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‘Laços com avós precisam ser reforçados’


Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

26/07/2018 10h19

Esta quinta-feira (26) é Dia dos Avós. E as comemorações alusivas à data são sempre recheadas de muitas emoções e lágrimas. Mas segundo especialistas cultivar o respeito e o afeto deve ser uma tarefa diária.

O psicólogo Carlos Gonçalves explica que os gestos e mensagens de carinho devem ir além. É preciso incentivar o respeito e inserir aspectos como o companheirismo e a dedicação nos relacionamentos.

“Uma coisa muito saudável e que nós estamos perdendo é a criança, principalmente ela, entender o idoso. Isso está se perdendo muito. A importância do respeito, porque se isso não vai sendo reforçado pelos pais, se perde. As pessoas não estão tendo tempo para sentar e dialogar. Eles merecem respeito e se não cobrar, no bom sentido, vai ficando essas ausências e isso é ruim. Abraçar, falar, perguntar como está, dedicar uns minutos. Mas muitos dos pais nem estão fazendo, e os filhos acabam reproduzindo. Aquela coisa de ouvir histórias, de conversar e o idoso vai ficando de lado”, pontua.

Os benefícios da relação entre avós e netos vão além dos laços familiares. Gonçalves ressalta que pontos como fortalecimento da saúde mental, equilíbrio, melhora da autoestima são ganhos para os dois lados.

“É totalmente saudável e indicada essa relação. Quem tem a sorte, o privilégio de desfrutar a companhia dos mais velhos traz um benefício muito grande para a auto estima, a ansiedade… Recebe um amor que não é o do pai ou da mãe, é ainda mais intenso, sem conflitos, que é o dos avós. Conversar, ouvir histórias. Isso é uma troca de experiências de vida e isto é um benefício para a saúde mental, para o equilíbrio. Quem tem, digo que aproveite, não só no dia dos avós”, afirma.

Para a educadora Valderez Barbosa, as comemorações do dia reforçam os laços e ajudam na integração dos avós com os netos.

“É muito importante ensinar a criança a valorizar os avós. Porque eles envelhecem a acabam ficando esquecidos. Então, os trazemos para a escola para integrar a família. E o contato é maravilhoso, tanto dos avós com os netos, como dos netos para os avós. Nós passamos a semana inteira trabalhando o tema, porque a família se você não cuidar como vai haver sociedade? A família é célula da sociedade. É graças aos avós que os netos estão aqui. É importante cultivar a família”, ressalta.

Músicas e abraços marcam celebrações

 

Em uma escola particular da capital, esta quarta-feira (25) foi dedicado a celebrações. Com músicas, cartinhas e muitos abraços, as crianças demonstraram o amor pelos avós. Dona Nilva Guimarães, de 78 anos foi prestigiar a apresentação dos netos Daniel de 8 anos e Beatriz de 4.

Para ela a relação entre eles é regada por muito carinho. “É um amor, é um entrosamento muito bom. Temos muito respeito uns pelos outros, eu ainda sou das antigas e a formação deles é muito importante para mim”, diz a avó.

Aydée Falcão, de 71 anos, tem três netos, de 15, 10 e 5 anos. Segundo ela, apesar do choque de gerações, respeitar deve ser a prioridade.

“Eu acho uma experiência maravilhosa. Embora as gerações sejam diferentes, eu combato, falo devagarzinho, porque esses meninos de hoje têm que falar devagarzinho, mas é tudo se ajustando. E as apresentações são maravilhosas me enchem de emoção, família é tudo né?”, diz emocionada.

O psicólogo Carlos Gonçalves explica ainda que vários perfis de avós têm surgido. Um deles, é o perfil dos avós cada vez mais participativos.

“Os avós estão se tornando cada vez mais jovens. Não são mais os avós apenas da cadeira de balanço. Eles são ativos, participam ativamente da vida da criança, faz questão de estar presente e quando a criança retribui isso, só temos pontos positivos. A troca de energias é muito positiva”, ressalta.

É o caso de Luzineide Guedes, de 54 anos. Ela é avó de Ian, de 6 anos. A amizade entre os dois é um fato destacado na relação, segundo ela. Mesmo assim o pequeno não escapa da disciplina em certos momentos.

“É ótima né, somos amigos. A gente se dá muito bem, nunca tive problema com ele. Nós brincamos, ele ri. Quando ele se apresenta, assim que chego eu choro, e ele fica rindo. Somos amigos, mas eu também imponho e ele me respeita, respeita a disciplina”, detalha a avó.

 



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