Com a palavra os que ainda possuem a “extinta vergonha na cara”


Márcio Santana

27/11/2017 18h52

 

 

De vez em quando é sempre bom, para passar o tempo, assistir um pouco certos canais para descontrair e as vezes dar grandes risadas, e ontem não foi diferente. Assistindo a TV Senado, entre um e outro discurso, daqueles atores, percebi que alguns se mostravam bastante indignados com a situação atual do País, a partir daí já comecei a me descontrair.

Aí, já em relação ao outro lado da moeda, fico imaginando se esses bicudos mimados, que nunca se interessaram por nada de real valor político, falsos intelectuais e moralistas que vivem baixando a cepa na atual conjuntura - e olhe que aqui em Alagoas tem muito - se os mesmos estariam aptos a comportar-se de forma diferente se exercessem os mesmos cargos, tivessem as mesmas mordomias, fosse ele um simples consumidor ou um grande empresário, fosse ele um servidor público aposentado assim como eu, fosse um jovem idealista ou um velho cabeça dura.

Gostaria muito que a velocidade em que caminham a ciência e a tecnologia, fosse a mesma que proporcionasse a evolução da ética, da moral e da vergonha na cara desse monte de delinquentes. É uma vergonha como a grande disputa de espaços e a nojenta luta pelo poder brutalizam o elemento, que passa a ver no seu semelhante sempre um inimigo.

Essa nossa “sociedade” a muito passou a ser dividida entre os que “humilham” e os que são “humilhados”, os mais espertos providos de muita influência irão conduzir o destino dos que não possuem nada. Os detentores de forte influência, considerando o poder econômico, social e demagógico conduzem as preferências de toda a sociedade. Mas, isso não significa dizer que os lascados usem a mísera situação em que vivem para justificar a contravenção.

Estamos vivemos uma grande e insuportável crise de legitimidade do modelo político, vivemos uma crise de representatividade dos partidos políticos tradicionais, vinculados às oligarquias regionais e às grandes burguesias nacionais, bem como dos partidos de esquerda que rapidamente passaram a usar as mesmas práticas inescrupulosas de políticas tradicionais que antes tanto combatiam. Antes dessa famigerada crise econômica ou política, estamos vivendo aqui nessa província sem dono uma profunda crise moral e, entre outras razões, decorrente da fragilidade na nossa formação. A esperança de enriquecer fácil com dinheiro público e a certeza da impunidade é maior do que o medo de ser pego, razão pela qual eles não estão nem aí para sociedade.

Esses elementos que se dizem nossos representantes no parlamento, parecem preocupar-se tão somente com a própria manutenção no poder e obtenção de vantagens pessoais, se deixando levar por uma inclinação maligna que chega a enojar. Enfim, toda essa sorte de mazelas que parece demonstrar que o povo brasileiro vive num enorme carnaval de bandalheiras, numa incessante orgia de falcatruas que se repetem com frequência tal que, cerca de dois ou três meses do último escândalo, já não se tem mais lembrança dos detalhes dos primeiros.

Essa infeliz realidade caótica e desesperadora, ao mesmo tempo em que desencanta e desestimula, permite que possamos refletir sobre as fontes dos infortúnios brasileiros, entre as quais a crescente crise moral. Não bastasse a inflação e a vergonhosa posição do Brasil em todos os indicadores de desenvolvimento e civilidade, as notícias veiculadas pela mídia nos últimos tempos nos levam a concluir que vivemos o pior momento da história.



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