Esportes

Diretoria do ASA negocia dívida de mais de R$ 1 milhão com o técnico Vica


Cinara Correa
Fonte: Redação

20/10/2017 12h27


A diretoria do ASA está tentando negociar a dívida de R$ 1 milhão e 300 mil que o clube está devendo para o técnico Vica (José Luis Mauro), que foi campeão alagoano de 2009 e 2011, vice-campeão alagoano em 2010 e vice-campeão da Série C em 2009, levando o clube à Série B em 2010.

Em entrevista ao radialista Ailton Avlis, na rádio Pajuçara, em Arapiraca, a gerente Administrativa do clube, Pollyana Fonseca, especialista em gestão de marketing, disse acreditar em uma negociação positiva nessa causa, “porque o técnico Vica tem um carinho pelo ASA e pela cidade de Arapiraca”, alegou.

Polyanna espera contar com o apoio não apenas de torcedores, mas do empresariado local, para ajudar a reerguer o clube, que desceu para a Série D do Campeonato Brasileiro, após uma campanha não muito positiva na atual temporada. Só para se ter uma ideia, a média de público foi de apenas 900 torcedores por partida. “Precisamos de um empresariado que ajude, que saiba que a marca dele será vista não apenas nas emissoras da televisão, mas também nos sites, redes sociais e nos jornais impressos e que também será divulgada pelas e emissoras de rádio. O ASA  é muito grande e acredito que essa descida serviu de alerta, para que os pontos negativos fossem mostrados. Estamos vivendo uma nova fase e eu associo o ASA a uma marca local. Quando fui contratada, em novembro do ano passado, deixei bem claro que o ASA não é nosso. O ASA é gigante; temos uma série de acionistas e quem não tiver verba, venha conversar conosco. Seu alcance é imenso”, afirmou.

A Numer, uma das patrocinadoras da farda do clube deixou o ASA e, na Série D, não existe ajuda da CBF, lamentou a gerente, lembrando que confia plenamente não apenas do presidente, Nelson Filho, como em toda a assessoria jurídica, mas também no diretor de Marketing, Sérgio Lúcio. “Confio no trabalho de toda essa diretoria; atualmente o ASA não tem condições de pagar um elenco com altos salários; nosso desafio é grande; temos valores altos para pagarmos em causas trabalhistas, mas estamos realizando um trabalho sério, para não termos complicações lá na frente”, argumenta, adiantando que o clube já possui certidão negativa do INSS, restando apenas a do FGTS, para garantir patrocinadores.

A Prefeitura de Arapiraca e o Governo do Estado também necessitam dessas certidões para auxiliarem o clube.

Polyanna acredita que a certidão negativa do FGTS seja liberada ainda este ano. A Prefeitura disponibilizou R$ 100 mil até dezembro, valor que ainda não foi liberado, justamente porque a administração municipal não pode pagar sem a certidão negativa. “Não se faz futebol sem dinheiro; estamos trabalhando para conquistar a outra certidão, para podermos oxigenar e trabalharmos sem preocupação”, resumiu.

 

A HISTÓRIA

No dia 25 de setembro de 1952, o empreendedor Antônio Rocha criou a Associação Sportiva de Arapiraca, o ASA. Com as cores do antigo Ferroviário, o clube estreou no Campeonato Alagoano de Futebol Profissional em 1953. Logo na estreia, a equipe chegou à decisão do Estadual e, por desistência do clube da capital, que se recusou a disputar a finalíssima, o time de Arapiraca sagrou-se campeão da competição.

Durante as décadas de 60 e 80, o ASA passou a ser conhecido, também, pelo apelido de Fantasma das Alagoas, em razão as excursões feitas pela equipe arapiraquense pelo Nordeste, vencendo equipes já tradicionais do cenário nacional, “aterrorizando” torcidas e sempre balançando as redes dos adversários com os craques da “Sportiva”.

Honrarias à parte, um dos grandes ídolos da seleção brasileira, Mané Garrincha, durante amistosos de despedida pelo Brasil, vestiu a camisa do ASA por quase 90 minutos em uma partida disputada contra o CSA. O alvinegro venceu por 1 a 0 e ele só saiu de campo após ajudar a vitória do time de Arapiraca. O gol do alvinegro saiu dos pés de Cambota, aos 32 minutos do segundo tempo.

No ano de 1977, o ASA passou por uma mudança no nome, deixando de ser uma associação e se tornando Agremiação Sportiva Arapiraquense, mas mantendo a mesma sigla que o consagrara durante os 25 anos de existência.

A cidade e o time seguiam em plena harmonia, muitos torcedores abandonaram seus antigos clubes das regiões Sul e Sudeste para torcer única e exclusivamente para o time da terra de Manoel André, dando-se a entender que o cidadão arapiraquense tinha sim um time para torcer e ser representado pelos quatro cantos do Brasil.

Em 1979, o ASA foi um dos times de maior destaque no Campeonato Brasileiro, ficando conhecido nacionalmente pelo seu estrelismo. A equipe avançou para a segunda fase da competição, com cinco vitórias consecutivas em sua campanha pelo torneio nacional.

Apesar de ter em sua história um passado glorioso, adquirindo nomes grandiosos e craques vestindo sua camisa, o ASA passou por um grande hiato e jejum de títulos estaduais. Foram, exatamente, 47 anos de tabu, até que em 2000, finalmente, ele foi quebrado.

O Fantasma de Alagoas foi para a final do campeonato contra o CSA, e venceu a terceira partida da melhor de três pelo placar de 1 a 0, após cobrança de escanteio pelo lateral-esquerdo Marquinho e cabeceio certeiro do volante Jaelson Marcelino aos 36 minutos do segundo tempo.

D durante os dez primeiros anos do novo milênio, o time arapiraquense se tornou o campeão da década com cinco títulos conquistados, 2000, 2001, 2003, 2005 e 2009.

Em 2009, o time percorreu os quatro cantos do Brasil em busca do tão sonhado acesso à Série B do Campeonato Brasileiro de 2010, e em uma dessas viagens o clube arapiraquense alcançou o seu objetivo na chamada “Batalha do Acre”, quando enfrentou o Rio Branco na Arena da Floresta, terminando a partida em 2 a 2. Nesse mesmo ano, o ASA se tornaria vice-campeão brasileiro da Série C.



Compartilhe