Polícia

Após dois atentados e uma prisão sem motivo, empresário de Batalha diz que vai embora para não ser assassinado


Fernando Vinicius
Fonte: Redação

11/04/2019 08h43

Um empresário da cidade de Batalha está decidido a abandonar tudo que construiu ao longo de sua vida no município polo da Bacia Leiteira estadual. Responsável por empresa provedora de acesso à rede mundial de computadores para cinco cidades alagoanas, Rafael Michelangelo Ferreira da Silva – mais conhecido como Rafael da Internet –, sofreu um atentado à bala na semana passada e alega ter sido vítima de abuso de autoridade na noite de terça-feira, 09.

Dono da WIB Internet, Rafael relatou com exclusividade ao Jornal de Arapiraca os motivos da decisão que afirmou já ter tomado. “Eu estava em casa descansando quando ouvi os cachorros latindo, aí eu saí e ouvi que estavam batendo no meu carro. Quando abri o portão, o oficial da Caatinga já botou o fuzil na minha cara”, relatou à reportagem na tarde de quarta-feira, 10.
Questionado sobre a abordagem feita por guarnição da Polícia Militar identificada pela relação com o bioma sertanejo, a resposta foi de denúncia encaminhada à PM sobre circulação de pessoa armada e bebendo em bar que estava num carro com as características do Celta preto da empresa de Rafael.
Ele alegou que não consome bebida alcoólica, não havia saído de casa e o que o veículo foi usado durante o dia por funcionário da WIB Internet. Como réplica do pm, ouviu ainda que o condutor do Celta havia recebido ordem para parar, que não foi atendida, gerando perseguição que resultou em fuga, sem que os policiais tivessem conseguido alcançar, relato apontado como sem fundamento por Rafael.



Pistola e colete
Com a chegada de reforço da Força Tarefa comandada pelo Sargento Almir, segundo o empresário, os policiais afirmaram saber que havia arma de fogo e colete à prova de balas em poder de Rafael.
Sem apresentar mandado de busca e apreensão, as guarnições entraram na casa do empresário e receberam a confirmação da posse dos equipamentos de segurança, assegurados por registro na Polícia Federal (uma pistola Taurus PT 838) e na Polícia Civil (colete).
Mesmo apresentando os documentos que respaldam a posse da arma – mantida dentro de um cofre em sua residência – e do colete balístico, Rafael Michelangelo foi levado para a Delegacia da Polícia Civil. A pistola teve a munição retirada e foi transportada por um dos policias, enquanto que o colete foi levado pelo empresário que guiou seu veículo entre duas viaturas da PM alagoana.
Na delegacia de Batalha, o pedido de prisão do empresário sob alegação de porte de arma em via pública não se concretizou. O informe passado pelos policiais militares ao escrivão da PC foi comunicado ao delegado Rômulo Monteiro que não teve alternativa a não ser solicitar a devolução da arma ao proprietário – ato a ser feito somente na residência do empresário, procedimento adotado pela PM – e ainda a recondução dele para sua casa, devidamente escoltado, como também ocorreu.



Ameaças
O suposto caso de abuso de autoridade policial passa a ser entendido como ameaça quando Rafael é ‘aconselhado’ a ir embora de Batalha por policiais, situação que teria ocorrido em sua casa, depois do retorno da delegacia.
Sem se intimidar com a presença de uma advogada no local e da esposa do empresário, o aviso é repetido. “Minha mãe é cardíaca, se ela estivesse em casa teria morrido”, acredita Rafael que havia escapado de uma tentativa de assassinato na semana anterior.



Atentados
“Eu estava indo na AL 220, pra Major (Major Izidoro, cidade vizinha de Batalha) resolver uma situação com meu irmão, umas quatro horas da tarde de quarta-feira passada (04/04), quando percebi que um Gol branco me seguia. Quando eu aumentei a velocidade, ele emparelhou e atirou”, relembra Rafael sobre o atentado praticado por dois homens.
Como ele perdeu a direção e saiu da pista, descendo uma ‘ribanceira’, conforme relatou, Rafael acredita que os autores do crime devem ter imaginado que teriam matado ele. “Foram uns dez tiros, três acertaram no carro, mas eu me abaixei”.
Passado o susto, Rafael segue para Major Izidoro, onde registra o caso no CISP, procedimento que gerou diligência policial imediata, ainda que sem êxito da localização dos autores do atentado.

 

Amigo dos Boiadeiros
Para Rafael Michelangelo, tudo o que tem passado recentemente tem apenas um motivo: ser amigo da família Boiadeiro, relação que existe desde os tempos de infância e que justifica ter aceitado um pedido que recebeu dos filhos do vereador de Neguinho Boiadeiro, chefe do grupo familiar assassinado em novembro de 2017, logo depois de sair de uma sessão na Câmara Municipal de Batalha.
Após a prisão de Preto e Baixinho Boiadeiro, filhos do político de forte influência na região, a família pediu que Rafael passasse a administrar a propriedade. A missão assumida em 2018 é resumida em fazer comprar ração para os animais e efetuar o pagamento semanal dos trabalhadores, trabalho que agradeceu após ser perseguido por carro de cor vermelha quando se dirigia para a fazenda em 26 de março.
“Quem for ligado aos Boiadeiros eles não querem mais na cidade, isso é um absurdo”, declarou Rafael, mostrando o colete que usa como prevenção, inclusive dentro de sua casa. Nem o pedido de proteção feito ao Conseg (Conselho Estadual de Segurança) na segunda-feira, 08, véspera do episódio cuja passagem na delegacia de Batalha foi confirmada ao Jornal de Arapiraca.
A Polícia Militar de Alagoas também foi procurada pela reportagem, mas até o fechamento desta edição não enviou o posicionamento solicitado. Já o empresário encerrou a entrevista dizendo que vai embora de Alagoas por medo de ser assassinado.

Foto: Carlo Bandeira
Foto: Divulgação
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