Mundinho fechado


Janu

26/01/2017 18h16

                                                55% dos brasileiros acham que a internet é o facebook

Em tempos de meme, pulo do gato que é call to action e uma sociedade altamente estudada em ciência política (só que não), a maioria dos brasileiros - cinquenta e cinco por cento - realmente acha que toda a Internet, mãe rainha do conhecimento compartilhado, se resume apenas no Facebook.com. É isso mesmo que estamos lendo, pra todas elas a internet é o facebook. 


Também pudera, uma vez que grande parte das pessoas, hoje, formam toda sua opinão e posicionamento de um ser essencialmente político através de títulos de matérias que cachoeiram na sua timeline - quando não se importam nem de saber se o foi o Sensacionalista ou não que postou sobre golfinhos voadores em Coité do Nóia - AL.

uiuiui

Que o Facebook é grande, todo mundo sabe. Mas 55% dos brasileiros consideram que não há NADA na internet além do Facebook (no páreo: Nigéria, Indonésia e Índia, onde as porcentagens de pessoas que concordaram foram 65%, 63% e 58%, respectivamente. Nos EUA, o índice foi de apenas 5%). Não é dando uma de “síndrome do vira-lata”, mas isso explica muita coisa sobre o atual extremismo cego que não só ronda, como faz parte intrínseca da nossa sociedade dividida por não sei quem.

A pesquisa da Quartz divulgada como parte do relatório "Internet Health Report v0.1", da Mozilla, pedia que as pessoas respondessem a questão: "Você concorda com a afirmação seguinte: o Facebook é a internet?". O Brasil foi um dos países nos quais a taxa de respostas positivas foi uma das maiores: 55% dos brasileiros concordaram. O ó.

Sdds myspace.

Eu com meus vinte e oito, sou de uma geração que fica ressentida com isso: vimos todo o processo de nascimento da internet social. Seja dos perrengues esperando dar meia noite para “acessar” (quem porra fala acessar hoje?) aos tempos idos do IRC, ICQ, MSN e demais entidades que tivessem suas três letras e alguns internautas escutassem (muito, coitados) Limp Bizkit, Slipknot ou Linkin Park.

Possuíam todas as raízes e influências de redes e aplicativos usadas atualmente -  algumas tinham até que se entender um pouco sobre programação para executar. Desse tempo bom onde jovens se masturbavam com gifs animados e que o negão da piroca do WhatsApp já existia há tempos e se chamava Motumbo. Era um powerpoint em espanhol com el título “La Historia de Motumbo” que circulava nos emails. Você passava os slides de um por um e lá pelo décimo - pá! - um negão com a benga de fora que praticamente batia na tua testa -  dizem os homo sapiens que era o tempo das primeiras formas de ‘viralização’.

tô ligado que tu vai me procurar no google 

O Blog tá aí até hoje

O instagram era o fotolog (a gente tinha sorte que a média de fotos por dia era só de uma - podia mais quem tinha Gold). No tempo: cabelo, foto de cima, depressão - hoje espelho, comida, tudo é lindo. E o orkut, bem o orkut… - um lugar onde frases de efeitos do tipo “Mulher não se pega, se conquista!”, “Sou legal, ñ tô te dando mole” e “Não fui eu, foi meu Eu lírico” juntaram milhões de usuários em comunidades onde a inclusão digital não se preocupou nenhum pouco com bom senso. Br é Br.

Em outras partes da pesquisa, a Mozilla também aponta para casos um tanto quanto óbvios de monopólio da mãe internet. Por exemplo, o Google nosso de cada dia: a empresa é responsável por mais de 75% das pesquisas feitas na internet, e por 95,9% das pesquisas feitas de smartphones. Isso dá à empresa a velha vantagem (pulo o gato) na hora de vender publicidade online com base nos gostos das pessoas, que devem nem saber da existência de uma internet profunda (assunto pra depois).


O Facebook é outro enorme concentrador da internet, segundo o relatório. Além de ser a rede social com maior número de usuários no mundo (com 1,7 bilhão e subindo), a empresa também é dona das outras duas redes sociais que compõem o pódio: WhatsApp e Messenger, com 1 bilhão cada; uma influência desproporcional sobre o que as pessoas veem e fazem online - uma luneta direcionada na tecno-existencialidade?

Em algum tempo virão outras redes substituindo o face e ficando velha, depois lhe dando o status de cult - ou talvez as táticas e surpresas do Zuckerberg possam perdurar por mais alguns anos. Enquanto não tenho a resposta, fico aqui olhando aquele site maroto que sempre visitei para refletir um pouco sobre a vida:

http://www.pudim.com.br/

 

o pudim.



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