Interior

Prefeitura de Girau do Ponciano esquece Presídio do Agreste


Carlos Alberto Jr.

14/07/2017 12h38

Inaugurado em 2013 o Presídio do Agreste, instalado no município de Girau do Ponciano, às margens da Rodovia AL-220, abriga hoje cerca de 900 detentos, ou reeducandos, vindos de todas as regiões do Estado, ao contrário do planejamento inicial que era abrigar apenas criminosos condenados do Agreste e do Sertão alagoanos.

Após uma inspeção da Defensoria Pública de Alagoas, feita em junho passado, em todos os presídios do estado, o do Agreste apresentou a melhor estrutura entre as unidades. No entanto, sofre pela falta de atividades de ressocialização, uma vez que não há vagas suficientes para oferta de trabalhos aos 356 reeducandos sentenciados que cumprem penas no local.

Se dentro do presídio, os problemas são mínimos, do lado de fora, a situação é considerada como crítica. Isso porque, falta energia elétrica nos oito postes do entorno e também não existe de calçamento, o que causa diversos transtornos, por exemplo, aos trabalhadores e até mesmo aos ônibus coletivos que vão até local levar os familiares em dias de visitação.

Fotos e áudios enviados ao Jornal de Arapiraca revelam que a situação é lamuriante e que o município de Girau do Ponciano “esqueceu” da sua pequena porte na situação, justamente os cuidados com a iluminação e manutenção do acesso ao local. Ao município cabe a manutenção e troca de lâmpadas dos postes e a pavimentação do acesso ao presídio, por exemplo.

SEM RECURSOS

Num dos áudios, a pessoa denunciante, que trabalha no Presídio do Agreste, afirmou que já foram feitas diversas solicitações à Prefeitura de Girau do Ponciano, mas o município alega que não dispõe de recursos suficientes para custear a sua parte na manutenção da unidade prisional. “O município recebe todo mês R$ 150 só de ISS [Imposto Sobre Serviços] da empresa que administra do presídio. Como não tem recursos? Ninguém da Prefeitura vem aqui, sequer olhar a situação. Uma caçamba de piçarra amenizaria”, cobra um dos denunciantes.

Já um outro denunciante explica que o acesso da rodovia até a entrada do presídio tem cerca de 800 metros e toda essa extensão está quase intransitável. A situação piorou ainda mais com as chuvas que estão caindo no último mês. “A água entra até a metade nos carros. Temos dois problemas aqui. Pelo dia é buraco e lama; pela noite é escuridão. Acho que o Estado deveria fiscalizar a falta de compromisso da Prefeitura com o Presídio do Agreste”, falou.

O Presídio do Agreste é gerido em modelo de cogestão entre a Secretaria da Ressocialização e Inclusão Social (Seris) e a empresa, de origem baiana, Reviver Administração Prisional Privada Ltda, vencedora da licitação. Ao município cabe justamente os serviços de manutenção e conservação de alguns pontos, como justamente a pavimentação e iluminação.

SILÊNCIO DA PREFEITURA

Desde a última terça-feira (11), o Jornal de Arapiraca tenta ouvir o município de Girau do Ponciano, mas até o fechamento desta edição, não obteve êxito. O assessor de comunicação da Prefeitura informou o telefone do secretário de Obras e Urbanismo, identificado apenas como Luizinho, a quem atribuiu a responsabilidade em falar sobre o assunto. Nenhuma das ligações foi atendida ou retornada. Um assessora da secretaria disse à reportagem iria passar a solicitação ao gestor da pasta, mas também não passou nenhuma confirmação ou atendeu as ligações seguintes.

O Presídio do Agreste é composto por seis módulos, cada módulo com 16 celas. Em todos os módulos existe um galpão que pode ser usado para a prática de atividades. A estrutura da unidade prisional foi construída para abrigar 768 reeducandos. No entanto, pouco mais de 900 cumprem pena na unidade.



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