta e meia gravo um vídeo tocando a música, agradecendo todo o carinho.


Janu: Você faz tudo sozinho? Filmagem, edição, som?

Laércio: Isso mesmo. Sozinho e com o celular.

Janu: Alguém te procura  pra tentar “parcerias” online?

Zapeando alguns vídeos teus no Youtube, vi alguns casos como um “Janilton Jesus” que postou e no final ainda colocou “Uma produção Macaubense Life”, sendo que você quem fez...


Laércio: Aparece uns caras, umas agências, mas tudo com interesse. De subir nas costas, sabe? Ai prefiro continuar só mesmo. Recentemente uma turma do movimento Fora Dilma de Recife queria música ­ só que de graça. Ai complica (risos). Aparece direto. Me colocam em canais do Youtube, pra faturar, também sei disso. Acho bom porque acaba divulgando e através disso eu tenho recebido convites pra ir embora, só que
algumas coisas me prendem aqui. Por enquanto.


Janu: Convites de onde, por exemplo?

Laércio: Do Rio de Janeiro, de Minas, Sampa... Teve até pra Portugal, cara. Foi um convite de um dono de hotel, pra cantar direto em Lisboa. Teve também de uma viúva da Cidade do Cabo, só que acho que ela queria me adotar (risos). Mas se eu for, sei que não voltaria mais. É onde tenho medo. Pense num medo da gota do ar e do mar. Se eu tiver voando e cair na água? Ai fudeu.


Janu :E você recusou o convite da Viúva da Cidade do Cabo? “Viúva da Cidade do Cabo” pode dar em música, hein?

Laércio: Uma música pra ela? Ave maria. O nome dela é Varanda “Sentado numa Varanda na cadeira de balanço, lanço um olhar sobre a lua, na rua que ela anda. (risos) ­ até que dava pra fazer mesmo. Voltando um pouco, Janu, eu não me acho com bagagem. Me acho fraquinho, cara. Componho, não o que desejaria.


Janu: Qué isso, companheiro. Na minha humilde opinião você se garante sim. Tanto que já são vários vídeos com milhares de visualizações no Facebook, compartilhados nos “Zap Zaps”...

Laércio: Bixo, eu já morei muito fora. Quando era casado, com filho pequeno e por precisão. Nessa altura da vida eu não preciso mais. E tem um lance, cara: Eu tenho medo de fama ­ não de ser famoso, o lance é quando o assédio para; vem a depressão. É fogo.


Janu: Medo da fama?

 
Laércio: É. E o medo da fama atrapalha. O fato d ?eu evitar sair pro mundo me faz deixar de faturar uma grana boa. Sei que tenho vídeos como “O Eleitor Sabido” e “Zap Zap”, cada um com quase 200 mil visualizações no facebook ­ tem os que compartilham no Whats App e não dá pra contar. Já tem algumas empresas encomendando comercial, é o que tem gerando a renda específica dessas minhas ações no mundo virtual. A coisa tá andando.



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César Soares Cavernoso/O circo do Palhaço Mixuruca


Janu
Fonte: Janu

20/03/2016 11h44

César Soares Cavernoso

Alagoano de coração, arapiraquense por devoção e pernambucano de nascimento, filho de família simples e humilde e em sua luta constante pelos interesses do cenário artístico musical de Arapiraca­AL, o cantor César Soares está nesse caminho há mais de 25 anos.Com vários CDs e  DVDs gravados, suas apresentações em bailes, festa de casamento, formaturas e shows, sempre acompanhado de uma super banda, coloca toda sua emoção como interprete, indo de Bee Gees a Luiz Gonzaga, fazendo um passeio emocionante pelas décadas de 1960, 70 e 80 e anos atuais, cantando os mais variados estilos musicais.Versátil que nem ele, o artista tem seu grupo de forró “Rabo de Catenga” que, renasce a cada festa junina, fazendo o melhor do forró pé de serra e interpretações espetaculares. Camaleão que é, inquieto e proativo, deságua nessa semana com o show 1a Noite das Cavernosas ­ aquelas músicas que tocam qualquer coração. Com participação de outros grandes artistas como Dira Lino, Jorginho. Dija (Pé de Balcão) e Mário Maia.

