Municípios

‘Gambiarras’ são principal causa de mortes por choque


Fonte: Tribuna Independente / Davi Salsa

30/04/2019 15h55

Projeto de pesquisa desenvolvido no campus do Instituto Federal de Educação de Alagoas (Ifal), em Arapiraca, mostra que as instalações elétricas improvisadas, as “gambiarras” nas residências, são responsáveis pela maioria das mortes e internações de pessoas na periferia e nos povoados do município.

Com a orientação do professor Augusto César de Oliveira, a aluna Ana Beatriz Catonio de Vasconcelos e ajuda da voluntária Joyse Vitória Pascoal dos Santos, foram analisadas as instalações elétricas de 72 residências em seis comunidades de Arapiraca: comunidade Santa Monica, Minador, Baixa do Capim, Oitizeiro, Jenipapo e Pau Ferro dos Laranjeiras.

No estudo, foi constatado que na maior parte das residências as instalações elétricas eram precárias, como fios emendados e expostos nas paredes e nos telhados das casas, além do uso excessivo de adaptadores, os conhecidos T, e a falta do dispositivo de proteção contra choques, o aparelho chamado Dispositivo Diferencial Residual (DR).

Pequeno e quase imperceptível aos olhos dos leigos, o aparelho evita que a corrente elétrica cause um dano na pessoa que tocar a eletricidade.

O DR protege contra choques elétricos e apesar de ser de uso obrigatório desde 1997 (NBR 5410), sua exigência não é seguida na maioria das residências, principalmente em construções antigas.

No último fim de semana, uma mulher de 26 anos faleceu na periferia de Arapiraca, após sofrer um choque elétrico depois do contato em um fio desencapado em sua residência.

A dona de casa Larrisa Soares morava no bairro Planalto. Ela havia acabado de lavar roupas em um tanquinho elétrico e estava enrolando a extensão de energia no braço e acabou sofrendo uma forte descarga elétrica. Levada até o Hospital de Emergência Daniel Houly, a mulher foi submetida a um processo de reanimação, mas faleceu na unidade de saúde.

“Quando a gente começou a pesquisar sobre esse tipo de problema, vimos que a causa foi um atraso que a zona rural teve em relação à zona urbana. A eletricidade chegou primeiro na cidade, para depois chegar no meio rural. E isso trouxe várias consequências, que provocaram muitos acidentes”, relatou a estudante.

O levantamento mostrou que cerca de 45% das residências estavam em uma situação crítica. “Em relação à idade das instalações, vimos instalações de 40 anos. Também registramos ausência de aterramento, ausência de eletroduto, que é quando os fios estão aparentes na instalação, e levamos em consideração também a renda das pessoas, que não conseguem investir para melhorar essa situação”, explicou Ana Beatriz.

O projeto do campus do Ifal de Arapiraca foi apresentado no Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação, em Pernambuco, na Feira Nordestina de Ciências e Tecnologia, a Fenecit, também em Pernambuco, no evento da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Maceió, e no Congresso Acadêmico do Ifal, em Maceió.

O trabalho também foi o terceiro colocado na categoria Engenharia na Mostra Científica e Tecnológica da Escola Epial (Arapiraca), conquistando o credenciamento para o London International Youth Science Forum, que vai acontecer de 24 de julho a 7 de agosto deste ano, em Londres.



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