Entretenimento

Museu e centro de referência do Rio São Francisco será instalado


Fernando Vinicius
Fonte: Redação

02/03/2018 10h27

O Rio São Francisco tem curso que atravessa cinco estados, entre eles Alagoas, unidade da federação selecionada para o funcionamento do Centro de Referência do Homem do Rio São Francisco e do museu do Velho Chico.

Tão longo quanto seu percurso, das nascentes em Minas Gerais, ao encontro do rio com mar, entre Alagoas e Sergipe, é todo o processo burocrático para efetivar a criação de mais um importante atrativo turístico para a Terra dos Marechais, casa de memória a ser instalada em Penedo, cidade cujo porto abriu caminhos para descobertas e conquistas do Brasil colonial.

Por determinação da Fundação Casa do Penedo, instituição que conserva o mais rico acervo sobre a região do Baixo São Francisco, a casa cultural vence o processo de licitação proposto pelo governo federal. No final de 2005, o Ministério da Cultura aprova o projeto no valor de R$ 2.500.000,00, sendo assinado em maio de 2006 o contrato de financiamento pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no valor de R$ 1.581.050,00.

A princípio, as instalações do centro de referência e do museu ocupariam a sede do Clube de Caça e Pesca de Penedo (Capespe), entidade que praticamente realiza um evento por ano (a tradicional gincana penedense de pesca, realizada na Praia do Peba) e ocupa um casarão de destaque, com térreo destinado ao funcionamento de um restaurante administrado por empresário local.

O imóvel situado no Centro Histórico de Penedo pertence ao município e tem localização privilegiada, com vista para o rio, sendo vizinho do Museu do Paço Imperial e da Igreja da Corrente.

Contudo, a proposta esbarrou na burocracia municipal. Segundo esclarecimento publicado por Francisco Sales em rede social da Fundação Casa do Penedo, “os trabalhos de elaboração do projeto sofreram o primeiro atraso em função da demora, por parte da prefeitura, na localização dos documentos relativos à propriedade do imóvel com ela negociado, e sua posterior liberação para assinatura do termo de comodato”.

Para enterrar de vez a ideia de dar novo uso ao casarão do Capespe, o governo que assumiu a prefeitura em 2009 alegou “que não foram observados (pela administração que a antecedeu) os requisitos necessários para a utilização de bens de propriedade do município. Tal entrave acarretou num longo e exaustivo trabalho para a Fundação Casa do Penedo, a quem coube a tarefa de refazer todo o projeto para excluir o prédio do Capespe e, consequentemente, reordenar as planilhas de custo anexadas ao projeto original submetido ao BNDES”, relata Francisco Sales.

A mudança de rumo no projeto levou o museu e o centro de referência para o Chalé dos Loureiros, imóvel de características ecléticas e um marco no processo de urbanização em direção à parte alta de Penedo.

Em ruínas, o chalé erguido em 1889 pelo engenheiro sanitarista Joaquim Loureiro – também responsável por realizar as primeiras obras de saneamento na cidade – começa a ser recuperado em 2009, com a primeira liberação parcial dos recursos do BNDES, o que também viabilizou a contratação do projeto arquitetônico posteriormente aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), cuja superintendência em Alagoas acompanha e apoia todo o processo

Vencedora na licitação, a empresa Concreta Tecnologia em Engenharia Ltda. Reestrutura o imóvel, inclusive instalando “manta especial de fibra de vidro e nova coberta em placas planas de ardósia”, frisa Sales sobre o projeto de restauração que atende os aspectos originais de construção do imóvel.

Até agosto de 2010, todo o projeto de restauração e conservação de madeiramentos estruturais de todo o edifício foi executado.

Dos R$ 2.500.000,00 previstos para o projeto, Francisco Sales informa a destinação de R$ 1.581.050,00, valor insuficiente para concluir o restauro integral do imóvel ocupado de 1914 a 1933 por Fernando da Silva Peixoto, empresário dos ramos têxtil e de navegação.

Membro da família tradicional penedense, ele adornou ambientes internos e externos com pinturas que imitam mármores ou com paisagens, uma moda importada da Europa no início do século XX também encontrada em outras casas antigas de Penedo.

Registros em fotografias mostram a realização de baile de máscaras, fotos de membros da família Peixoto no Chalé dos Peixotos e até o que hoje é chamado de ostentação: imagens em automóveis que somente a classe rica poderia adquirir.

Sem recursos, a obra é paralisada até 2015, hiato marcado pela inclusão do imóvel no do Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas, o PAC das Cidades Históricas. Executado pela prefeitura de Penedo, com recursos do Iphan, o investimento já recuperou imóveis como o Theatro Sete de Setembro e as sedes do Montepio dos Artistas e do Círculo Operário. Em obras estão a requalificação da Avenida Floriano Peixoto e o Cine São Francisco, este em processo de adaptação para funcionar como Centro de Convenções. Ao mesmo tempo, o Museu do Rio do São Francisco e o Centro de Referência do Homem do Rio São Francisco ganharam novo fôlego com a proximidade da conclusão do Chalé dos Loureiros, espaço visitado pelo governador Renan Filho no início da semana e também por comitiva do BNDES.

Agraciado com a medalha Mário de Andrade, honraria concedida pelo Iphan, Francisco Sales abre novas frentes de trabalho: equipar a Vila dos Lessa, casarão que vai abrigar a Fundação Casa do Penedo e seus acervo de 60 mil livros, obras raras, mapas, impressos, fotografias, uma diversidade de peças e tantas outras obras de arte. E para o Museu/Centro de Referência, a necessidade de ampliar o arquivo para além das fronteiras do Baixo São Francisco. Para tanto, articula a realização de expedição, até Minas Gerais, com objetivo de captar material, principalmente filmagens, fotografias, depoimentos e documentos relacionados à temática do projeto.

 

Foto: Divulgação


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