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Maceió tem mais de 100 áreas para mergulho e moradores desconhecem


Fonte: Tribuna Independente / Texto: Evellyn Pimentel

22/09/2018 20h12

As águas cristalinas e mornas da capital alagoana oferecem mais de 100 pontos de mergulho que incluem paisagens como naufrágios, recifes de corais e diversidade de animais marinhos. Mesmo assim, a atividade é considerada pouco explorada pelos maceioenses. Segundo dados de uma escola de mergulho da capital, 80% dos mergulhos são realizados por turistas.

A instrutora de mergulho Fernanda Paiva diz que entre seus clientes, a participação local é bastante reduzida.

“Isso é uma coisa que a gente vem trabalhando ultimamente, que é trazer o maceioense para o mergulho. Infelizmente, o maceioense ainda não pratica muito. É uma atividade com pouco acesso, muitos não sabem dessa atividade e quem mais pratica são os turistas, 80% dos praticantes são de fora”, explica.

Fernanda atribui essa característica a fatores como a falta de integração da população com as belezas naturais.

“Para mim são dois fatores, o primeiro é a informação. Pouca gente sabe que o mergulho existe e que é muito bom, hoje temos um dos melhores pontos de mergulho do Brasil, com áreas com muita vida marinha… São mais de cem pontos acessíveis para mergulho. E o segundo fator é a relação do maceioense com seus recursos naturais, que é de aproveitar mais os recursos naturais do estado. Ele sabe que é o litoral mais bonito do Brasil, mas acho que falta se relacionar mais com ele”, acrescenta.

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A partir de cinco metros de profundidade já é possível ver espécies (Foto: Arquivo pessoal)

Quem também compartilha da mesma opinião é o professor universitário Walter Ananias, de 51 anos. Ele pratica o mergulho autônomo como hobby há mais de vinte anos. Além disso, possui três cursos e 110 mergulhos no currículo, cerca de 60 destes em Maceió.

“Em todo esse tempo conheço pouca gente aqui que faz. Talvez o número de pessoas que fazem pesca submarina do que as que praticam mergulho. Tanto pela desinformação, quanto pelo alto custo do hobby, que não é um dos mais baratos. Requer investimentos. Apesar de termos um litoral muito propício para a atividade de mergulho, com muitos pontos, eu noto que para o maceioense é pouco incipiente”, pontua.

PERTENCIMENTO

O titular da Secretaria Municipal de Turismo de Maceió (Semtur) Jair Galvão  avalia que o consumo turístico neste tipo de atividade acaba contribuindo para a população local “descobrir” os atrativos.

“Muitas vezes é preciso vir de fora, é preciso o visitante vir e dizer: Nossa, como sua casa é bonita! Porque às vezes as pessoas não se atentam. O Turismo ajuda a chamar atenção para essas coisas. A despertar atenção para as possibilidade de utilização dos ativos naturais e culturais também. Acho que aos poucos a gente vai conseguindo esse usufruto maior, maior valorização e maior cuidado”, destaca.

Segundo Galvão, um fator preponderante na questão é o pertencimento. “É preciso tomar para si essa maravilha que é deles, que é de todos nós. Infelizmente ainda temos registros de até crianças que nunca viram o mar. Nós temos um projeto, o Turismo do Saber que leva o ensino do Turismo nas escolas e encontramos isso. Precisa haver essa exposição e consciência que as praias são de todos e precisam ser usufruídas. O mergulho é uma atividade que ajuda a dar visibilidade, porque muitas pessoas não sabem que as águas de Maceió chegam a ter uma visibilidade comparada a de Fernando de Noronha. Quando na verdade é na vizinhança.”

Batismo é opção de preparação para iniciantes

Segundo Fernanda Paiva, para quem deseja se aventurar no mergulho a indicação é começar pelo chamado “batismo”. Que nada mais é que um mergulho inicial orientado e guiado por um instrutor. Em Maceió, a Piscina do Amor, no mar de Pajuçara é uma das áreas mais visitadas.

“A experiência mais indicada para quem não tem curso é o batismo de mergulho. A pessoa assiste um vídeo, uma palestra na embarcação, onde ela vai aprender as técnicas básicas da atividade, o que pode ou não fazer debaixo d’água. A pessoa faz um aula em águas rasas para se habituar ao equipamento, às técnicas de respiração para poder fazer o mergulho em si. O mergulho dura 30 minutos acompanhado de um instrutor”, detalha.

A partir dos oito anos já é possível realizar o batismo, explica Fernanda. A instrutora afirma ser  necessário apenas informar possíveis problemas de saúde. Grávidas não podem realizar a atividade.

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Fernanda diz que todos podem praticar: “Exceção apenas para grávidas” (Foto: Edilson Omena)

“Muita gente pergunta se todo mundo pode mergulhar e eu respondo que sim. A gente pede apenas que preencha um formulário e no caso de algum problema de saúde que traga um atestado médico. A exceção é apenas para grávidas. Como não há nenhum estudo que indique os efeitos da pressão que a gente recebe no mergulho em grávidas a gente orienta a não fazer, em qualquer período da gestação”, explica.

E mesmo quem não é tão bom nadador pode mergulhar. A partir de cinco metros de profundidade já é possível ver as espécies. O mergulho para iniciantes vai até 18 metros de profundidade.

“Precisa se sentir confortável na água, não pode ter medo. A pessoa precisa se sentir bem na água e saber nadar é saber bater os braços, ou nadar cachorrinho, não precisa de nenhuma habilidade especial ou muito maior que isso”, aponta.

Para quem deseja se tornar adepto do mergulho, a opção é realizar os cursos que vão desde o nível inicial até o profissional. Com a capacitação, o mergulhador recebe uma credencial e fica habilitado para mergulhar em qualquer lugar do mundo.

Mergulhador incentiva família a desenvolver hobby

Walter conta que sempre teve uma relação muito próxima com o mar e desde a infância realizava mergulhos em apneia, mesmo sem técnicas. Na década de 1990 a paixão pelo mergulho foi ainda mais estimulada após realizar um curso básico em Porto Alegre (RS) durante um período em que morou lá.  E atualmente realiza a quarta especialização na área, o curso para Dive Master.

Mesmo com tanta experiência – o curso atual é o início de uma profissionalização na área -, ele afirma que o mergulho é uma paixão e que não tem interesse em transformar isto em um projeto.

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Walter Ananias e a esposa; ele incentivou também as duas filhas a realizarem a experimentação na atividade (Foto: Arquivo pessoal)

“Tem gente que tem menos tempo e aproveitou muito mais do que eu. Eu não consigo, com tantas atribuições do dia a dia desenvolver a constância da forma como eu gostaria. Apesar de que para mim o mergulho é e sempre foi lazer, não penso em desenvolver profissionalmente ou como uma linha de pesquisa. Para mim sempre foi hobby”, destaca.

E o amor é tanto que Walter conseguiu influenciar a esposa e as duas filhas, Giovanna, de 12 anos, e Mariana, de 15 anos, a realizarem o “batismo”. Uma espécie de experimentação da atividade. “Minhas filhas já fizeram um batismo na piscina do amor. E o motivo é simples: se minha família mergulhasse abriria boas possibilidades de mergulho em locais maravilhosos. Não forço a barra, mas com certeza se elas se engajassem na atividade, uma viagem para o Caribe, ou Noronha, seriam com maiores possibilidades. Conciliar viagem, família e mergulho é mais complicado quando apenas um pratica a atividade”, diz.

 



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