Polícia

Mércia diz que Boiadeiros passaram de vítimas a bandidos


Carlo Bandeira e Roberto Baia
Fonte: Redação

05/03/2018 11h32

Uma operação desencadeada pela polícia alagoana nas primeiras horas da manhã de quarta-feira, 28, nas cidades de Arapiraca, Craíbas e Batalha, teve como objetivo cumprir mandados de prisão, busca e apreensão para elucidar o assassinato do vereador Tony Carlos Silva de Medeiros, o Tony Pretinho. Cinco fazendas pertencentes à família Boiadeiro foram alvos da ação policial, o que revoltou Mércia Cavalcanti Targino (Mércia Boiadeiro), viúva de outro vereador assassinado em Batalha, Neguinho Boiadeiro.

“É um absurdo o que estão fazendo com a minha família. Invadiram nossas fazendas para matar o meu filho José Márcio Cavalcanti (Baixinho Boiadeiro) que teve sua prisão decretada no dia do assassinato do meu esposo por ter se envolvido em uma troca de tiros com Emílio Dantas. Não temos nada a ver com o assassinato do Tony Pretinho. Ele era nosso amigo. Não tínhamos motivos para tirar a sua vida”, disse Mércia.

A convite de Mércia, a reportagem do Jornal de Arapiraca a acompanhou em três fazendas de seus familiares que foram alvos da operação da polícia. Emocionada e com a voz embargada, Mércia fez questão de mostrar a casa da Fazenda Queimada, em Craíbas, com portas arrombadas e móveis revirados.

“Somos vítimas de bandidos que tiraram a vida do meu marido e agora querem matar os meus filhos. Vejam só a situação que ficou a casa e, infelizmente, ninguém faz nada. Estou revoltada, inclusive com o Secretário de Segurança Pública de Alagoas, Lima Junior, que disse na minha cara que se encontrar o meu filho Baixinho em uma operação policial vai matá-lo, pois tem certeza que ele anda armado. Isso é coisa que se diga, principalmente para uma mãe”? Indagou a matriarca da família Boiadeiro.

Mércia Boiadeiro disse que a sua família está sofrendo com a perseguição de autoridades que não querem enxergar a verdade. “Meu esposo foi executado na porta da Câmara. Somos vítimas e não algozes. Podemos morrer a qualquer momento e, infelizmente, pelas mãos de autoridades que deveriam nos proteger. Quero ir embora, mas não posso abandonar meus filhos, principalmente o Baixinho que está sendo caçado

injustamente. E agora o estão acusando de ter matado o vereador Tony Pretinho sem prova alguma. Que absurdo”, desabafou Mércia Boiadeiro.

Coletiva de imprensa

Na coletiva de imprensa realizada na tarde de quarta-feira, 28, na Secretaria de Segurança Pública, a polícia afirmou que José Márcio Cavalcanti de Melo, o “Baixinho Boiadeiro”, está envolvido na morte do vereador de Batalha, Tony Carlos Silva de Medeiros, conhecido como Tony Pretinho.

Justificou que o assassinato foi movido por vingança, já que Baixinho Boiadeiro desconfiou que Tony Pretinho teria participado da morte do seu pai Neguinho Boiadeiro, ocorrido em novembro último. Outra desconfiança é de que o vereador também estaria envolvido na morte de seu primo Emanuel Messias de Melo Araújo, o Emanuel Boiadeiro, 30, que ocorreu em 2016, na cidade de Belo Monte. De acordo com a polícia, ele teria dito que Emanuel andava fortemente armado pelas cidades sertanejas.

Segundo a polícia, uma das provas que ligaria Baixinho Boia

deiro a morte de Tony Pretinho, seria uma pistola de 9 milímetros, a mesma arma que o acusado teria usado nos disparos contra José Emílio Dantas, minutos depois da morte de seu pai.

Na operação realizada na quarta-feira, 28, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, sendo seis deles em fazendas. A polícia informou que dois mandados de prisão estão em aberto, um contra Baixinho Boiadeiro e outro contra Tiago Mariano Tenório, que teria ajudado na execução de Tony Pretinho. Ambos são considerados foragidos.

Polícia diz que morte de Neguinho foi esclarecida

A segunda fase das investigações sobre a morte do vereador Neguinho Boiadeiro, dá conta dos suspeitos  de terem cometido o assassinato  do vereador. Uma das provas, um vídeo que já circula nas redes sociais, que registra o momento da fuga, após o homicídio, dos supostos assassinos.

Essas investigações levaram a uma operação realizada dia 23, sexta feira,  onde o vereador por Batalha Alex Sandro Rocha Pinto, conhecido como Sandro Pinto (PMN), e mais dois suspeitos por esse assassinato. Os outros dois presos são Rafael Pinto, sobrinho do vereador Sandro, e Maikel dos Santos. E até o fechamento desta edição, um quarto suspeito ainda se encontra foragido. Porém, o seu nome não foi divulgado pela SSP, para não prejudicar as  investigações.

Também para não prejudicar o andamento do inquérito, a SSP em entrevista coletiva no mesmo dia 23, afirmou que já tinha conhecimento da autoria intelectual do crime. Contudo, a SSP mantém sigilo sobre os nomes ou o nome.

Foto: Carlo Bandeira
Foto: Carlo Bandeira
Foto: Carlo Bandeira
Foto: Carlo Bandeira


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