A ficha que salva na fila, é a mesma que na fila mata


Marcio Santana

05/01/2018 19h44

 

Esta semana fomos todos surpreendidos por mais um golpe absurdo praticado por “monstros pernósticos" contra o cidadão que precisa usufruir dos serviços de saúde pública aqui em nossa província, quando gestores do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA) em Maceió, entregaram à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal provas concretas em fotos e vídeos que comprovam a prática irresponsável de venda de fichas na já sofrida fila do HU para agendamento de consultas e exames.

Meu amigo, para mim, nessa escrota e maquiavélica prática, tanto está errado quem vende a ficha, como o elemento que a compra. Realmente eu não consigo entender como, em uma situação tão deplorável, angustiante e sofrida como a fila de um hospital público, ainda possa ter espaço para tão maldosa ação.

Você imagine um cidadão de bem, que vem lá do cafundó do Judas, totalmente debilitado, sofrendo com os mais diversos tipos de enfermidade, chega de madrugada, fica ali no frio, com fome, sentindo dores, passando por muitas humilhações e quando é chegado o momento de ser atendido, recebe a informação de que o exame não poderá mais ser realizado naquele dia, pois, devido a venda de fichas, alguém com o poder aquisitivo melhor que o dele, comprou a sua vez.

Todos sabem que tais práticas se tornaram comuns em diversos setores do serviço público brasileiro, porém, devido ao “nada faz” das autoridades, as coisas continuam acontecendo de vento em poupa, diante dos olhos de todos e só o pior dos cegos é que não enxerga.

Você vai na Prefeitura e tem quem “resolva” seu problema sem que você precise ficar na fila, vai no Detran a mesma coisa, chega na fila do pão, se não liberar pelo menos a grana do “goró” do encarregado, só pega a farinha de rosca, enfim, essa é uma realidade nacional, e que já virou meio de vida para muitas pessoas.

Enquanto tais procedimentos continuarem acontecendo, certamente pessoas vão padecer nas mais diversas filas da vida, pessoas vão enriquecer às custas do sofrimento de outras, o carrinho de compras na fila do lado no supermercado, sempre vai andar mais rápido que o seu, o cambista, na porta do estádio vai estar sempre com o melhor setor do campo, o apressadinho que corta pelo acostamento nunca vai ser multado e etc.

E essa famigerada vida continua, a safadeza humana continua, a legião dos miseráveis só aumenta, os nossos “representantes” fingem que fazem alguma coisa e a gente não finge que acredita, a comida que o nosso filho diz que está sem gosto com certeza iria alimentar muitos que estão na fila para ganhar um pão, a fila do medicamento doado pelo governo só tende a aumentar, mas também a fila para fazer a fezinha na loteria vira o quarteirão.

Porém, com certeza, diante de todos os exemplos que diariamente assistimos nas mídias comprometidas, a pior e mais cruel de todas as filas não poderia ser outra senão a de eleitores, pois ali sim, enquanto uma minoria tem a fabulosa e hoje rara, sã consciência, a maioria prefere a manutenção da safadeza e da roubalheira.  



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