Polícia

Jornal de Arapiraca tem acesso a documentos apresentados por Família Boiadeiro a Secretário de Segurança e ao MPE


Marcos Felipe
Fonte: Redação

16/02/2018 09h27

Esta semana mais um capítulo foi acrescentado na história da Família Boiadeiro. É que um vídeo de José Márcio Cavalcante de Melo, conhecido como Baixinho apresentando um suposto esquema de desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), supostamente orquestrado pelo Presidente da ALE, Luiz Dantas (PMDB).

“Onde estou, estou um pouco distante, pois desde a morte do meu pai nem pude acompanhar o cortejo. As injustiças que eu e minha família vem sofrendo são demais”, começa o vídeo.

Ele cita nomes e diz que “a cabeça” do seu pai foi encomendada por R$ 200 mil reais, valor esse que seria pago em duas prestações, além de um revolver, uma metralhadora e um fuzil. “Eles se deslocaram até Batalha e foram convencidos de que meu pai era um bandido”, completou informando que os criminosos passaram quinze dias na cidade, acompanhando a vida de Neguinho Boiadeiro.

Depois ele apresenta uma folha com nomes de pessoas que estariam envolvidos no esquema, que seu Neguinho havia descoberto. “Está aqui o motivo da morte do meu pai. São 17 pessoas recebendo por mês, entre R$ 12 mil e R$ 17 mil reais da Assembleia Legislativa”. Ele ainda explica o suposto esquema: “Os laranjas iam para a agência da Caixa na cidade e entregavam os cartões para que o valor fosse sacado, e no máximo recebiam R$ 300,00”.

Ele ainda desabafa: “Meu pai pediu a prefeita de Batalha o extrato das contas da Prefeitura, e o que ele recebeu foi uma carga de tiro na porta da Câmara Municipal”.

Entre os documentos apresentados estão o imposto de renda dos supostos laranjas. “Pode procurar essas pessoas estão todos os dias em Batalha, mas não prestam um dia de serviço”.

Na documentação que o Jornal de Arapiraca teve acesso, traz fotos de trechos de conversas no aplicativo whatsapp onde estaria sendo explicado como esquema de saque e transferências desses valores. Uma pessoa sem a identificação estaria conversando com outra identificada como F.Mandim.

“Sei. Aí no caso ela tem que fazer o que?” diz a pessoa. “Só aguardar e olhar também se o cartão chegou ou chega daqui pra segunda ou terça. Acho que vai chegar”, diz F.Mandim. “Tá certo”, responde a pessoa que completa: “Vou passar tudo para ela e mandar ela olhar se o cartão chegou”. E F.Mandim, responde: “ok”. A conversa segue com áudios e depois F.Mandim respondendo:

 “Isso mesmo... Me entrega para sacarmos, e assim que resolvermos devolvo pra ela o cartão e a parte dela. E tá livre”.

“Pronto. Agora entendi tudo. Vou lá agora. Explicar tudo direitinho a ela”, escreve a pessoa.

No fim do vídeo Baixinho ainda cita o nome de um homem, Hermes. Ele seria um dos assassinos contratados para assassinar seu pai na primeira emboscada que não havia dado certo. “Uma semana antes, ele me ligou informando que meu pai não fosse armado para a Câmara porque uma armadilha estava sendo montada para prendê-lo”. Ele disse que Neguinho tinha uma arma que ficava em casa e era registrada na Polícia Federal.

A entrada do MPE e da Secretaria de Segurança Pública

O Procurador-geral de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça afirmou que abrirá investigação para apurar as denúncias apresentadas por “Baixinho Boiadeiro”, ele informou que aguarda receber a documentação listada pelo Baixinho no vídeo. Em contato com a assessoria de comunicação do MPE, fomos informados que o vídeo ainda não chegou ao órgão.

Já na última terça-feira (6) a família se reuniu com o Secretário de Segurança Pública, Lima Júnior, para pedir celeridade nas investigações e entregar os documentos. Pelo telefone, eles não entraram em detalhes mais informaram que o encontro durou mais de uma hora e que irão colaborar com a investigação precisar.

 

Os assassinatos

 

Adelmo Rodrigues de Melo, o “Neguinho Boiadeiro” (PSD), foi morto no mês de novembro, próximo à sede da Câmara. A informação foi confirmada pela Polícia Civil do município.

“Duas pessoas atiraram, mataram o Neguinho e atingiram o policial, os dois estavam dentro do carro. Algumas testemunhas já estão sendo ouvidas na delegacia. Estamos trabalhando e a situação já está sob controle”, disse o delegado Rômulo Monteiro na época.

Um mês depois foi a vez do vereador por Batalha, Tony Carlos Silva de Medeiros, o Tony Pretinho (PR), 34, ser morto a tiros na frente da casa onde vivia com a família que fica no Centro da cidade. Os homens que atiraram contra o vereador estavam em um veículo de modelo e placas não identificadas. Tony Pretinho morreu no local do crime antes mesmo de receber socorro. A polícia informou que o vereador foi morto por tiros de pistola e de espingarda.

 

Em ambos os casos, as vítimas estariam com provas para denunciar o esquema de corrupção, apresentado por baixinho boiadeiro esta semana.



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