O analfabetismo político


Márcio Santana

11/09/2017 20h52

 

Eu entendo que não saber ler e escrever, realmente são características de uma pessoa não alfabetizada. Com certeza essas são as principais características dentre tantas outras que não é necessário citar. E para variar, no nosso cenário político, é muito fácil encontrar pessoas que fazem parte desse quadro que envergonham o estado e consequentemente o país.

Certamente é mais comum encontrar casos assim em gestões municipais de cidades do interior e aqui em Alagoas não é diferente. Infelizmente o Norte e Nordeste são os maiores campeões nesse quesito. As miseras cidadezinhas do interior dessas regiões exibem políticos que muitas vezes não passaram da quarta série e mal conseguem escrever ou ler, mesmo assim, graças às “forças” estranhas assumem as prefeituras e câmaras para representar um povo sofrido, que precisa de boas condições de vida e de homens de vergonha na cara.

Os jornais – a maioria comprada - sempre batem na mesma tecla quando o assunto é pobreza, enfocam o Nordeste como a maior vítima de uma má distribuição dos recursos para educação, saúde, moradia e trabalho. Mas de quem é a culpa? Todos nós sabemos que são de políticos corruptos e sem nenhuma ideia do esteja acontecendo.

Esses lambe-botas que não sabem nada da realidade do nosso povo teimam em cruzar os braços ou tentam remediar com programas que não auxiliam nem tampouco ajudam os mais pobres do jeito que deveria ser. E quando falo de despreparo, não isolo apenas a questão da leitura, escrita e interpretação, falo também do desconhecimento dos deveres e direitos de ambas as partes, ou seja, o poder e povo

Subir em uma porcaria de palanque e dizer tudo de belo e bonito é o que se faz de melhor nas campanhas eleitorais, sem contar as propagandas políticas gratuita (que de gratuita não tem nada. As emissoras recebem ressarcimentos de impostos fiscais pelo tempo gasto nas propagandas), que enchem a TV e o rádio com candidatos e mais candidatos. Ou seja, nessas campanhas o dinheiro é gasto para “iludir” os bestas e na hora de assumir os cargos, é que a gente vê quem foi eleito e o grau de despreparo que surge com leis absurdas, decretos que não servem pra nada e comentários sem valor nas reuniões do legislativo.

Destaco esse problema num parâmetro regional, por que é onde os maiores absurdos acontecem. As cidades pequenas são as maiores vítimas desse mal e quase sempre, não se faz nada para melhorar isso. Por que acredito que se um político tem uma boa base educacional, pode também desenvolver um certo grau de instrução na carreira.

Mas como mudar isso? As questões começam pela própria Constituição. Ela dá o direito a todo cidadão, de qualquer classe ou status social, de se candidatar a uma vaga para qualquer cargo político. Sendo assim, como o nosso país ainda ostenta alto índice de analfabetismo, cerca de 10% da população, qualquer um pode usufruir desse direito constitucional e ser candidato nas eleições.

É onde grande parte se elege por que ganha o apoio financeiro de terceiros (com segundas intenções) e faz o eleitor esquecer qual deveria ser o critério principal na escolha: uma boa formação política.



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