Por que deveria ter medo?


Marcio Santana

04/11/2019 06h44

 

 

Pelo fato de ser apenas mais um formador de opiniões. Por acreditar que a sacanagem ainda pulsa nos quatro cantos (não os de Olinda). Por ter certeza que amanhã ainda vai ser pior do que foi hoje. Por imaginar que tudo poderia estar diferente, se não fosse aquele famigerado voto. Por achar que aquele “fidirapariga” que me alertou, estava certo. Por entender que o lugar do galo é mesmo na série B. Por perceber, agora, que o CSA nunca deveria ter saído da série D (ou inveja da porra). Por aceitar o fato de que aqui em Alagoas, a pior desgraça ainda é a ignorância política e o grande curral eleitoral.

Saio de casa, entro no carro, fecho os vidros (fumê escuro), e aí começa a surgir, no trajeto até a redação, diversos exemplos do verdadeiro medo. É um garçom todo arrumado vendendo água no cruzamento mais movimentado da cidade. É uma jovem belíssima fazendo malabarismo com facas afiadas. É um jovem desesperado deixando sacos de jujubas nos retrovisores e ninguém, inclusive eu, se habilita a ajudá-lo. É uma equipe da prefeitura retirando, mais uma vez, um carrinho de água de coco de uma calçada na Jatiúca. É um grupo de crianças procurando por pedrinhas, antes fosse para “jogar pedras”, mas são aquelas pedrinhas.

Essa atual situação que estamos vivenciando, não nos permite nem ao menos pensar em falar a verdade, denunciar a mentira, acreditar no que é certo. Desejar o que há de melhor para essa legião de miseráveis, é o mesmo que acreditar que um dia o fanatismo ideológico (político/religioso), será superado pela razão.

Não adianta vir com aquela velha baboseira de dizer que você tem medo do futuro dos seus filhos e netos, quando hoje, você é o primeiro a cagar fora do penico e achar que não faz parte dessa banda podre e covarde que insiste em assolar a sociedade. O nosso medo - diante de uma realidade que insistimos em fechar os olhos - não significa nada para quem já não o tem, e é justamente aí o ápice da crueldade de um delinquente.

Em um passado não muito distante, os nossos medos eram contados a dedo, tínhamos medo (respeito) do olhar ameaçador dos nossos pais, de levar uma bronca da professora, de ser parado em uma blitz, mesmo estando todo certo, de receber um fora de uma paquera, de receber o boletim no colégio, da fila para tomar a vacina com aquela pistolinha, enfim, tínhamos o medo daquilo que realmente nos causava medo e não do que estaria por vir com a evolução da humanidade (bichos escrotos).  

 



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