Esportes

Presidente do ASA desabafa sobre falta de apoio e má fase do time


Roberto Baia
Fonte: Redação

23/11/2017 14h50

Circulam, nas redes sociais, desabafos em áudio do presidente da Associação Sportiva Arapiraquense (ASA), onde o dirigente, o radialista Nelson Filho, reclama da falta de apoio de quem o conduziu ao cargo. Ele foi aclamado presidente do Alvinegro em outubro do ano passado, substituindo Hellycarlos Albuquerque, que ficou à frente do clube no biênio de 2017-2018.

A dívida do clube é imensa. Somente para com o ex-treinador Vica (José Luis Mauro), o débito chega a R$ 1 milhão e 300 mil, isso sem contar com as despesas em atraso com a então Comissão Técnica. Em agosto de 2014, Vica assinou contrato para comandar o Fantasma até o final da Serie C. Já no fim daquele ano, renovou o contrato com a equipe alagoana por duas temporadas. Em 2015 Vica chegou à marca de 100 vitorias e, em abril de 2016, devido à sequência de derrotas sofridas, deixou o comando do ASA.

“Se me colocaram na direção do clube, vou cobrar. Eu assumi o cargo na pressão. Tenho oito filhos e seis netos e não acredito que vão nos deixar nessa situação. Descemos um degrau, mas quem trabalha com futebol está sujeito a isso e repito que não vão deixar nos abandonar nessa situação”, diz Nelson Filho nos áudios., lembrando que não é uma pessoa covarde.No desabafo, o radialista lembra que é um profissional respeitado nos estados de Alagoas e de Sergipe. “Não sou um negro safado. Assumi o  ASA , porque gosto do clube, mas repito que fui colocado no cargo sob pressão”.

Negociação positiva

A gerente Administrativa do clube, Pollyana Fonseca, especialista em gestão de Marketing, disse acreditar em uma negociação positiva com esses débitos.

Com um fraco desempenho, a média de público nos últimos jogos pela Série C - antes da queda para a D - foi de apenas 900 torcedores por partida. “Precisamos de um empresariado que ajude,  que saiba que a marca dele será vista não apenas nas emissoras da televisão, mas também nos sites, redes sociais e nos jornais impressos e que também será divulgada pelas emissoras de rádio. O ASA é muito grande e acredito que essa descida sirva de alerta, para que os pontos negativos fossem mostrados. Estamos vivendo uma nova fase e eu associo o ASA a uma marca local. Quando fui contratada, em novembro do ano passado, deixei bem claro que o ASA não é nosso. O ASA é gigante; temos uma série de acionistas e quem não tiver verba, venha conversar conosco. Seu alcance é imenso”, afirmou.

A Numer, uma das patrocinadoras da farda do clube deixou o ASA e, na Série D, não existe ajuda financeira por parte da CBF. “Confio no trabalho de toda essa diretoria; atualmente o ASA não tem condições de ter um elenco com altos salários; nosso desafio é grande; temos valores altos para pagarmos em causas trabalhistas, mas estamos realizando um trabalho sério, para não termos complicações lá na frente”, argumenta, adiantando que o clube já possui certidão negativa do INSS, restando apenas a do FGTS, para garantir patrocinadores.

 Ausência da certidão negativa impede entrada de recursos

Por esse motivo, a ajuda de R$ 100 mil mensais disponibilizada pela Prefeitura de Arapiraca desde o início da atual administração não pode ser repassada para o clube. Além disso, o Governo do Estado não está ajudando em nada o ASA.

Sem patrocínio e sem as verbas públicas,  não vai ser fácil para montar um clube eficiente para disputar ao menos o Campeonato Alagoano de 2018.

Polyanna acredita que a certidão negativa do FGTS seja liberada ainda este ano. “Não se faz futebol sem dinheiro; estamos nos preparando para conquistar a certidão, para podermos oxigenar e trabalharmos sem preocupação”, resumiu.

A CHAPA

A chapa encabeçada por Nelson Filho foi a única inscrita no processo da eleição. Nome de consenso entre as figuras políticas de Arapiraca, o radialista apresentou uma lista de diretores renovada em relação à última diretoria.

