Polícia

TRE de Alagoas inicia trabalho para combater falsas notícias


Marcos Filipe
Fonte: Redação

02/03/2018 10h16

As chamadas “fake news”, notícias falsas que circulam pelas redes sociais, já estão na mira do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas. Um esquema de segurança e monitoramento já começa a ser articulado para inibir esse tipo de ação, que segundo especialista será uma das armas utilizadas para as eleições deste ano.

A menos de oito meses das eleições gerais, Alagoas também se vê diante do problema que afetou as eleições nos Estados Unidos e os plebiscitos sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

Um debate polarizado ocorre nos tribunais regionais. Diferentes instituições públicas convocam debates sobre medidas que podem ser adotadas para garantir um processo eleitoral democrático e transparente. Algumas propostas preocupam movimentos sociais, que temem que o alarde em torno das notícias falsas leve ao controle dos conteúdos pelas plataformas digitais e, com isso, à censura na internet.

O TRE Alagoas está acompanhando tudo que é relativo ao assunto e todo o direcionamento por parte do TSE. Esta semana, um desembargador eleitoral que atuará na comissão da propaganda, uma assessora de comunicação e um técnico da Tecnologia da Informação participarão, em Cuiabá, de um evento proposto pela Justiça Eleitoral que abordará apenas assuntos relacionados às FakeNews.

Ocorre que o impulsionamento dessas notícias aparecem ao eleitor com todos os caracteres de fato verídico, além do agravante de ser publicado ou compartilhado por uma fonte respeitada. Porém, ao ser feita uma pesquisa a fundo das matérias percebe-se que tratam-se de Fake News, com o condão exclusivo de desvirtuar a veracidade das informações repassadas e em grande maioria, não se sabe quem foi o financiador de tais notícias.

O grande dilema e a dificuldade que se apresenta para a Justiça Eleitoral é o estudo de uma alternativa eficaz para impedir que as Fakes News tenham tamanha visibilidade. O que se sabe é que os prejuízos trazidos são praticamente irreversíveis e afetam o efetivo exercício da democracia.

De acordo com o TRE, a comissão retornará para Maceió, e replicarão o conhecimento, capacitando a maior quantidade de servidores possível. “Faremos monitoramento interno aqui no TRE e em parceria com os órgãos que compõem a Segurança Pública”, informou o órgão.

Apesar de ter sanções previstas na legislação eleitoral para punir os responsáveis pela propagação de informações falsas, a dificuldade que se encontra é em monitorar e minimizar o alcance delas, pois a partir do momento em que aquela notícia falsa teve uma visibilidade alta pelos eleitores o objetivo do autor da Fake News foi atingido.

Além disso, a Justiça Eleitoral também tem que se preocupar com a logística do pleito inteiro, e segundo o órgão tudo está dentro do que foi programado e planejado. “Atualmente há grande preocupação com o prazo final para o fechamento do cadastro, que é dia 09 de maio, último momento que o eleitor tem para fazer qualquer alteração no seu título. Os setores de logística estão também concluindo os processos licitatórios de equipamentos e serviços que garantirão o andamento do pleito”, reforçou o TRE.

Justiça Eleitoral reforçará campanha de incentivo ao voto

O presidente da Justiça Eleitoral em Alagoas, Desembargador José Carlos Malta, ressaltou que a crise vivida na política brasileira, e até mesmo local, irá refletir no eleitorado.

“Acho que a Justiça Eleitoral vai precisar trabalhar mais um pouco para incentivar os eleitores a votar este ano. Mas nada que chegue a preocupar. Essa sensação de descrédito precisa ser substituída pela sensação do dever de mudar a atual situação”, disse.

Este ano o pleito é para os cargos de presidente, governador, senadores, deputados federais e estaduais. Lembrando que ano passado, no que se diz a respeito do Poder Legislativo, seja em Brasília ou em Alagoas, ao menos dois políticos foram citados em investigações da Lava-Jato ou em Operações da Polícia Federal. E que inclusive tentarão suas reeleições.

“O eleitor precisa ter ciência da sua responsabilidade no processo democrático e não apenas cruzar os braços perante crise”, reforçou o desembargador.

Na última eleição, ocorrida em 2016, o TSE desenvolveu um aplicativo chamado que registrou mais de mil denúncias de irregularidades em Alagoas.

Na ocasião, os municípios de São José da Laje, Maragogi, Junqueiro, Maceió e Água Branca tiveram o maior número de informes noticiados.

De acordo com as estatísticas fornecidas pelo aplicativo, 32% das irregularidades são devido à propaganda eleitoral. A compra de votos representou cerca de 20% das denúncias feitas. Outros crimes eleitorais registraram 17%. O uso da máquina pública também apareceu em destaque com 12%, e 1% é de doações e gastos eleitorais.

Sobre esse assunto o presidente explicou que o TRE já está articulando suas ações.

“Estamos nos preparando para atuar em diversas frentes, seja na internet - através do site institucional do Tribunal -, pelo telefone, com a criação de um número 0800 específico para denúncias, pelos smarthphones através de aplicativos como o Pardal, e em parceria com outras instituições, como a OAB e o Ministério Público”.

 



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