Otimismo x Intransigência


Marcio Santana

07/12/2018 18h45

 

É vida que segue. É reconhecimento de situação no mínimo desafiante. É entender que nem sempre as coisas são como a gente quer. É imaginar que nem sempre o “povo” tem o governo que merece. É pedir incessantemente as bênçãos de Deus.

É torcer para que não aconteça tudo aquilo que imaginamos que vai acontecer. É saber admitir que apesar de tudo, a ponta do projétil não caiu nos nossos pés. É acreditar que justamente nas piores situações de agonia é onde encontramos a inesperada saída. Enfim, saber que em uma “democracia” (ainda), todos tem o livre arbítrio de tomarem a decisão que acharem melhor.

Imaginar que a partir de agora viveremos em uma eterna preocupação, isso é balela, pois a muito já não tínhamos um norte para segui-lo. Imaginar que a vida vai finalmente melhorar, isso é demagogia e irresponsabilidade. Acreditar que “Deus” acima de todos, será conivente com torturas e violências discrepantes contra as classes sociais e daí poder tomar todas as decisões irresponsáveis e inimagináveis, aí meu amigo, isso sim é aceitar e ser conivente com todo esse fascismo apresentado e perpetuado por “radicais” de momento (até parentes).

O fato de não aceitar a derrota quando se tem uma opção aparentemente mais “logica” é algo completamente admissível, porém, torcer e até mesmo declarar uma falsa necessidade de fracasso do vitorioso, isso sim é covardia e entrega dos pontos.

Vamos acreditar que nessa vida tudo pode. Vamos acreditar que nem sempre o pau que nasce torto morre envergado. Vamos admitir que as vezes não é só com uma palmadinha no bumbum da criança que conseguimos fazer com que ela sente para estudar. Vamos, mesmo que contra nossos “princípios” ideológicos, imaginar que o momento é de pura esperança e perspectiva, mesmo não tendo motivo algum para tê-la.

Não sabemos ao certo, onde chegaremos, mas, como sobreviventes de uma eterna “agonia” desnecessária, continuaremos tendo sempre aquela velha e já desgastante esperança que algo, no mínimo diferente, poderá acontecer e que certamente trará a sonhada e esperada tranquilidade para todos os habitantes dessa velha e já bastante sacrificada província sem dono.

Não sei se é demais acreditar e torcer para que as coisas voltem a ter as mesmas características de antes. Coisas simples, como dialogar com os “ocasionais” de situação. Debater em grupo, sem que isso se torne algo registrado para ser utilizado em um possível processo. Poder discordar do excesso de sal na sopa, sem que isso signifique a sua mudança de caráter. Achar que é muito natural ir em uma igreja, templo, terreiro de macumba ou qualquer outro ambiente religioso e “pregar” o ódio sem precedentes nas redes sociais.    

Sejamos todos felizes, esperançosos, “livres”, críticos, mas acima de tudo, democráticos e vigilantes, para depois não sermos taxados de covardes, passivos e principalmente vitimas de algo que a muito estava banido nessa província.

 

 

 



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