Entretenimento

Alceu Valença canta seus maiores sucessos em Arapiraca neste sábado


Cinara Correa
Fonte: Redação

24/10/2017 09h23

Um dos ícones da música brasileira, o cantor e compositor pernambucano Alceu Valença se apresenta neste sábado, 21 de outubro, a partir das 21h, na Ilha do Pirá, em Arapiraca. O espetáculo certamente irá atrair um grande público, reunindo diversas vertentes de um artista capaz de reciclar inúmeros gêneros da MPB, em canções que traduzem o Nordeste para o Brasil e o Brasil para o mundo. Do Sertão e do agreste de Pernambuco - onde nasceu e adquiriu suas primeiras influências - Alceu recria os mestres Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro em baiões, xotes e cocos atemporais como “Vem Morena”, “Baião”, “O Canto da Ema”, “Sabiá”, “Xote das meninas”. O frevo, a ciranda e o maracatu abrem caminho para desfilar o “Bicho Maluco Beleza”, o “Diabo Louro”, o “Hino do Elefante” e a “Ciranda da Rosa Vermelha” pelas ancestrais ladeiras de Olinda. “Voltei Recife”, “La Belle Du Jour” e “Pelas Ruas que Andei” também cantam a capital pernambucana. Entre os grandes sucessos do compositor, estão as que ultrapassam gerações e fronteiras da música brasileira, como “Tropicana”, “Como dois animais”, “Solidão”, “Girassol”, “Coração Bobo”, “Anunciação”, “Estação da Luz”, “Embolada do Tempo”.

Cantor conviveu com elementos que consolidaram a cultura do Nordeste

Nascido em São Bento do Una, no estado de Pernambuco, no dia primeiro de julho de 1946, Alceu Paiva Valença cresceu em convívio direto com os elementos vivos que ajudaram a consolidar a cultura do Nordeste profundo. Pelo canto dos aboiadores, emboladores, violeiros e cantadores de feira. Pelas toadas, baiões, xotes e rojões, cantigas de cego, tocadores de sanfona de oito baixos e os poetas de cordel, versejadores populares, artistas de circo, entre outras manifestações que conhecera desde o berço, Alceu assimilou a cultura e a música do agreste e do sertão a partir das raízes que a constituíram. Na Fazenda Riachão, onde passou a primeira infância, acostumou-se a observar as tertúlias e encontros musicais e poéticos que o avô costumava promover. Aos sete anos, mudou-se com a família para a fria e serrana Garanhuns, e em seguida para Recife. Na Rua dos Palmares, no centro da capital pernambucana, viu descortinar-se à sua frente a cultura da zona da mata, dos canaviais e do litoral. Conheceu os blocos de frevo, os grupos de maracatu e ciranda. Conviveu com personalidades como o maestro Nelson Ferreira e os poetas Carlos Penna Filho e Ascenso Ferreira, amigos de seu pai, o ex-deputado Décio de Souza Valença. Na adolescência, Alceu assimilou a poesia urbana e contemporânea, o cinema de autor, adquiriu o gosto pela política e as questões sociais. Uma de suas primeiras influências, enquanto a revolução de costumes dos anos 60 se processava, era assistir aos filmes da Nouvelle Vague francesa e do Neo Realismo italiano, nas matinês do |cinema São Luís, em Recife. Adquiriu o gosto pela música e ganhou um violão de presente de sua mãe, dona Adelma, escondido do pai, que não queria ver o filho metido em rodas de cantoria.

Depois da faculdade de Direito, vida em Massachusstes

Em 1965, passou para a Faculdade de Direito do Recife. Sem maiores pretensões, inscreveu-se num concurso promovido por uma associação americana que oferecia um curso de três meses na Universidade de Harvard, ponta-de-lança da prestigiada Ivy League, a liga dos principais centros acadêmAlceu (Yanê Montenegro)icos dos EUA. Sem saber uma palavra de inglês, o jovem estudante elaborou uma redação que comparava o Marxismo com a Igreja e apontava poeticamente as contradições das ideologias políticas em voga. Acabou aprovado e aportou em Fall River, Massachusetts, onde teve aulas e assistiu palestras com figurões proeminentes da conservadora política de estado americana. Com um faro incorrigível para a rebeldia, aproximou-se dos estudantes de esquerda e chegou a parar numa reunião do grupo ativista Panteras Negras, em Boston. Enquanto o mundo assistia Neil Armstrong pisar à Lua e o movimento flower power saltar de Woodstock para o seio da classe média internacional, Valença ia para as praças cantar seu repertório de xotes, emboladas, baiões , martelos agalopados e acabou adotado pelos hippies locais. O burburinho cresceu até que um jornal local entrevistou o artista. No dia seguinte, a matéria estampava, em inglês: “Alceu Valença, o Bob Dylan brasileiro”, considerando seu repertório absolutamente regional como uma derivação folk dos protest songs que proliferavam na face mais contestadora da América.

Em 1972, a exibição do lado de Jackson do Pandeiro e Geraldo Azevedo

De volta ao Recife, forma-se em Direito e começa a inscrever suas primeiras músicas nos Festivais da Canção. Em 1970, muda-se para o Rio, em busca de um lugar ao sol no então incipiente show business brasileiro. Dois anos depois, exibiu-se ao lado de Jackson do Pandeiro e Geraldo Azevedo no Festival Internacional da Canção, onde sua embolada “Papagaio do Futuro” foi desclassificada, mas despertou a curiosidade de uma juventude radicalmente antenada.

Parceria
A CENSURA - Gravou seu disco de estreia, em parceria com Geraldo Azevedo, o que lhe valeu os primeiros problemas com a censura. Uma das canções dizia: “Joana, me dê um talismã / Você já pensou em mais eu viajar?”. O censor convocou o poeta e passou-lhe um sabão: “Joana quer dizer marijuana e a marijuana é proibida no Brasil. Além disso, sua letra fala em viajar e isto é uma alusão a erva maldita”. Totalmente refratário ao uso de drogas leves ou pesadas, Alceu contestou o irascível guardião da soberania nacional e tirou da manga uma alternativa menos esfumaçada: “e se eu mudar para Diana, a caçadora, pode?”. Conseguiu a autorização e o tempo se encarregaria de fazer da canção um clássico.

Serviço:

Show Alceu Valença – Tour 2018 “Anjo de fogo”

Data: 21 de outubro, a partir das 21h

Local: Ilha do Pirá

 Ponto de vendas: Ilha do Pirá

Informções: (82) 9.9952-2157 / 9.9136-1726

Foto: Divulgação


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