Oh pátria amada, por onde andarás? Seus filhos já não aguentam mais!


Marcio Santana

25/03/2018 13h44

 

“...Você que não soube cuidar

    Você que negou o amor

    Vem aprender na beija-flor...” 

 

Contrariando a normalidade das coisas, onde todos os anos nesse período carnavalesco, o Brasil ficava na espera das famigeradas e bisonhas surpresas políticas, eis que surgiu uma escola de samba, que soube ousar com uma letra forte e clara e com um enredo bastante oportuno para o momento, onde o mesmo descreve em versos bem feitos a grande tragédia nacional, da absurda e gigantesca injustiça social, da exclusão, da intolerância, do racismo, da falta de democracia, dos idiotas escondidos por trás de um gigantesco “pato amarelo”, das marionetes batendo em panelas e aí por diante.

Um samba enredo que em outros carnavais devido à censura (militares), jamais sairia do barracão, onde o mesmo de maneira arrepiante trata o país como mais um sobrevivente desse massacre diário que sofremos de todos os lados, que denuncia a fonte de todos esses males e denuncia também as mãos que seguram as míseras rédeas.

Mesmo retratando tanta miséria, falcatruas, incompetência administrativa de nossos governantes, uma justiça que só existe para os fracos. Conseguiu se transformar em um samba histórico (um verdadeiro hino nacional), belo e empolgante, cujo papel principal não é nem de longe de o mesmo servir de ferramenta política, mas sim o de fazer com que todos os brasileiros realizem uma grande reflexão a respeito de nossa realidade.

Eu, que sempre gostei de assistir ao desfile das escolas de samba do Rio, e sempre fui um admirador da Beija Flor, não vou negar, já estava ficando abusado, saturado, enfim, um tanto chateado com as baboseiras e fantasias inacreditáveis que os carnavalescos insistiam em nos mostrar todos os anos.

Porém, ao ver ali ao vivo, para todo o mundo – e aí até a mídia mais comprometida com “eles” teve que engolir – toda aquela realidade sendo transmitida sem cortes. Com alguns engasgos de comentaristas “coxinhas” pegos de surpresa. Toda aquela passarela de pé pedindo aos prantos a saída do nosso “representante” maior, aí meu amigo, com certeza lavei completamente a alma. Vamos torcer para que a partir de agora outras manifestações pacíficas como esta apareçam, para que na próxima eleição as coisas comecem a mudar.

 

...” Ganância veste terno e gravata

Onde a esperança sucumbiu

Vejo a liberdade aprisionada

Teu livro eu não sei ler, brasil!

Mas o samba faz essa dor dentro do peito ir embora

Feito um arrastão de alegria e emoção o pranto rola

Meu canto é resistência

No ecoar de um tambor

Vêm ver brilhar

Mais um menino que você abandonou...”

 



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