Justiça

'Injustiçada', Thaíse Guedes virou alvo de ataques pessoais nas redes sociais


Elaine Rafaella-Rafafá
Fonte: Assessoria/Arapiraca News

01/11/2017 12h42

Após o episódio que levou a deputada estadual Thaíse Guedes (PMDB) ser indiciada pela Polícia Federal (PF), a parlamentar virou alvo de ofensas e críticas que não possuem relação ao que está sendo investigada sobre o desvio de recursos da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE).

Parece-me que, só o fato da parlamentar ter ido até a sede da PF, espontaneamente, e sem qualquer intimação, além de dispensar o uso da sua prerrogativa parlamentar que possibilitava ser ouvida em data, local e hora a ser definido, diferencia a mesma dos demais investigados, mostrando um trato diferente às instituições, transparecendo ser uma tentativa de esclarecer tais referidas acusações.Neste caso, vale lembrar ainda que no nosso do Estado de Direito é a presunção de inocência que permanece. Pelo que se revela, as investigações começaram recentemente, ou seja, segundo Vladimir Aras, “Não significa nada dizer que alguém foi indiciado”. Ao menos agora! 

 A despeitos dos graves fatos investigados e que devem ser clareados, o que se lê, são comentários negativos - contra a deputada - dissociados do caso, em um ato desumano (ou humano) por conta de sua deficiência física. É lastimável!

Os comentários chegam a ser considerados inapropriados pelos próprios internautas, visto que alguns aproveitam-se de um erro médico praticada ainda na infância para atacar a parlamentar.

Pelo que se sabe, as investigações iniciaram há alguns meses e vinham sendo conduzidam com discrição, o que trazia tranquilidade para buscar provas para os crimes apontados, sem criar palanques.

Porém, com as entrevistas recentes, certamente, o delegado que, de fato preside o inquérito, terá mais trabalho, visto que, se algum parlamentar, tinha o interesse em prestar esclarecimentos espontaneamente, isso, não mais acontecerá.

Aliás, ontem, 30, os deputados Val Gaia (PSDB) e Severino Pessoa (PSC) foram convocados para depor e não compareceram à PF. O resultado do indiciamento da PF - ação de reunir indícios sobre certa pessoa suspeita de um crime – poderá ser enviado ao Ministério Público Estadual (MPE-AL) que oferecerá ou não a denúncia.

O que disse a defesa?

Numa conversa com o advogado da deputada, Dr. Luiz Vasconcelos Netto, o Blog obteve alguns apontamentos sobre o caso e que, segundo o mesmo, não houve a devida atenção por parte da imprensa.
 
Em tese, vários pontos ainda precisam ser esclarecidos nas investigações que se atêm ao período entre 2010 e 2013, onde servidores receberam os salários indevidos:
 
1 - A notícia investigada, decorreu do cruzamentos de endereços, onde ficou constatado que os funcionários eram, também, beneficiários do programa federal Bolsa Família;

2 - A responsabilidade, consoante aponta o Advogado, se houve recebimento indevido, recai nos beneficiários, visto que foram eles que sonegaram essa informação quando da nomeação para o cargo;

3 - Os funcionários são pessoas que trabalharam com a deputada, e, portanto, não podem configurar como "fantasmas";

4 - Algumas decisões acerca de salários são tomadas pela Mesa Diretora, a qual a deputada não fazia parte em seu primeiro ano de mandato;

5 - A conferência de documentação, a nomeação de servidores e publicação em Diário Oficial, são de inteira responsabilidade do departamento pessoal da Assembleia - não do parlamentar;

6 - O montante que a PF investiga relacionado ao seu gabinete, se refere a importância de pouco mais de 220 mil, não os 15 milhões citados amplamente pela imprensa;

 7 - O indício que leva ao número de 25 crimes, é referente a soma dos recebimentos de um ano de salário de um funcionário (12 meses) + um ano e um mês de outros dois (13 meses).

Portanto, se houve a prática do crime, que se pague por isso!

Entretanto, ao que se evidencia, a boa vontade da deputada em comparecer à sede da PF, criou um palanque dos mais ornamentados para alguns atraírem holofotes e promoverem-se.

Segundo a assessoria da deputada, a mesma seguirá atuando em benefício do povo alagoano, ao mesmo tempo em que, "continuará colaborando com os órgãos de investigação, a fim de que tudo seja esclarecido o quanto antes".

Quanto às redes sociais, sabemos que é um espaço amplo de críticas e informações "sem controle" que miram até os ataques pessoais. Isso sim é 'injustiçar' qualquer cidadão que seja por conta de sua deficiência física, não apenas a Thaíse Guedes. 

Com um trabalho voltado ao assistencialismo, essa oportuna evidência das investigações, às vésperas do ano eleitoral, aproveita-se à quem? 

Dep Thaíse Guedes


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