Não tínhamos tempo para o “suicídio”


Marcio Santana

26/06/2019 21h57

 

 

É impressionante como um tema há muito praticamente esquecido, voltou de maneira cruel e devastadora aos noticiários e rodas de conversas em nossa sociedade e passou a ser uma ameaça real aos “mimados” adolescentes de hoje em dia.

Podem falar o que quiserem, mas para mim não passam de um “mói” de guri véio cheio de bosta na cabeça e que nunca tiveram um não como resposta, ao contrário, sempre gozaram das mais confortáveis situações de vida.

A minha geração não é muito velha, mas sem dúvida alguma, pode ser considerada uma das melhores. Apesar do atraso tecnológico da época, não existiam motivos para não sermos muito mais felizes que essa porcaria transviada de hoje.

Não perdíamos tempo pensando em suicídio, justamente porque não tínhamos tempo para isso. Não perdíamos tempo pensando em suicídio, porque o “racha” no campinho da Belo Horizonte não nos permitia pensar em outras coisas.

Porque sabíamos que quando acabasse o racha canela, iriamos todos para a resenha e isso não tinha preço. Porque a aventura de sair de bicicleta do Farol para a Pajuçara tomava todo o tempo de nossas manhãs de sábado. Porque o prazer de nos reunirmos com os amigos na Gut-Gut e depois pegar um cineminha no São Luiz eram inigualáveis. Porque nos intervalos do colégio, ao invés de celular, era quadra ou futebol de campo.

Porque tínhamos total convicção que o “não” de nossos pais era a mais pura realidade de condições, e simplesmente aceitávamos. Porque o fato de ter que voltar para casa mais cedo que os outros amigos, nada mais era, que uma atitude de proteção e não uma prova de poder dos nossos velhos, quem me dera os meus velhos...

Quando vejo, hoje em dia, os “motivos” que estão causando esta altíssima quantidade de suicídios, principalmente aqui em Maceió, percebo, o quão estupidos e babacas são esses elementos que se dizem “papai e mamãe”, mas que na verdade não passam de bichos escrotos, sem moral, sem coragem, sem vergonhas, que preferem muito mais a preocupação funcional/profissional, que o prazer de concretizar o maior e cobiçado sonho de todos, ou seja, a independência, juntamente com o sucesso na carreira de um filho.

É muito fácil para um imbecil de carteirinha, determinar que o filho precisa de uma ajuda psicológica, quando ele mesmo, nunca fez nada para ao menos tentar diminuir tais pensamentos negativos.

Na minha geração o tal do suicídio quebrou a cara, perdeu de cambão para a alegria de chupar uma manga e se lambuzar todo. Perdeu para os assaltos que nunca foram regados por drogas e sim por paqueras. Perdeu para os jogos escolares que todos os anos aconteciam e mobilizavam toda uma geração, enfim, essa lastima perdeu para a coisa mais importante que existe no mundo, a vida.



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