VIVA AO ETERNO MESTRE NELSON ROSA


Janu

22/09/2017 12h39

Nos últimos anos em que venho me aventurando, errando e aprendendo nesse mundo doido da arte, sempre tive uma sorte e aproveitei as oportunidades de estar/aprender do lado de grandes figuras, vide Seu Paulo, Mestre Biribinha e o triste assunto dessa coluna, o Mestre Nelson Rosa.

Nos encontrávamos em projetos, apresentações do seu grupo junto às Destaladeiras e desde 2015, quando comecei um contato maior junto com eles, principalmente para estudos artísticos, foi quando sentir uma ótima reciprocidade em nossas conversas. Ele falava sobre tudo, sobre o reconhecimento, o fumo, os cantos de trabalho, as viagens, os encontros e conversamos muito durante as atividades do Sonora Brasil, quando o SESC levou o grupo Nelson Rosa e as Destaladeiras de Fumo de Arapiraca para todas as regiões e estados do Brasil.O Canto raíz da nossa cidade ecoando vários Teatros e Espaços Culturais do País - além de, claro, tocar as pessoas.

Nelson Vicente Rosa, talentoso poeta popular e inspirado embolador, é quem liderou o seu grupo folclórico há trinta anos. Homem simples, apegado ao amanhã da terra onde nasceu e será eternamente lembrado, no Povoado Fernandes.

É o que se pode afirmar ser realmente um produto do meio onde viveu toda sua vida - a Zona Rural - onde ainda criança já ouvia o popular Cícero Duca (casado com sua tia), nas cantigas e nas tapagens de casa, ou entoando seus rojões nas tarefas da roça na década 30.

Além desses cantos de trabalho, ouvia também as cantigas das destaladeiras de fumo que atravessava sua época de ouro. Em 1938, encontrava-se com seus pais no Sítio Cacimba Doce, onde acontecia uma festa, ficou maravilhado ao ouvir a velha Maria Proteciano cantando o coco "ARAÚNA" e formando uma grande roda com as pessoas presentes. Para o menino Nelson, foi a coisa mais bonita do mundo e isso marcou toda sua vida.

Todavia, o tempo foi passando e já adolescente, não ouvindo mais as cantigas de barreiro e nem os rojões do eito, Nelson Rosa passou a acompanhar o coco de seu padrinho Gervásio Lima, que periodicamente apresentava seu famoso pagode, no qual dançava toda a família e os vizinhos.

Tempos depois do desaparecimento do seu padrinho Gervásio Lima, Nelson Rosa começou timidamente a cantar emboladas no terreiro de casa acompanhado pelo coro de seus familiares e assim renascia um coco de roça, com toda a força de um fato folclórico autêntico. Nesses primeiros passos as apresentações aconteciam apenas entre familiares, onde dançavam seus filhos, sobrinhos, primos cunhados e amigos.

Mais adiante, seus filhos foram casando e afastando-se do coco, sendo substituídos pelos vizinhos e a dança foi continuando, agora, com apresentações em Festivais de Folclore, Semana da Cultura, Festas Juninas, Sonora Brasil e eventos além das fronteiras. O Mestre Nelson faleceu, mas continuará sempre vivo na Cultura Arapiraquense.

Sobre as Destaladeiras de Fumo de Arapiraca

Grupo formado por cinco mulheres da região de Sítio Fernandes, município de Arapiraca, na zona rural do agreste alagoano, e Nelson Rosa, mestre de coco de roda reconhecido como patrimônio vivo do estado de Alagoas. O cultivo do fumo foi a principal atividade econômica por mais de cinco décadas em Arapiraca, as mulheres trabalhavam horas a fio sentadas no chão nos “salões de fumo”, destalando e selecionando as folhas ao som de cantigas entoadas para espantar o sono durante as madrugadas. Os cantos das destaladeiras são entoados em várias vozes, com uma só voz no improviso dos versos geralmente tirado pelas líderes do salão; são em forma de trovas rimadas e têm como característica serem arrastados e sem acompanhamento instrumental. O grupo traz no repertório, além das canções tradicionalmente entoadas na rotina laboral da destalação, cantigas de barreiro e tapagens de casa, os rojões de eito entoados nas tarefas da roça e o pagode, música que embalava as festas em que a comunidade comemorava o chamado derradeiro dia de fumo, no encerramento da safra. O grupo é formado por Josefa Correia Lima dos Santos, Isabel Cipriano dos Santos, Regineide Rosa dos Santos, Rosália Gomes dos Santos e Rosinalva Farias dos Santos, além de Mestre Nelson Rosa. Recentemente participaram do trabalho Lindeza Pt II, na música  Teu Sorriso

AVENIDA DO FUTURO HOMENAGEIA O MESTRE
(colaborativa com Breno Airan)

O cenário cultural de Arapiraca vive um momento de muita criatividade, sobretudo, na música autoral.

Prova disso foi a realização neste final de semana, nos dias 15 e 16, do festival Avenida do Futuro. O evento aconteceu no Baco Pub, que abriu as portas para seis bandas da terra mostrarem seu potencial artístico.

Capona, Janu, Gato Negro, Ítallo, Casa da Mata e Quiçaça deram um banho de água quente na noite fria arapiraquense, com canções expressivas em diferentes estilos musicais, indo do reggae rural, passando pelo samba-rock e esbarrando no pós-grunge psicodélico.


 



Compartilhe
comentários