E a Acala, por onde andas?


Janu

07/04/2017 14h14

Arapiraca vive um momento neutro na literatura - ou melhor dizendo no incentivo dela. Uma cidade próspera para todo tipo de arte, com vários lançamentos recentes - como “Quanto Tanto” da Marta Eugênia e o “Meio Chá de Pólvora” do Breno Airan. Sem falar de outras novidades que vem acontecendo.


Numa era onde a comunicação visual e escrita toma proporções sem precedentes, o ato de escrever também tem aumentado - observando do post fantástico em algum blog a um textão político algumas vezes bem aproveitado no facebook. E uma das entidades que mais poderiam acompanhar essa revolução da escrita, podendo contribuir com concursos e projetos que somassem, continua de braços cruzados mantendo a pompa de ‘distribuir’ cadeiras a alguns imortais que fizeram uns livros de auto ajuda.

Um pouco da história

A ACALA (Academia Arapiraquense de Letras e Artes), em sua teoria, é uma ideia bonita de agregação cultural tendo como seu criador Antônio Machado Neto que seguia o ditos do imortal Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Em meados de 1985 ele sonhou, imaginou um órgão cultural que viesse juntar, agregar, aglutinar um grupo de escritores, que tivessem livros escritos e até publicados, mas que não pertencessem a nenhum órgão ou academia. E esse ideal foi se avolumando. Antônio visitou cidades, procurando pessoas ligadas a escrever a Cultura. Dinheiro pouco no bolso, tinha que viajar às próprias custas, professor humilde que era. Foi a Santana do Ipanema/AL, convidou o prof.º Clerisvaldo Chagas e o Major Darcy Araújo, em Cacimbinhas/AL, convidou Geovan Benjoino em Pão de Açúcar/AL, encontrou o poeta Erivaldo Vieira, o Profº Oliveiros Nunes Barbosa, que por sua vez convidou o pesquisador Zezito Guedes, Rosendo Correia de Macedo, Carlindo de Lira, João Gomes de Oliveira, e outros que foram chegando.

“Que matuto ousado este, que sertanejo idiota idealizar uma Academia de Letras”, teria dito alguém, mas se isto ocorreu, não arrefeceu os ideais, pelo contrário, tornaram-os mais fortes e coesos. Em 1986 estavam reunidos  e precisavam de espaços. Então o escritor Zezito Guedes conseguiu uma sala na Biblioteca Municipal Profº Pedro de França Reys, hoje também, Casa da Cultura.

E numa manhã fria de um domingo de setembro, se reuniram pela 1.ª vez.

Como nome foi escolhido “Academia Arapiraquense de Filosofia, Ciências e Letras”, na mesma ocasião foi escolhido o 1º presidente, recaindo a escolha sobre o nome do profº Oliveiros Nunes tendo como Vice-Presidente o Major Darcy de Araújo Melo, in memoriam.

Timidamente, galgaram espaços na sociedade, e finalmente no dia 14 de junho de 1987, oficializou-se a “Academia Arapiraquense de Filosofia, Ciências e Letras”, sem alarde, sem coquetel, mas com muita alegria, com um objetivo precípuo da vanguarda cultural.

Em seus primeiros passos tiveram fracassos, dissabores, dúvidas, discussões. Mas tudo isso foram sementes que ajudaram a crescer, não importando quantos passos foram dados errados e sim o que foi aprendido com isso. O professor Antônio tinha sempre que viajar mais 80 quilômetros para participar das reuniões, e era um dos mais assíduos.

Ninguém é melhor que todos juntos

A história da Cultura de um povo precisa ser preservada, resgatada para a posteridade.

Historicamente, as academias pelo mundo afora estão ligadas a grandes sonhos de ilustres, registre-se a Academia Francesa, fundada em 1635, pelo 1.º Ministro do Rei Luís XIII, o Cardeal-Duque de Richelieu, e que, posteriormente, no dia 20 de julho de 1897, foi fundada a ABL (Academia Brasileira de Letras), idealizada pelo eminente escritor Machado de Assis, que se constitui seu 1.º presidente, moldado nos ideais da Academia Francesa, e em 1.º de novembro de 1919 foi criada a Academia Alagoana de Letras, tendo como 1.º presidente o prof.º Moreira e Silva. E anos mais tarde, um grupo de intelectuais criou a Academia Maceioense de Letras no dia 11 de agosto de 1955, tendo como 1.º presidente o jornalista Augusto Vaz Filho.

Mesmo com tantas dificuldades a ACALA quase engatou com alguns concursos literários e lançamentos duvidosos. Hoje, com um prédio muito bonito, mas sem funcionamento prático, continuamos sem enxergar o que de tão notório essa, que um dia já fora tão promissora Academia, atualmente com a faca e queijo na mão, tornou-se tão obtusa e sem significativos trabalhos que apoiassem o fazer literário ou a incursão dos jovens, que até já possuem livros, vale lembrar que livros bons, publicados, nas sessões ordinárias ou mesmo com cadeiras.  

Aguardamos o dia que ser intelectual seja mais que garantir um status e a preocupação pelo fazer cultural seja maior que obter regalias.





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