Entretenimento

Sem verba pública, rádio comunitária luta para sobreviver em Arapiraca


Carlo Bandeira
Fonte: Redação

13/07/2018 12h26

Rejane Barros é mais uma entre tantas das muitas pessoas que lutam por uma comunicação livre e sem contaminação de interesses que não sejam apenas interesse da coletividade, da comunidade.

“Eu sou ex-interna da casa da menina. Morei dos 14 aos 19 anos no abrigo. Padre Aldo foi e é a minha referência de pai.

Desde a fundação da rádio em 2000, eu estou lá. Era curiosa, queria aprender, falar no microfone. Enfim, fui me apaixonando e tomando gosto. Em 2009, cursei radialismo em Penedo, e desde então estou na presidência da rádio. Ele partiu para o plano celeste e me confiou a missão de continuar o trabalho na comunicação comunitária.

Aliás, de 2009 a 2015 era diretora de programação. De 2015, até hoje, estou na presidência, e lhe dando com todos os problemas que há na comunicação comunitária”, revelou Rejane Barros.

“A voz do povo A voz de Deus”, 105,9 FM, em Arapiraca, hoje, é um exemplo de comunicação comunitária patrocinada pela própria comunidade e poucos pequenos empresários do bairro Capiatã. Estamos falando da Rádio comunitária “A voz do povo A voz de Deus”, fundada pelo conhecidíssimo e admirado Padre Aldo, grande defensor das crianças desprotegidas e das comunidades menos favorecidas.

A rádio foi instalada em 2001, pela Associação de Radiodifusão do Capiatã, que era mais uma das instituições assistida por ele, pelo Pe. Aldo.

Hoje, a realidade para se manter uma comunidade bem informada, sem interferências de grupos políticos, com informação que realmente interesse às necessidades da população, atualmente, encontra-se muito difícil a manutenção da programação.

Rejane Barros, uma das meninas da Casa das Meninas, instituição cuidada pessoalmente pelo Pe. Aldo, herdou a responsabilidade de continuar a missão daquela rádio.

Rejane se orgulha em dizer que; Essa rádio quem mantém é o nosso associado, as pessoas da comunidade, que contribuem mensalmente para funcionamento da rádio.

Segundo a diretora da Rádio, A voz do povo A voz de Deus, e integrante da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, seção  Alagoas, (ABRAÇO-Al) afirma que a legislação das comunitárias traz muitas amarras, que não permitem que a verdadeira informação de interesse público venha se consolidar.

A burocracia é imensa, as exigências são maiores ainda. O tempo que se leva para outorgar um veículo de comunicação comunitária, em vários casos, há mais de dez anos de processos e mais processos para legalização.  

A comunicação, sobretudo, de interesse público, é um direito e garantia fundamental, regido pela Constituição de 1988, ferramenta imprescindível para o comportamento, educação, cultura e desenvolvimento de uma sociedade.

Aqui no Brasil, especialmente, a  comunicação pública e privada é patrocinada por poucos nomes que são os agraciados com a “infinita maioria” das concessões públicas do sinal de radiodifusão, ou seja, ondas de radiofrequência, sinal que transmite  conteúdos em rádios e Tvs. Isto, sem falar da comunicação impressa, via jornais, revistas etc., que também é dominada por grupos economicamente fortes. Poucos veículos de comunicação independentes conseguem sobreviver.

O mais grave é a falta de atenção e estímulo que o próprio poder estatal oferece às rádios comunitárias. Tanto a Prefeitura Municipal de Arapiraca como a Câmara de Vereadores se negaram a participar, com um apoio cultural, para o desenvolvimento da programação local, alegando que o regime jurídico das rádios não permite qualquer tipo de apoio financeiro.

Ora, a comunicação comunitária é regida por uma organização privada de interesse público, as famosas ONGs. Ora, a Prefeitura contrata algumas OSCIPs, ONGs, e repassa milhões de dinheiro público, sem licitação. Pra isso, a prefeitura tem dinheiro. Porém, para um direito constitucional, o direito a publicidade e conhecimento das políticas públicas, de entretenimento, manutenção e desenvolvimento cultural sem maquiagens, a primeira instituição a dar exemplo é a primeira a afastar esse direito da população. Pois, só interessa aquilo que é bom para o grupo que está no poder. Aos interesses da coletividade, ao acompanhamento da administração federal, estadual e municipal, são oferecidas as negativas de apoio, com desculpas deslavadas e sem escora jurídicas. Mas o poder é o poder.

Enquanto a comunicação estiver sob a guarda dos poderosos, a democracia continuará na UTI, beneficiando as minorias econômicas.

Mas a luta continua. É a nossa união é a chave do nosso sucesso, do sucesso ao direito que queremos outorgar à comunidade, finalizou Rejane Barros.

     Assim vivem as rádios comunitárias de todo o Brasil, principalmente, as nossas rádios comunitárias alagoanas, que são poucas, mesmo assim, estão na maioria das vezes sendo usadas por políticos que se apropriam de concessão pública para deter o domínio da informação, e ainda garantem o sustento de suas “rádios comunitárias”, justamente, com aquele dinheiro público que é negado aos verdadeiros agentes da comunicação de interesse público, pessoas como Rejane Barros e tantos outros sonhadores, que lutam por mais direitos para nós, os pobres mortais, o povo brasileiro.

 

Foto: Divulgação
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