A vida de um “Rei”


Marcio Santana

03/09/2018 21h32


Todos os dias acordo as 9:00, fico imaginando se realmente vale a pena sair de minha cama confortabilíssima, observo no celular os primeiros movimentos de meus assessores, ali mesmo já tomo algumas decisões que não significarão nada de especial para mi mas com certeza vai prejudicar muitas pessoas que por sua vez não significam nada de importante para gerar preocupação.

Em seguida me levanto vou ao meu magnifico e imponente sanitário que só ele vale mais que muita casa dos assalariados que me servem. Depois de tomar um relaxante e maravilhoso banho me preparo para um delicioso e farto café da manhã, e ali já vejo, escuto e depois leio os jornais com as mais diversas mentiras ditas por mim ontem, aí o meu assessor particular já começa a informar toda a agendo do dia sem que eu tenha que me preocupar com porra nenhuma.

Agora, já dentro do carro oficial, sigo em direção ao meu gabinete onde pessoas das mais diversas classes sociais me aguardam para uma “reunião” muito importante – para eles – onde deveria ser tratado um acordo coletivo.

Mais ainda estou a caminho, e apesar de toda a beleza que existe nesse nosso litoral – Jatiúca, Ponta Verde, Pajuçara enfim, na orla de Maceió – mesmo assim é praticamente impossível não observar certas desigualdades, coisas que certamente eu poderia resolver, meus amigos de “labuta” poderiam resolver, mas e daí, para que resolve-las, deixa que no próximo governo, pois a reeleição é praticamente certa, daremos uma certa prioridade a tudo isso.

- Por que me preocupar agora com a segurança na periferia se lá no bairro onde resido a ronda policial é de hora em hora?

- Por que me preocupar com os ônibus superlotados se isso é um papel do município?

- Por que me preocupar com as ruas esburacadas se elas sempre foram assim e nunca infeliz nenhum deu jeito?

- Por que me preocupar com aqueles manifestantes que se encontram ali na porta do cais se eu sei que em breve estarão todos votando em minha reeleição?

- Por que me preocupar em ser honesto se isso é uma coisa que nunca fui?

- Por que me preocupar com os enfermos do HGE se todos sabem que esse problema não é só aqui?

- Por que me preocupar com os alunos do CEPA se acabamos de fazer uma meia-sola por lá justamente para enganar os bestas?

- Por que me preocupar em ter que prestar contas à sociedade do dinheiro público se nunca nesse país os valores bateram certo?

- Por que me preocupar, me preocupar, me preocupar e me preocupar? 
 
Por que me preocupar com tudo isso e algo mais, se essa difícil vida que levo, me ensinou a não desistir de meus sonhos e sempre procurar iludir meus súditos (eleitores de cabresto), que nunca me deixaram na mão e sempre são recompensados com uma belíssima cesta básica todo  ano de eleição.  



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