Justiça

Movimentos Agrários entram na disputa das terras da Usina Laginha


Marcos Felipe
Fonte: Redação

20/10/2017 15h17

A história das terras que envolvem a massa falida das usinas Laginha, pertencentes ao grupo João Lyra, ganha novo capítulo após a intervenção do Movimento Sem Terra (MST) e Movimento Via do Trabalho (MVT). Durante toda a semana, os trabalhadores realizaram mobilizações na capital pedindo a reforma agrária e remarcação da região.

O coordenador do MST, José Roberto, lembrou que muitas famílias dependem da economia da região e que uma das soluções seria aproveitar as terras para a agricultura local. “Está se pensando nas dívidas e cobradores, mas se esquecem das famílias que dependiam das usinas”, disse.

O líder do movimento cobra que os trabalhadores sejam ouvidos, antes da venda por completa da massa falida.

A polêmica surge junto com uma audiência pública realizada pelos juízes Leandro de Castro Folly, Phillippe Melo Alcântara e José Eduardo Nobre Carlos que discutiu a proposta feita pelo Grupo Cambuí, de Minas Gerais, para compra das terras pertencente à Massa Falida da Laginha Agroindustrial, do Grupo João Lyra.

Para Paulo Scaff, superintendente da Superbid, empresa encarregada de realizar os leilões dos bens da Massa Falida da Laginha, a proposta de R$ 80 milhões ficou bem abaixo do que a usina vale. Ainda segundo ele, é importante ouvir outras empresas interessadas na compra.

O Grupo Cambuí propôs pagar 58% do valor da última avaliação do bem, o que daria algo em torno de R$ 82 milhões. Metade seria dada à vista e a outra metade paga em cinco anos. “A proposta da empresa se relaciona à última avaliação, que apontou o valor da usina como sendo de cerca de R$ 141 milhões. Em 2013, apresentamos proposta de R$ 211 milhões, justamente o valor da avaliação feita na época, mas até a presente data isso nunca foi decidido no processo”, explicou.

O superintendente disse também que, se a proposta de compra for rejeitada, o leilão da usina pode ocorrer já na segunda quinzena de novembro com seis interessados. “Esperamos que seja ratificada a venda da usina pelo leilão. Se o Grupo Cambuí quiser fazer uma oferta, que o faça dentro do leilão. O objetivo é trazer o maior número de compradores para que se maximize o preço. Isso trará mais resultados para o falido, credores e todos os envolvidos”, disse.

Diante da situação, os movimentos ligados aos trabalhadores do campo prometem chama a atenção das autoridades para serem ouvidos. “Os grandes conglomerados são o alvo desse leilão, deixando de lado a classe camponesa”, disse o representante do MST.

Os juízes que estão à frente do processo da Massa Falida devem decidir sobre a proposta. “Vamos deliberar sobre qual vai ser o próximo passo. Se a proposta vai ser submetida à apreciação da Assembleia Geral de Credores ou se prosseguiremos com a venda por meio do leilão. Até o final desta semana a decisão constará nos autos”, afirmou o juiz Phillippe Melo.

Quem também está de olho é a Cooperativa Pindorama de Coruripe e o assunto chegou até o governador do Estado, Renan Filho (PMDB). A proposta foi apresentada ao governante durante reunião na Cooperativa da Pindorama, que contou com o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), Helder Lima.

Nos bastidores, o chefe do Executivo Estadual já teria se reunido com o Tribunal de Justiça que sinalizou interesse em fazer com que a usina gere renda, mas tudo dependeria do leilão que está tramitando.

Anteriormente, outro leilão foi realizado entre 26 de julho e 14 de agosto deste ano, onde outros bens da Laginha foram vendidos. Um apartamento, localizado no bairro da Ponta Verde e avaliado em R$ 650 mil, foi arrematado por R$ 395 mil.

A aeronave modelo EMB-820C Carajá, ano 1985, avaliada em R$ 345.500, recebeu lance de R$ 324.300. Já a sala e a garagem no prédio "Avenue Center", no Centro de Maceió, receberam avaliação de R$ 145 mil e foram vendidas por R$ 95 mil.

A falência do grupo sucroalcooleiro foi decretada em 2012, mas desde novembro de 2008 a Laginha encontrava-se em recuperação judicial.

O valor arrecadado no leilão está depositado em conta judicial, vinculada ao Juízo da falência. Ele será usado para pagamento de credores, fornecedores de serviços, instituições financeiras e tributos fiscais.



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