A pauta de hoje é o fim da pauta


Marcio Santana

22/07/2019 21h35

 

Pelo simples fato de ter praticamente nascido dentro de um complexo de comunicação, e pelo fato de ter sido criado vendo meu pai muitas vezes chegar em casa vindo da organização praticamente na hora em que estávamos saindo para o colégio, e entender que aquela era a maior certeza de uma dedicação, integridade e da verdade escrita e publicada, fica realmente muito difícil de imaginar que essa classe, de vital importância dentro de uma sociedade, passa, em virtude de uma tecnologia cruel e avassaladora, por essa crise sem precedentes, e que consegue, sem dó nem piedade, lascar pela cepa, o caminho da informação. 

Naquela época era importante para o jornal apenas quatro seções: notícias, crônicas, reportagens e notas editoriais e essa última era sem dúvida alguma, a seção mais delicada e de grande prestígio. Algumas vezes tive o privilégio de acompanhá-lo até o seu local de trabalho e pude entender o quanto grande era o prazer de poder conviver com aqueles gigantes do jornalismo, Tobias Granja, Theófilo, Freitas Neto e outros, que eram capazes de transformar em uma interessante matéria até mesmo a mais simples das pautas.

Para a instituição o importante era a linha individual que cada um tinha e não a conta bancária do “caixa 2” de hoje em dia. Meus colegas, hoje em dia, as empresas de comunicação empenharam-se bastante em se modernizar e deram uma belíssima “banana” para a formação de sua linha de frente (editores e jornalistas), e o resultado é isso que estamos cansados de observar nas redações, verdadeiros ambientes tenebrosos, ideais para navegantes solitários e sem rumo, onde a impressão que se tem é que parece muito mais fácil para esses focas, comunicar-se com os gerentes de contas bancárias do que com o coração (emoção), dos leitores.

Todo o conjunto de operadores que constitui um matutino nada mais é que uma verdadeira orquestra, onde o regente (maestro), jamais poderá ser o “empresário”. Para esse, a única responsabilidade que restou, foi administrar os ganhos, e isso todos sabemos que existe. O que não existe é justamente tal profissional visionário, capacitado, reconhecedor de qualidades, enfim, um bom administrador que entenda do negócio, e que, de preferência, tenha uma mente evoluída e vibrante.

Essa desculpa de que o futuro já chegou, e que com ele chegaram as facilidades de acesso às notícias e informações em tempo real, é a mais pura sacanagem, desrespeito, falta de caráter e acima de tudo a assinatura de conformismo e incapacidade de elementos editados e não editores.

Diante de tudo isso que está acontecendo na província, fica difícil aceitar certas linhas editoriais viciadas, comprometidas não com a verdade e sim com o oportunismo, uma linha tendenciosa, que não se encaixa com a principal função de matutino, ou seja, a imparcialidade e veracidade das coisas. Todos à luta, não vamos deixar esses filhos das “pautas”, transformarem essa profissão digna de respeito em uma categoria beirando a extinção. 

 



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