A culpa é do juiz!


Marcio Santana

02/07/2018 19h24

 

Embora muitas vezes a frase tenha total sentido, fica então muito fácil para qualquer imbecil (entendido), que esteja transmitindo um jogo sentenciar tal decisão em andamento de maneira curta e seguramente correta, e de tabela jogar o arbitro contra uma nação.

Nasci e me criei assistindo ou mesmo tentando assistir, o futebol verdadeiro, limpo, sem compromissos paralelos, sem acordos de presidentes de federações, sem propinas para árbitros, sem a participação da “mídia” determinando o dia e a hora dos mais brilhantes jogos do futebol brasileiro. Tempo em que íamos ao estádio de futebol sem saber ao certo quem iria vencer uma partida. Tempo em que mesmo quando o meu time perdia aceitava de forma revoltante, mas sem julgar a personalidade de A ou B, e assim esperava até o próximo jogo da mesma maneira, com esperança, com nervosismo, com dúvidas na escalação, com a velha discórdia da escala de arbitragem, mas sem nenhum excesso de julgamento.

Muito difícil é justamente entender que essa seleção que está aí, nada mais é que o puro reflexo dessa província em que vivemos, muito luxo para pouco merecimento, um país em que se sobressai quem tem mais. Uma seleção que só permite jogar quem tem o melhor empresário. Um país em que a justiça está na mão de um único “homem”. Uma seleção que tem apenas um único “homem” que possa fazer justiça. Um país que um juiz determina quem ganha. Uma seleção que só ganha se tiver a ajuda de um juiz.

Se essa miséria que nunca enganou a ninguém, continuar esperando que a arbitragem marque o que não foi, vai se lascar pela cepa, e certamente na passará da primeira fase. Não adianta querer tapar o sol com a peneira. A velha e já desconhecida qualidade futebolística do Brasil, com garra, união, conjunto, respeito ao adversário, não existe a muito tempo, o que vemos agora é um grupo de “mercenários escrotos” que, graças a uma federação desmoralizada e comprometida com diversos escândalos, está representando, sem responsabilidade nenhuma, uma já desmoralizada nação.

É preciso que as pessoas entendam (os que criticam), assim como os atores principais (jogadores), que aquele período em que existia na presidência da FIFA um senhor de idade, que por sinal era brasileiro, já virou passado, e que agora a moral que a seleção tem é idêntica as demais. Talvez ou com certeza, o resultado da estreia teria sido outro, o arbitro de vídeo teria sido acionado, o pênalti teria sido marcado, o Brasil todo estaria em festa a custas da safadeza e da imoralidade. Mas a realidade agora é outra, como deveria ser também a realidade política, ou seja, só merece alcançar a vitória quem realmente fizer por merecer e não através de ajudas que infelizmente todos já se acostumaram a ter.

Isso não é um simples desabafo pela péssima estreia, nem tampouco a aceitação da eliminação, mas realmente fica muito difícil acreditar em coisa melhor vendo o desempenho medíocre e descompromissado de um grupo que prefere muito mais apresentar penteados exagerados ao invés de um futebol que transmita confiança ao já sofrido e esperançoso povo brasileiro.

 



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