SERVIÇO

1º Noite das Cavernosas

Clube dos Fumicultores

19 de Março

O circo do Palhaço Mixuruca

Não só de mega shows é feito o estacionamento do Arapiraca Garden Shopping. Lá também, as vezes, tem arte. E é com essa prerrogativa que o multi artista Teófanes Antônio Leite da Silveira Junior, o ‘Juninho’, traz o seu circo com um espetáculo que transborda teatro e arte circense. “Juininho” já é bem conhecido, começou a se apresentar em 1986, com 6 anos de idade, junto ao seu pai, o palhaço Biribinha. Ao longo dos anos, continuou trabalhando e aperfeiçoando seus talentos, como parte da Companhia Teatral Turma do Biribinha, que se apresenta em programas de TV a nível nacional e nos principais festivais de teatro do Brasil. Além de colecionar vitórias no Se Vira nos 30, ter dançado com a Nakamura no Faustão e ter tirado uma onda no Silvio Santos ­ enfim, o cara é desenrolado.Começou no dia 11 e vai até  24 de Março, no‘precinho’.  A ideia do espetáculo, com alusão ao Dia Mundial do Circo, que foi celebrado no dia 15 de março, é fazer as pessoas refletirem sobre a importância do circo para a cultura local.


SERVIÇO

O Circo do Palhaço Mixuruca

Estacionamento do Arapiraca Garden Shopping

11 até 24 de Março20 h


Valorize os artistas locais!



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Lei da Rua, Né?


Janu
Fonte: Janu Leite

14/03/2016 11h10

Não é de hoje que a gente presencia muitas pessoas horrorizadas com os tipos de projetos que a democrática, ou nem tanto, talvez, Lei Rouanet tem aprovado. Nesse momento o site do Ministério da Cultura  ( www.cultura.gov.br )Criada durante o governo Collor, quem diria ou não por menos, a Lei Federal de Incentivo à Cultura, que mais tarde ficaria conhecida pelo nome do Secretário da Cultura da época, Sérgio Paulo Rouanet, é o principal mecanismo de financiamento e incentivo à cultura do país.

Mas como, Janu?Através de renúncia fiscal, empresas públicas e privadas e pessoas físicas podem patrocinar projetos culturais e receberem o valor em forma de desconto no imposto de renda. Ou seja, os cofres públicos deixam de receber parte daquele dinheiro em troca de um patrocínio cultural, uma forma de “terceirizar” um repasse de recursos federais.

É até simples, na teoria, se não desgastasse tanto com sua burocracia e se não esbarrasse na má vontade dos contadores das empresas, nem no distanciamento e desinteresse das mesmas à essa forma de apoio cultural, em detrimento aos eventos intitulados “mais comerciais” - o que tem atingido todo o Brazyl.

 Para que uma pessoa ou empresa possa doar, o projeto visado precisa antes ser aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC). E é nesse ponto que as coisas se perdem entre diversos casos estranhos de aprovação de valores astronômicos para projetos pífios ou de repasses que acabam sendo uma forma de bancar patrocínio privado com dinheiro público.

Ou de projetos de grande porte que teoricamente não precisariam do auxílio, aprovados pelo Ministério.Vou por aqui apenas alguns casos um tanto quanto sei lá que sempre me fizeram refletir sobre a Lei:

DVD do MC GUIMÊProdução: Maximo Produtora Editora e Gravadora LtdaValor aprovado: R$ 516.550,00Tipo: DVD musicalAno: 2015

Shows Claudia LeitteProdução: Produtora Ciel LTDAValor aprovado: R$ 5.883.100,00Tipo: Shows ao vivoAno: 2013

TURNÊ LUAN SANTANA: NOSSO TEMPO É HOJE PARTE II – R$ 4,1 MILHÕESProdução: L S Music Produções Artísticas Ltda (Luan Santana)Valor aprovado: R$ 4.143.325,00Tipo: Shows ao vivoAno: 2014

Apesar da Lei Rouanet ter sido criada com o intuito de auxiliar artistas menores com pouca visibilidade, na prática as coisas funcionam um pouco diferente.

Em 2014, o Ministério da Cultura aprovou um incentivo de 4,1 milhões para a realização de uma turnê de Luan Santana em diversas cidades do país, dos 4,6 milhões solicitados pela equipe do cantor, que inclusive fez show pras Arapiraca. Entre as justificativas para aprovação, o Ministério alegou “democratizar a cultura” e “difundir raiz sertaneja pela música romântica”. A calça apertada e o cantar chorando também devem ter valido alguma coisa.

Será? O nosso atual Ministro da Cultura Juca Ferreira, declarou em entrevista à Carta Capital: “ - Ela é injusta, provoca concentração, discrimina e não é capaz de se realizar em todo o território brasileiro”. Então já que tá difícil captar o recurso federal, vamos esperar (tem certeza?) nossos trabalhosos vereadores agilizarem a nossa de incentivo municipal. OPS.



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