Polícia

Bebê nascida em Maceió apresenta cura de doença fatal após uso de óleo de maconha


Fernando Vinicius
Fonte: Redação

23/01/2020 11h13

Um casal que aguardava o nascimento do segundo filho foi surpreendido durante exames de rotina do período pré-natal. A menina gerada por Maximilian e Eline Queiroz havia desenvolvida uma doença rara e fatal, a Malformação Adenomatoide Cística de grau 3 (MAC/3).
A gravidade do problema que atingia pulmões, fígado e coração do feto seria a causa da morte do bebê, ainda no período de gestão. De acordo com registros da Medicina, 99% dos casos de MAC 3 terminam em óbito prematuro, até o sétimo mês de gestação. Entre nascidos vivos, a expectativa de vida é de apenas dois dias.
Além disso, apenas a possibilidade de intervenção cirúrgica, disponível somente em São Paulo, com a probabilidade de êxito de um entre mil. Limitados pelos tratamentos convencionais, Max e Eline decidiram recorrer ao uso de óleo à base de maconha.
Com orientação de médico especialista em tratamento com uso de canabinoides, o casal que reside em Penedo adotou o método que o pai da bebê já havia recorrido durante tratamento de um linfoma no testículo.
Segundo informações publicadas no site do jornal O Povo (Fortaleza-CE), Eline utilizou primeiro uma solução de tetrahidrocanabiol (THC) em álcool. Em seguida, já com o acompanhamento de um médico especializado passaram a usar o óleo de canabidiol. As duas substâncias são os mais importantes princípios ativos da maconha, explica o texto assinado por Bemfica de Oliva.
“Uma ultrassonografia realizada em dezembro de 2019 mostrou que os sintomas haviam sumido. Como consequência, apenas um pulmão menor que o outro, mas o bebê não apresentava mais os cistos nos órgãos, característicos da doença”, acrescenta sobre o caso de cura inédita da MAC/3.
 Batiza como Brisa Flor de Queiroz, a criança nasceu na sexta-feira, 17, na Maternidade Santa Mônica, e encontra-se na Unidade de Tratamento Intensivo neonatal.
Tratamentos inviabilizados
O Povo consultou o advogado Italo Coelho, membro Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas. Ele considera que ainda existem empecilhos para garantir que casos como esse possam ser devidamente tratados.
“Somente psiquiatras, neurologistas e neurocirurgiões podem prescrever medicamentos à base de cannabis para crianças, segundo resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), e apenas se todos os outros métodos houverem sido tentados”.
Segundo Coelho, a resolução contraria o próprio código de ética da categoria, que determina que paciente e médico tem a liberdade para escolher o melhor tratamento para cada caso.
Italo afirma ainda que a proibição da maconha e de outras substâncias com potencial medicinal dificulta várias situações. Pesquisadores, com acesso limitado, não podem desenvolver medicações e descobrir novos usos. Pacientes, por sua vez, acabam realizando os procedimentos terapêuticos de maneira clandestina, sem controle de qualidade e frequentemente sem o acompanhamento adequado.
Ítalo Coelho orienta que pessoas que tenham problemas de saúde e considerem o uso da cannabis como tratamento devem procurar a Defensoria Pública ou advogados particulares que tenham experiência nessa questão.
O médico fitoterapeuta Igor Maia, que trabalha o uso da cannabis no tratamento de doenças, concorda que há obstáculos para se investigar o assunto. “A proibição nos freia justamente por dificultar os estudos que nos permitiriam saber mais do potencial da planta”, afirmou o especialista ao portal de notícias cearense.

 

 



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