Formação do grupo de 10 vereadores incomoda prefeito Júlio Cezar


Roberto Gonçalves

04/08/2017 11h01

Carlos Alberto Jr – Jornal de Arapiraca

Desde a formação, ou união, de um grupo de 10 vereadores autodenominados como da base aliada o prefeito de Palmeira dos Índios, Júlio Cezar (PSB)em torno do vereador Agenor Leôncio (PSB), visando as eleições da próxima Mesa Diretora que assumirá apenas em 2019, o gestor municipal vive dias tensos, a ponto de classifica-los publicamente como “patota”.

O grupo é composto pelos vereadores Abraão do BMG (PRTB), Cristiano Ramos (PDT), Fábio Targino (PEN), Joelma Toledo (PMDB), Maxwell Feitosa (PMN), Madson Monteiro (PHS), Pedrinho Gaia (PMDB), Ronaldo Júnior (PROS) e Val enfermeiro (PMN), além do próprio líder. Já o atual presidente da Mesa Diretora, Júnior Miranda (PSL), Adelaide França (PMDB), Toninho Garrote (PP), Dindor (PRTB) e Fabiano Gomes (PSC) continuam “unidos”.

Na última semana, durante um evento da Prefeitura em praça pública, Júlio Cezar iniciou oficialmente seus ataques contra os parlamentares municipais que reclamaram por não serem mais atendidos pelos secretários municipais.

“Não espero coisa boa. Não espero coisa boa! Aquela patota não é para trabalhar comigo e não é para ajudar Palmeira. Vocês vejam nos próximos dias ou nas próximas semanas. Quem quer trabalhar com o prefeito, quem quer trabalhar com o governo, dá às mãos com o governo. Vem junto comigo trabalhar com Palmeira. Não fica de patota tirando fotos. Porque vereador não foi feito para ficar em rede social, não. Inclusive, tem um do meu partido que é o Agenor [Leôncio]. Eu disse pra ele: Não estou satisfeito com a patota que está sendo feita na Câmara Municipal”, desabafou o prefeito.

Indignação e respostas

Indignados, os vereadores chamados de “patota” desabafaram durante a sessão ordinária realizada na última quarta-feira (2), o que alimentou ainda mais a polêmica e movimentando o cenário político palmeirense. Agenor Leôncio mostrou-se indignado com o desabafo do prefeito. Para quem não lembra, o vereador foi o principal incentivador da candidatura de Júlio Cezar à Prefeitura chegando a mudar de legenda partidária e levar um safanão do então prefeito James Ribeiro durante a campanha de 2016.

Leôncio, durante seu pronunciamento na Tribuna, mandou recado ao gestor municipal chegando a chamá-lo de “ingrato e covarde”. “Prefeito Júlio Cezar, um prefeito que ajudei a eleger; um prefeito que eu fiz por ele o que jamais faria por mim. Saí de um partido para dar sustentação a ele quando, naquele momento, se sentia fragilizado. Gratidão são poucos que sabem o que é isso. Prefeito, foi ingrato com o vereador Agenor Leôncio. Vereador que deu o sangue. Hoje está prefeito, mas tenho certeza que deve ao Agenor Leôncio, uma das pessoas que abraçaram sua causa. Estou triste por ter ajudado muito esse moço que teve a coragem e a petulância de dizer que sou líder dessa patota. Um prefeito que vai na via pública e chama os vereadores que dão sustentação a ele de patota, mostrou o grau de incompetência”, desabafou.

Em outro trecho do discurso, o vereador afirmou que Julio “prometeu coisas mirabolantes. Nunca pedi a ele nada. Se ele tiver a petulância de dizer que pedi é mentira. Covardia tem limite! Jamais seria capaz de pegar o microfone pra dizer que vocês [vereadores] são patotas. Não é fácil pra mim que me dediquei aquele moço, que hoje é prefeito desta cidade. Estou magoado! Mas vai chegar o momento que vou conversar de homem pra homem, olho no olho e com a presença de vocês”, finalizou Agenor Leôncio.

Amenizou

Em entrevista ao Jornal de Arapiraca momentos após a agitada sessão, o vereador preferiu amenizar o discurso. “Fomos destratados publicamente pelo prefeito. Foi uma declaração medíocre e desapropriada. Jamais fomos oposição. Queremos respeito dele”, frisou.

Já o vereador Toninho Garrote reforçou que o prefeito já não recebia os 10 vereadores. “Sabemos que ele tentou ‘comprar’ alguém do nosso grupo, com a finalidade de enfraquecê-lo. Queremos uma retratação. Ainda somos da situação”, destacou.

O vereador Cristiano Ramos afirmou que “no frigir dos ovos, ninguém se manifestou contra o prefeito. Nenhum dos 15 vereadores é contra o prefeito. Achei que foi uma besteira o que ele fez, tratar amigo como inimigo. Ele destratou os aliados. O que existe é muita fofoca na Câmara. Todos tentamos ajudar. Sabemos que ele pegou a Prefeitura com dificuldades. Vereador não é para andar embaixo da ‘asa’ de prefeito”, pontuou.

E o vereador do PDT continuou com seu desabafo. “Meu prazer é estar ao lado do Julio. Ele tem que aprender a ouvir e filtrar tudo para se expressar de forma conciliadora para o bem do povo”, recomendou.

Um dos mais magoados, o vereador Maxuel Feitosa classificou as declarações do prefeito como “errôneas”. “Atingiu pessoas que sempre deram sustentação a ele. Votei nele, minha família votos nela. Tudo o que pediu à Câmara foi aprovado por unanimidade. Se o governo der certo, a Câmara também ficará bem. Não guardamos mágoa, afinal todo mundo erra. Quero que ele se retrate. Não temos intenção de ser oposição. Estamos juntos, sim, mas o objetivo é o coletivo e ajudar Palmeira”, explicou ao Jornal de Arapiraca.

Por fim, o vereador Agenor Leôncio falou que “somos amigos do governo, do povo de Palmeira. Queremos passar uma borracha nessa história”, concluiu.

Jornal de Arapiraca manteve contato com a assessoria de comunicação do prefeito na quarta-feira (2). A resposta foi dada na quinta-feira. “O prefeito gosta de responder ele mesmo esse tipo de coisa”. A reportagem tentou, a pedido da assessoria, manter conversar com Julio Cezar, no entanto, ele estava em compromissos políticos na capital alagoana e seu telefone estava desligado. Até o início da noite de ontem, não obteve nenhuma resposta.

 



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