Polícia

Após selar um pacto pela paz com Renan Calheiros, Neguinho Boiadeiro foi executado na cidade de Batalha por pistoleiros


Roberto Baia
Fonte: Redação

11/12/2017 18h19

“Quem mandou matar meu pai foi o presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Luiz Dantas, seu filho Paulo Dantas e a prefeita de Batalha, Marina Dantas”. A declaração, em tom de desabafo, é de Bahia Boiadeiro, filha do vereador Adelmo Rodrigues de Melo - Neguinho Boiadeiro, executado por pistoleiros com um tiro no pescoço na porta da Câmara Municipal da cidade de Batalha, no Sertão alagoano, no início da tarde do último dia 9 de novembro.

Em companhia de familiares e amigos, Bahia Boiadeiro participou no último sábado, 2, de uma manifestação realizada no interior de sua residência, em Batalha, exigindo  justiça para o crime que abalou o Estado de Alagoas e provocou um clima de insegurança no município que já foi apontado como um dos mais violentos do Brasil.

“Queremos que a polícia apresente os verdadeiros culpados para que paguem por esse crime covarde. Não adianta jogar a culpa em pessoas de outros Estados. Não temos inimigos em outros Estados. Os Dantas só mataram o meu pai porque tiveram apoio do Estado”, disse Bahia Boiadeiro.

Ela deixou bem claro que a família Dantas não teria coragem para cometer um crime dessa natureza se não tivesse apoio de certas autoridades. “A bem da verdade houve uma reunião na casa do senador Renan Calheiros com a presença do meu pai e vários membros da nossa família, onde foi feito um pacto pela paz. O senador prometeu que depois da morte de Emanuel Boiadeiro não aconteceria mais nada, pedindo que ele apaziguasse a família. E o que aconteceu: meu pai confiou no senador e foi morto covardemente”, afirmou

em Batalha e minha família deixou a casa do senador com a consciência tranquila de que fizemos o certo, mas com o assassinato do meu pai temos convicção de que fomos enganados por Renan”, afirmou Bahia, que estava acompanhada da mãe Mércia Cavalcante, do irmão Anselmo Cavalcante - Preto Boiadeiro, de tios, primos e sobrinhos.

 

Medo e insegurança

 

Apesar do forte aparato policial, com a presença de viaturas rondando a área urbana, a cidade de Batalha, que fica localizada a 197 quilômetros da capital, vive um clima de tensão e medo. Temendo mais mortes, membros da família Boiadeiro decidiram deixar a cidade, mas continuam cobrando a prisão dos autores intelectuais e materiais do crime que também chocou a sociedade local pela audácia dos pistoleiros que agiram de “cara limpa” e em plena luz do dia.

- Procuramos até o secretário de segurança e diversas autoridades de Alagoas, alertando para o perigo que estávamos correndo. Meu pai, pode perguntar a qualquer cidadão de bem de Batalha, era uma pessoa que só pensava em fazer o bem a quem precisasse dele, se doando totalmente para evitar o sofrimento das famílias pobres e mais humildes que foram esquecidas pelo poder público. Como político e exercendo o cargo de vereador não hesitou em denunciar as mazelas do governo municipal, mas em momento algum foi desleal. Trabalhava visando o bem dos seus eleitores, enfim: da sociedade batalhense”, comentou Bahia Boiadeiro.

 

Execução de Emanuel

 

Sobrinho de Neguinho Boia

eiro, Emanuel foi executado enquanto dormia pela polícia na cidade de Belo Monte, onde trabalhava como segurança do prefeito Avânio Feitosa. O responsável por sua morte teria sido o policial civil Eudson Matos, que também está sendo acusado por membros da família Boiadeiro de ter sido um dos autores do crime de Neguinho.

Eudson é filho do sargento reformado da Polícia Militar Edvaldo Joaquim de Matos, que foi assassinado na área central de Batalha em 2006. Naquela oportunidade, Emanuel confessou e respondeu pelo crime. Além do sargento, também morreu no local Samuel Theomar Bezerra Cavalcante, irmão da atual prefeita de Batalha, Marina Dantas, que na época em que ocorreram os crimes era primeira-dama da cidade. Ela é casada com Paulo Dantas, filho do presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Luiz Dantas.

Foto: Roberto Baia
Foto: Roberto Baia


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