A súplica do sofrido e esquecido “Boitico”


Marcio Santana

16/02/2020 18h37

 

Por diversas vezes ficam os mais exigentes e não mais esclarecidos ignorantes da dificílima arte de demonstrar os pensamentos alheios, pensando numa forma de mostrar o quanto representativo é a importância do elemento “fedorento” em nossas vidas. Muitos evitam, ignoram, se esquecem, enfim, não dão o verdadeiro valor que tão importante elemento possui em nossa história. Muitos até acham que o fato de por ele só passar o que não presta, significa a sua real importância. Porém, devido a necessidade eminente de uma reflexão sobre a miúda circunferência rodeada de pregas, procurarei, através de singelas palavras, demonstrar o quanto admiro e respeito esse insalubre trabalhador, que nunca deixou nada a desejar aos vasos, penicos e outros depósitos públicos e oficiais do mundo e em particular aqui da província.

Digam-me quem em sã consciência aceitaria tamanha responsabilidade. Digam-me quem assumiria essa árdua e fétida missão de dar um paradeiro para tanta coisa ruim. Quem assumiria a responsabilidade pelo travamento por completo de uma comporta para evitar tamanho vexame em uma sociedade que em sua maioria é composta por algo pior do que passa diariamente por suas paredes pichadas de frases de amor e suspiros. Falem agora ou calem- se para sempre quem nunca precisou ativar o travamento automático de um peido e não foi correspondido.

Meus queridos, a ternura e alívio de uma ducha fria de água quando se tem uma irrevogável e sofrida hemorróida é maior do que qualquer prêmio de loteria. O danado é pau pra toda “obra”, as vezes, e aí vai um grande elogio, ele se depara com situações de completa brutalidade e consegue, graças a seu extraordinário profissionalismo, se sair muito bem.

Infelizmente, e isso fica bem evidenciado em certas ocasiões na atualidade, ele se chateia pelo simples fato da boca querer assumir o seu papel e sair despejando as vezes até coisas piores do que as que passam por ele. Nesses casos ele fica mais tranquilo por saber que as que administra tem um destino certo, enquanto que as que são expulsas pôr cima, muitas vezes atingem quem não merecia.

Pois bem meus amigos, posso estar errado, mas a vida está cansada de mostrar, apesar de muitos teimarem em fechar os olhos, que nessa latrina gigantesca em que vivemos, as vezes não é a quantidade de bosta que faz feder o universo, e sim a qualidade do pirão que você comeu no boteco ou a da pipoca que você insiste em degustar no sofá nos dias de jogo do Flamengo.



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