A vergonha de ser nordestino


Marcio Santana

01/08/2019 17h26

 

 

Diante de declarações, atitudes, desrespeito, ignorância, preconceito, restrições, descaramentos, falta de reconhecimento e principalmente perseguição, posso garantir, que com todos os fatos expostos e evidenciados nos últimos anos de meu Deus, tenho muita vergonha de ser “um espécime” prestes a ser extinto nesta província capitalista, racista, preconceituosa e medíocre, onde a palavra chula e desnecessária de um idiota, vale muito mais que uma realidade histórica de luta e sobrevivência.

Não podemos mais admitir, que esses branquelos asquerosos e ignorantes de alma e coração, enxerguem em nossa “raça” apenas o enquadramento da ignorância e mediocridade. Não é justo acreditarmos que esses “elementos escrotos” possam, por conta de uma situação demográfica, entender que aqui só tenha o pão que o diabo amassou, e deixou sobre a mesa do inferno.

Não consigo entender o fato de um nordestino ser explorado como um escravo na construção civil dos grandes centros. De ser sempre o palhaço com um sotaque ridículo no circo da vida. De sempre ser o escolhido para ir na linha de frente da batalha, quando o inimigo principal é a sua própria ignorância.

“Esse mói de fi de uma égua” precisa entender que, não temos nenhuma obrigação de sermos o centro de atenções nos eventos pelo mundo, por vivermos em uma região, onde o homem, para saciar a fome da família, é capaz de oferecer rato e calango no almoço, mostrando assim, diferentemente do que foi dito, que agora a fome voltou, e voltou justamente pelo fraco e comprometido desgoverno perseguidor.

Tenho vergonha de ser nordestino, quando o funcionário do guichê do aeroporto internacional do Rio, mesmo sabendo que estou vindo para Maceió, pergunta como “andam as coisas no Pará.

 Tenho vergonha de ser nordestino, quando percebo a cumplicidade entre voto e o cabresto.

 Tenho vergonha de ser nordestino, quando procuro um médico num hospital público, e vejo o quão a maioria dos meus irmãos votaram errado.

Tenho vergonha de ser nordestino, todas as vezes que me lembro de um determinado julgamento de um grande lider nordestinom preso injustamente.

Tenho vergonha de ser nordestino, quando percebo que todos os nossos grandes artistas não moram aqui no nosso querido Nordeste e sim no território preconceituoso.

Tenho vergonha de ser nordestino, quando aceito ser tratado como estatística e não por números exatos.

Mas tudo bem, precisamos manter a cabeça erguida, vamos continuar com a nossa inesgotável esperança. Mesmo entendendo que, apesar do momento estar mais para panqueca de Jiló, nós já pudemos, num passado bem recente, provar a cereja do bolo de chocolate, onde posso garantir que tínhamos muito mais representatividade.



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