Laércio, o poeta tecno matuto


Janu

01/04/2016 17h39

No dia 19 de Dezembro de 2014, Laércio Moreno lançava seu CD de poesia matuta na Escola de Belas Artes de Arapiraca, na qual também era professor de Artes Plásticas ­ artista dinâmico que é. Lembro do dia, pois fui (e lembrei exatamente porque pesquisei na internet, oras). Na plateia, pouca gente e a ausência comum da cena ‘vanguardista’ de Arapiraca que praticamente nunca aparece nos eventos/lançamentos uns dos outros.

Principalmente se tratando de um dos únicos ‘das antigas’ que tem um grande cunho autoral em sua arte.

Laércio é cantor, compositor, artista plástico e um grande declamador de poesia matuta ­ tanto que viu seus vídeos, gravados pelo celular mesmo, tomarem grandes proporções em compartilhamentos no facebook, whats app e sendo “usado” em canais do youtube de terceiros. Gente de todo canto vive pedindo músicas, alôs e declamações desse matuto interligado nas redes. Batemos um papo sobre esse momento, reconhecimento e curiosidades. Saca só:

 
Janu ­ Como tu se sente com essa repercussão grande e silenciosa ao mesmo tempo?

Já vi alguns vídeos, muitos com milhares de visualizações. Só que tem gente aqui em Arapiraca que não sabe dessa tua arte no meio virtual em contraponto a  MUITA gente de outros estados.

Laércio:­ É isso aí cara. Eu me sinto feliz. Agora que tô sendo descoberto aqui, através dos de fora. Recebo muitos pedidos de música de gente de todo o país, volta e meia gravo um vídeo tocando a música, agradecendo todo o carinho.


Janu: Você faz tudo sozinho? Filmagem, edição, som?

Laércio: Isso mesmo. Sozinho e com o celular.

Janu: Alguém te procura  pra tentar “parcerias” online?

Zapeando alguns vídeos teus no Youtube, vi alguns casos como um “Janilton Jesus” que postou e no final ainda colocou “Uma produção Macaubense Life”, sendo que você quem fez...


Laércio: Aparece uns caras, umas agências, mas tudo com interesse. De subir nas costas, sabe? Ai prefiro continuar só mesmo. Recentemente uma turma do movimento Fora Dilma de Recife queria música ­ só que de graça. Ai complica (risos). Aparece direto. Me colocam em canais do Youtube, pra faturar, também sei disso. Acho bom porque acaba divulgando e através disso eu tenho recebido convites pra ir embora, só que
algumas coisas me prendem aqui. Por enquanto.


Janu: Convites de onde, por exemplo?

Laércio: Do Rio de Janeiro, de Minas, Sampa... Teve até pra Portugal, cara. Foi um convite de um dono de hotel, pra cantar direto em Lisboa. Teve também de uma viúva da Cidade do Cabo, só que acho que ela queria me adotar (risos). Mas se eu for, sei que não voltaria mais. É onde tenho medo. Pense num medo da gota do ar e do mar. Se eu tiver voando e cair na água? Ai fudeu.


Janu :E você recusou o convite da Viúva da Cidade do Cabo? “Viúva da Cidade do Cabo” pode dar em música, hein?

Laércio: Uma música pra ela? Ave maria. O nome dela é Varanda “Sentado numa Varanda na cadeira de balanço, lanço um olhar sobre a lua, na rua que ela anda. (risos) ­ até que dava pra fazer mesmo. Voltando um pouco, Janu, eu não me acho com bagagem. Me acho fraquinho, cara. Componho, não o que desejaria.


Janu: Qué isso, companheiro. Na minha humilde opinião você se garante sim. Tanto que já são vários vídeos com milhares de visualizações no Facebook, compartilhados nos “Zap Zaps”...

Laércio: Bixo, eu já morei muito fora. Quando era casado, com filho pequeno e por precisão. Nessa altura da vida eu não preciso mais. E tem um lance, cara: Eu tenho medo de fama ­ não de ser famoso, o lance é quando o assédio para; vem a depressão. É fogo.


Janu: Medo da fama?

 
Laércio: É. E o medo da fama atrapalha. O fato d ?eu evitar sair pro mundo me faz deixar de faturar uma grana boa. Sei que tenho vídeos como “O Eleitor Sabido” e “Zap Zap”, cada um com quase 200 mil visualizações no facebook ­ tem os que compartilham no Whats App e não dá pra contar. Já tem algumas empresas encomendando comercial, é o que tem gerando a renda específica dessas minhas ações no mundo virtual. A coisa tá andando.



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