Polícia

Sindpol denuncia ‘cemitério de carros’ em área da Delegacia Regional de Arapiraca


Fernando Vinicius
Fonte: Redação

06/06/2019 09h01

A população da maior cidade do interior alagoano enfrenta situação epidêmica de dengue. São mais de dois mil casos notificados nos cinco primeiros meses do ano, número maior do que os 1.437 registrados em 2018.
Na contramão dos mutirões de limpeza e conscientização realizados pela prefeitura, por meio da secretaria municipal de saúde, o governo estadual oferece condições para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, inseto responsável pela transmissão da dengue, zika e chikungunya.
O foco para reprodução do mosquito está dentro da Delegacia Regional de Arapiraca, imóvel situado no bairro Baixão, onde automóveis apreendidos e parcialmente danificados armazenam água das chuvas. Limpos, os pequenos alagados são ambiente ideal para a proliferação do Aedes aegypti.
O problema que já teve solução cobrada pelo Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) continua ocorrendo, conforme denúncia enviada para a imprensa nesta quarta-feira, 05 de junho.
“A situação é deplorável com amontoado de carros e motos. Isso representa perigo aos policiais civis e a população”, alerta o presidente do Sindpol, Ricardo Nazário, frisando que já levou a situação ao conhecimento do Governo do Estado, Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil e Conselho de Segurança Pública.
Leilão ou descarte
O Sindpol acrescenta que o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Tutmés Airan, informou, em março passado, a respeito de parceria com o Executivo para que os automóveis e motocicletas apreendidos e mantidos nas delegacias sejam leiloados ou descartados, conforme o estado de cada veículo.
“Mais uma vez encontramos essa situação precária que os policiais civis convivem. Há proliferação de insetos, escorpiões e mosquitos, que podem transmitir chikungunya, zika e a dengue. Até o momento, nenhuma autoridade tomou providência para retirar esses veículos, que prejudica a saúde dos policiais civis e da população”, disse Ricardo Nazário, revelando que o Sindpol está solicitando nova reunião com o presidente do Tribunal de Justiça para saber a razão dos carros e motos continuarem nas delegacias.
Além do problema de saúde pública, o Sindpol também registrou as condições precárias da carceragem utilizada para manter os presos. Em uma pequena área, com menos de quatro metros quadrados, há lixos e insetos. Os detentos – em número de oito até ontem - informaram que chegam a dormir no banheiro, por falta de espaço.
A psicóloga Joyce Brandão, que participou do programa Sindpol em Ação, destacou que alguns fatores geram desmotivação aos trabalhadores. Em observação à Delegacia Regional de Arapiraca, a profissional destacou que “o ambiente é hostil, sem higiene e desmotivador. Esses fatores influenciam negativamente, desmotivando o policial. A delegacia não oferece uma estrutura mínima de trabalho”, esclareceu a psicóloga por meio da assessoria do Sindpol.
A reportagem do Jornal de Arapiraca acionou a assessoria do TJ Alagoas que enviou a seguinte nota: “O presidente Tutmés Airan falou que esse ato normativo conjunto (Judiciário e Executivo) já foi aprovado no TJAL e, segundo a última informação que teve, está agora no Detran, que deve dar a sua opinião. Tutmés Airan disse que o processo está caminhando para se resolver”.
Já a Polícia Civil declarou, segundo o portal OP9, que aguarda a conclusão do convênio entre o governo estadual e o Poder Judiciário sobre o leilão dos veículos.

 

Foto: Divulgação
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