O “Canal do Sertão” dos meus sonhos, ou seria pesadelo


Márcio Santana

05/01/2018 19h47

 

Para um humilde, mas honesto lavrador, que sempre sofreu com a implacável seca que a muito assola, e que já matou muita gente e animais, nesse sertão de meu Deus, a maior dificuldade na sua vida sempre foi a falta de agua para plantar, e matar a sede da família e dos animais, mas mesmo assim, nunca, em momento algum, tanto sofrimento fez com que fosse necessário roubar, e nem tampouco tirar de um amigo, vizinho ou mesmo da população o direito de “viver”.

Sempre dependendo do carro-pipa que por sinal, muitas vezes eram viciados a só levarem agua às terras de influentes poderosos, essa abençoada e “cara” agua que por sinal só vinha uma vez por semana, certamente não era o suficiente para sanar as necessidades da família e dos animais que criavam. Porém, em meio à essa já impiedosa e assassina seca, e mesmo diante de tanto sofrimento, tanto abandono, tanta tristeza, tanta morte e tanto lamento de dor, ainda aparecem uns elementos do mais alto grau de periculosidade para tirarem proveito dessa situação, agindo, de maneira cruel contra sofridos e ao mesmo tempo verdadeiros heróis sobreviventes.

A alegria de um sertanejo é poder criar uns animais e deles sobreviver, mesmo que para isso precise caminhar longos trechos para conseguir um ou dois baldes de agua salgada na ribeira para poder matar a sede da criação,      

Ai finalmente vem o início das obras da “Adutora do Sertão” e com ela vem a esperança de milhões de sertanejos, que apesar da crença em Nosso Senhor Jesus Cristo, já começavam a duvidar das próprias forças para aguentar tanto sofrimento. Olhem bem uma coisa, vocês imaginem um cidadão, um político, um pai de família, agora assimile, mesmo que contra qualquer tipo de semelhança, a própria figura da honestidade, aí vocês terão a verdadeira característica de um desgraçado que é capaz de exigir propina para poder construir a salvação de uma gente merecedora de todo nosso respeito. Eu sempre soube que mais sedo ou mais tarde, a verdade viria à tona, agora com o desenrolar dessas investigações da PF, ela está começando a criar identidade própria e tomara que seja cumprida a quase que extinta lei.

Esses “Fí da Peste”, que não valem nem o que o gato enterra, independente de classe social, política, religiosa ou mesmo gangues, deveriam, com certeza, passar ao menos um mês, dentro de uma cela, em um local bastante quente, sem o privilégio de tomarem se quer, um gole de água por dia, para começarem a entender o que é realmente ter sede.

Mas, apesar de tanto roubo e desvio de verbas, propinas e acordos de interesses duvidosos na construção do canal, tudo está começando a mudar na vida dos nossos irmãos. Depois que essa água chegou através desse abençoado canal, foi possível irrigar as plantações, o que possibilitou o cultivo de milho, feijão de corda, coentro, pimentão, cebolinha, cenoura, enfim, tudo o que é necessário para um ser humano sobreviver.

A pureza, sinceridade, e acima de tudo gratidão que o sertanejo possui, com certeza, serão itens raros na vida de quem sempre foi um latifundiário, e que por sua vez, nunca soube o que é passar sede nem fome, mas como dizia o poeta, “Boi com sede bebe lama, barriga seca não dar sono, eu não sou dono do mundo, mas tenho culpa por que sou filho do dono”, todos nós somos culpados, e é justamente por isso que nas próximas eleições vamos juntos, começar a grande mudança.



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