Polícia

'Garoto afirma que pai mandou ele ficar em presídio e preso prometeu videogame', revela delegado


Fonte: Por: G1

04/10/2017 13h45

Em depoimento, o garoto de 12 anos encontrado debaixo da cama de um detento no Piauí contou que o pai foi quem mandou ele ficar na Colônia Agrícola Major César Oliveira, em Altos, a 38 km de Teresina. Segundo o delegado Jarbas Lima, o adolescente revelou ainda que o detento teria prometido um videogame para o irmão dele.

Ao delegado, o menino relatou que o irmão costumava também frequentar a penitenciária e que ambos recebiam presentes do detento como chinelos e alimentos. O menor comentou ainda que esta foi a primeira vez em que ficou na unidade prisional após a visita e nunca tinha ficado sozinho com o preso, que também prestou depoimento.

"O depoimento do menor foi tranquilo, não demonstrou nervosismo ou expressão de tristeza. Ele prestou depoimento mediante a equipe multidisciplinar, ao mesmo tempo em que os pais e o preso eram ouvidos em outras salas para evitar que combinassem as falas", relatou o delegado Jarbas Lima, titular do 14º Distrito Policial.

Conforme Jarbas, o depoimento aponta que o detento teria prometido um videogame para o irmão do adolescente no dia das crianças. No dia em que foi deixado na penitenciária, o garoto revelou que ficou por 'ordem do pai e que não concordou com a ideia'. Segundo o relato, o irmão do garoto também ficaria, mas que por resistência dele e da mãe acabaram indo embora.

"O menino conta que assistiu televisão com o detento e que depois foram dormir, quando houve uma vistoria na unidade e a criança foi descoberta embaixo da cama. Ele disse ainda que não foi tocado pelo preso e não sofreu abuso", disse o delegado, acrescentando que o promotor de Justiça Paulo Rubens Parente Rebolsas acompanhou o depoimento do adolescente.

Pais prestam versões diferentes
Os pais, por sua vez, prestaram depoimentos contraditórios a respeito do acontecimento. No depoimento ao delegado Jarbas Lima, o adolescente conta que o pai já havia sido preso e cumprido pena com o detento da Colônia Agrícola Major César.

De acordo com o delegado, o pai alegou que o filho de 12 anos pediu para ficar com o preso no seu alojamento e então permitiu que ficasse, mas o pegaria no dia seguinte. O responsável pelo menor confirmou saber que a penitenciária era perigoso, mas mesmo assim deixou.

"O pai diz que a mulher mandou o seu filho ir para casa, porém a criança não quis ir. Ele disse que confiava no preso, pois havia convivido com o mesmo por dois anos no presídio, quando respondeu também pelo crime de estupro de vulnerável", comentou o delegado.

Durante depoimento, o pai informou não saber da condenação do preso, no qual identifica como compadre, por estupro e sim por ter matado a esposa. Ele afirmou ainda receber ajuda do detento, que fornecia produtos alimentícios e acostumava agradar os seus filhos com 'besteiras'.

"Ele nega ter recebido valores em dinheiro, mas que o preso agradava os seus filhos com refrigerantes, bombons, biscoitos e outros produtos", comentou Jarbas Lima.

Já a mãe do garoto, afirmou que a ideia de deixar a criança partiu do marido. "Meu filho não queria ficar e só ficou por insistência do meu marido. Ele [detento] mantinha um bom relacionamento com a minha família e sempre nos visitava nas saídas temporárias", declarou a mãe da criança.

Os pais foram liberados logo após prestarem depoimento, pois não havia mais flagrante. O delegado não descartou que o casal pode ser indiciado ao logo do inquérito e solicitada a prisão de ambos.

Conforme o delegado, os pais inicialmente podem responder por abandono de incapaz e pelo artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que é submeter criança ou adolescente a situação de constrangimento. A polícia investiga também as hipóteses de estupro de vulnerável e prostituição infantil.

A Secretaria de Justiça do Piauí abriu sindicância para investigar o caso de criança deixada pelos pais durante visita à Colônia Agrícola Penal Major César Oliveira, no sábado (30). A investigação, que deve ser concluída no máximo em 30 dias, tem como objetivo apurar em que circunstâncias em que a criança foi deixada na unidade, bem como apontar responsáveis pelo ocorrido.



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