Pinheiro, o fim de uma linda história


Marcio Santana

11/06/2019 21h45

 

 

Falar em saudade, é falar no Pinheiro. Falar em comunidade unida, é falar no Pinheiro. Falar em tempos bons, é falar no Pinheiro. Falar em nostalgia, é falar no Pinheiro. Falar em falta de saneamento e em esquecimento por parte do governo, é falar principalmente do Pinheiro.

O bairro do Pinheiro teve vários momentos históricos que não podemos esquecer, como por exemplo as construções das Igrejas Batista e a Igreja Menino Jesus de Praga (essa construída pela comunidade).

Os conjuntos residenciais Jardim das Acácias e Divaldo Suruagy, foram uns dos primeiros no bairro com moradias verticais populares, e foram construídos sob a “fiscalização” de todos que moravam pela redondeza, e que assim como eu, saiam de casa após o almoço, para admirar toda aquela movimentação de pessoas e equipamentos em uma tão grande construção.

Pinheiro, que podemos sim, destacar a linda Praça Arnon de Melo, que foi construída na frente da casa de meu grande amigo André (maracujá), onde por diversas vezes, íamos nos finais de tardes, conversar e dar tempo ao tempo.

O bairro do pinheiro, sempre foi munido de tudo o que precisávamos, ali nunca faltou mercadinhos, panificadoras, farmácias, feira, enfim, um local que lhe dava totais condições de viver bem, sem precisar se deslocar para o centro. Imaginem vocês que até local para alugar bicicleta tinha, e era bastante concorrido e respeitado, pois nunca ninguém levou uma bicicleta do Sr. Pedro e não devolveu.

Falar do Pinheiro, é relembrar das disputadas, mas leais, partidas de futebol entre o Palmeiras da Rua Belo Horizonte, onde eu jogava, com o Ajax da parte de cima do Mutange. É recordar da venda do Sr. Fernando, que mesmo sendo situada na Belo Horizonte servia como referência para se comprar tudo o que precisávamos.

Falar do Pinheiro, é saber hoje, que naquela época (anos 80), ou talvez até antes, o mísero “cupim de aço” já estava comendo tudo, nas escondidas, por baixo de nossos pés e nunca foi divulgado por nenhum órgão de fiscalização. Existiam, naquela época, muitos sonhos a ser realizados, mas agora viraram pesadelos por conta da ganância e irresponsabilidade do capitalismo cruel e escroto.

Essa esmola que estão oferecendo, diante de todo o lucro que as partes mais interessadas e privilegiadas tiveram, não significa nada para um cidadão que investiu tudo o que tinha e que não tinha, para ter um mínimo de dignidade e para viver a sua vida ao menos com um lugar considerado seu.

Infelizmente esse tipo de doença maligna, que infectaram o nosso subsolo, se fosse antes, diagnosticado por um grupo de “médicos” honesto e descentes, talvez agora a situação não estivesse tão desesperadora, pelo contrário, estaríamos todos continuando uma linda história que certamente tão cruel terá o seu fim.

 



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