Clube já foi o campeão da década, com cinco títulos conquistados

Entretanto, são pessoas com ligações diretas com o ASA e que, em algum momento, tiveram passagens pelo clube, como o vice de marketing, Sérgio Marco Lúcio, por exemplo.

Nelson Santos Filho nasceu em Aracaju, chegou a Arapiraca em 1978 e é uma das referências do Estado na narração esportiva, trabalhando atualmente na Rádio Novo Nordeste. O presidente conta com o apoio de José dos Santos Oliveira, (Zé da Danco), José Oliveira Barbosa, possíveis responsáveis pelo Departamento de Futebol do ASA nos próximos dois anos.

A situação do ASA na Série C do Campeonato Brasileiro não foi fácil este ano. O ASA teve o pior ataque da competição. Foram apenas oito gols marcados pelo time alagoano, sendo cinco do atacante Leandro Kível.

 

Como reerguer o clube?

Polyanna espera contar com o apoio, não apenas de torcedores, mas do empresariado local, para ajudar a reerguer o clube, que desceu para a Série D do Campeonato Brasileiro, após uma campanha não muito positiva na atual temporada.

“Precisamos de um empresariado que ajude, que saiba que a marca dele será vista não apenas nas emissoras da televisão, mas também nos sites, redes sociais e nos jornais impressos e que também será divulgada pelas emissoras de rádio.

O ASA  é muito grande e acredito que essa descida serviu de alerta, para que os pontos negativos fossem mostrados. Estamos vivendo uma nova fase e eu associo o ASA a uma marca local. Quando fui contratada, em novembro do ano passado, deixei bem claro que o ASA não é nosso. O ASA é gigante; temos uma série de acionistas e quem não tiver verba, venha conversar conosco. Seu al cance é imenso”, afirmou.

Garrincha com a camisa do ASA

Um dos grandes ídolos da seleção brasileira, Mané Garrincha, durante amistosos de despedida pelo Brasil, vestiu a camisa do ASA por quase 90 minutos em uma partida disputada contra o CSA. O alvinegro venceu por 1 a 0 e ele só saiu de campo após ajudar a vitória do time de Arapiraca. O gol do alvinegro saiu dos pés de Cambota, aos 32 minutos do segundo tempo.

A história

No ano de 1977, o ASA passou por uma mudança no nome, deixando de ser uma associação e se tornando Agremiação Sportiva Arapiraquense, mas mantendo a mesma sigla que o consagrara durante os 25 anos de existência.

Em 1979, o ASA foi um dos times de maior destaque no Campeonato Brasileiro, ficando conhecido nacionalmente pelo seu estrelismo. A equipe avançou para a segunda fase da competição, com cinco vitórias consecutivas em sua campanha pelo torneio nacional.

Apesar de ter em sua história um passado glorioso, adquirindo nomes grandiosos e craques vestindo sua camisa, o ASA passou por um grande hiato e jejum de títulos estaduais. Foram, exatamente, 47 anos de tabu, até que em 2000, finalmente, ele foi quebrado.

O Fantasma de Alagoas foi para a final do campeonato contra o CSA, e venceu a terceira partida da melhor de três pelo placar de 1 a 0, após cobrança de escanteio pelo lateral-esquerdo Marquinho e cabeceio certeiro do volante Jaelson Marcelino aos 36 minutos do segundo tempo.

Durante os dez primeiros anos do novo milênio, o time arapiraquense se tornou o campeão da década com cinco títulos conquistados, 2000, 2001, 2003, 2005 e 2009.

Em 2009, o time percorreu o Brasil em busca do acesso à Série B do Campeonato Brasileiro de 2010, e em uma dessas viagens o clube arapiraquense alcançou o seu objetivo na chamada “Batalha do Acre”, quando enfrentou o Rio Branco na Arena da Floresta, terminando a partida em 2 a 2. Nesse mesmo ano, o ASA se tornaria vice-campeão brasileiro da Série C.

Foto: Divulgação


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