Polícia

Cristiano Matheus desviou mais de R$ 6 mi de verbas públicas federais


Marcos Filipe
Fonte: Redação

07/12/2017 12h05

O ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus foi o alvo da vez da Polícia Federal essa semana na “Operação Kali”. Ele foi apontado como líder de uma rede de corrupção organizado que foi além do período em que era administrador da cidade.

O que mais chamou a atenção dos delegados que investigam o caso, é a quantidade de “laranjas” usados para despistar qualquer tipo de suspeito, incluindo pessoas da própria família.

O superintendente, Bernardo Gonçalves Torres, se disse impressionado. “Um dos laranjas dele comprou, repentinamente, uma frota de ônibus em 2016, a um custo de R$ 5 milhões, e conseguiu concessão para linhas junto à Agência Reguladora de Serviços Públicos, a Arsal”, explicou. E a empresa ainda continua operando com linhas em Maceió, Paripueira e Barra de Santo Antônio.

O delegado ainda disse que amigos ligados ao ex-prefeito costumavam enricar do dia para a noite, sem explicação, na época em que ele era prefeito.

“A rede é extensa, mas a polícia está fazendo o seu trabalho e buscando desarticular esta organização e, se possível, apreender ou sequestrar o que foi desviado dos cofres públicos”.

 

Crime organizado

 

O superintendente ainda comparou o esquema como de uma “organização especializada em lavagem de dinheiro”.

“Percebemos que há a tentativa de obstruir os trabalhos de investigação, principalmente em transações imobiliárias e de veículos em nomes de terceiros que ainda estão sendo realizadas. Os investigados que estão sendo intimados vêm mentindo a respeito dos valores”, disse.

De acordo com ele, esta confusão é intencional e tem como finalidade desnortear e confundir os investigadores. “Isso dificulta bastante o trabalho policial, e é assim que costumam operar estas organizações”.

Outra maneira de confundir os investigadores era uma espécie de rodízio de propriedades entre eles.

“Uma sala empresarial em um prédio na orla de Maceió, teve vários proprietários, inclusive um motorista de Cristiano. Ele disse que sequer sabia que era dono desta sala, que foi trocada por outra no mesmo prédio. Esta segunda sala foi transferida para o nome de outra ‘laranja’, servidora de Marechal. Ela repassou o imóvel novamente para o motorista, que, por sua vez, repassou-o para outro, que tem mais duas salas no mesmo prédio e também figura como proprietário do apartamento em que residia o ex-prefeito”.

Os envolvidos no esquema podem responder pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa, desvio de recurso público (peculato) e lavagem de dinheiro. Quando concluído, o inquérito deve ser enviado para o Ministério Público.

 

O esquema em valores

 

De acordo com a Polícia Federal foram desviados R$ 6 milhões de verbas públicas federais, especialmente de programas voltados à alimentação e ao transporte escolar.

“Nossa atribuição é em cima dos recursos federais, mas isso não exime a oportunidade de desvios na administração municipal. Se a administração foi capaz de desviar o dinheiro de origem federal, isso nos leva a crer que possa ter feito o mesmo com recursos municipais e estaduais”, disse o delegado Márcio Tenório, coordenador da operação.

A ação ainda terá outros desdobramentos. “A tentativa é de retomar aos cofres públicos o que foi desviado. O próprio proprietário da empresa de ônibus disse, em depoimento, que não declarou a aquisição dos veículos à Receita Federal. Este trabalho está sendo feito em conjunto com a Receita, que tem se debruçado sobre esta evolução patrimonial”, complementou.

O delegado ainda afirmou que mais nomes estão envolvidos no esquema. “A organização continua atuando, praticando crimes, ocultando bens, desafiando a Justiça e tentando obstruir a investigação”.

 

A operação

 

A operação desta semana é um desdobramento da “Astaroth”, deflagrada em julho de 2017 para investigar o mesmo grupo. As autoridades trabalham, porém, com a possibilidade de o esquema ter movimentado cifras ainda maiores.

O bando seria responsável, conforme a investigação, por ocultar empresas, bens e desviar valores provenientes de fundos e programas de educação, destinados ao município enquanto ele era o gestor.

Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Maceió, Marechal Deodoro e Pão de Açúcar, além de Nova Olinda, no Maranhão.

Foram apreendidos seis veículos, com valor acima de R$ 60 mil cada, além de R$ 297 mil, US$ 5 mil e 14 mil euros.



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