Política

Júlio Cezar, prefeito de Palmeira dos Índios,é denunciado por ex-servidoras


Fernando Vinicius
Fonte: Redação

03/09/2020 11h53

Duas mulheres acusam o prefeito de Palmeira dos Índios por assédio moral cometido no local de trabalho. Júlio Cezar foi denunciado à Polícia Civil pela ex-coordenadora do setor de licitação do seu governo, no período de 2017 a 2019, a advogada Margareth Alves Costa.

A pregoeira Luciene Oliveira também se apresenta como vítima do comportamento que registrou em áudio publicado no portal de notícias 7 Segundos, mas recuou após a repercussão do registro com relatos de irregularidades cometidas pelo Gabinete e Setor Administrativos do gestor que busca a reeleição no segundo mais importante município do Agreste alagoano.

No registro formalizado por Margareth Alves na quinta-feira passada, 27 de agosto, Júlio Cezar é acusado de assédio moral e sexual, caso que tem acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

 

Arrogante e prepotente

A redação do Jornal de Arapiraca recebeu mensagens que teriam sido publicadas em grupo de Whatsapp pela advogada. Em um desses áudios, ela revela sua decepção com o atual prefeito de Palmeira, pessoa que classifica como arrogante, prepotente e falsa, tipo capaz de difamar e criar situações vexatórias, com expressões depreciativas em pleno ambiente de trabalho.

O relato coincide com parte do que Luciene Oliveira também revela. A pregoeira conta que Júlio Cezar dizia, em meio a reuniões, que o ela precisava era de homem. Além disso, Luciene conta que soube de uma aposta feita entre o gestor e mais dois homens sobre qual deles seria o primeiro a ficar com ela, sugerindo quem seria o primeiro a manter relações íntimas com Luciene.

Ela afirma que nenhum deles conseguiu o que pretendia e lamenta ainda a apropriação intelectual de projetos que criou e desenvolveu, no âmbito da gestão municipal, sem o merecido crédito pelo trabalho, um deles em processo de patente, segundo informa no áudio.

Luciene Oliveira publicou vídeo posterior à divulgação do áudio, anexado em notícia do portal arapiraquense. Ela alega que não autorizou a publicação e nega ter sido vítima de assédio, sem mencionar as irregularidades que apontou na gravação de sua fala.

 

A ex-servidora contratada sugere que Júlio Cezar manipulava o andamento de processos concluídos pelo setor de licitação, com objetivo de obter favorecimento.

 

“A gente fazia a licitação e, às vezes, já vinha tudo arrumadinho, só que a gente não aceitava aquilo e fazia a nossa parte, dentro do que a gente sabia fazer, mas quando chegava no setor administrativo tudo era mudado. E quando um processo era de uma pessoa que ele (Júlio Cezar) não gostava, simplesmente ele fazia nós prorrogarmos o tempo de licitação para poder ter alguém que ele simpatizasse”, conta a ex-pregoeira no polêmico áudio.

Margareth Alves é incisiva em uma das mensagens repassadas à redação. “Eu provo que ele (Júlio Cezar) obrigava a determinar o vencedor da licitação”, afirma. Em outras mensagens, ela menciona como ‘laranja’ do prefeito um pintor beneficiado por diversos contratos, prometendo revelar detalhes das irregularidades em local “oportuno”, dizendo não temer retaliações e que levará ao conhecimento das autoridades competentes.

A advogada menciona ainda a supervalorização de imóvel alugado pela Prefeitura de Palmeira dos Índios no valor de quinze mil reais para uso de apenas duas salas. Sobre esse aspecto, ela conta que a atuação da CGU (Controladoria Geral da União) fez o governo driblar o órgão com a redução no valor de aluguéis, ao passo que se estabeleciam convênios com as entidades parcerias nos negócios do “imperador”, expressão usada para se referir a Cezar.

Procurada pelo Jornal de Arapiraca, a Prefeitura de Palmeira dos Índios diz que não houve irregularidades e nem há provas. “Se houver, tem que ser formalizada na justiça. Responderemos em juízo”, alega em mensagem sucinta, reproduzida após a contestação do envio de nota genérica que não respondia aos questionamentos enviados.

Sobre as irregularidades que a senhora comentou no áudio publicado no portal 7 Segundos, em relação aos procedimentos no setor de licitação e o encaminhamento dado pelo gestor, a senhora informa que as provas estão em um pen drive do depto de licitação ou com a Dra Margareth.

1.  A senhora não tem cópia desse material? Diante da gravidade das informações, o Ministério Público ou qualquer outro órgão de controle social ou fiscalização lhe procurou?

2.  Sobre os projetos desenvolvidos pela senhora, um deles em processo de patenteamento, a senhora já obteve a certificação da autoria? Vai processar por motivo de apropriação de trabalho intelectual, digamos assim?

3.   Abriu processo contra o prefeito por assédio moral?

4. Por que a senhora recuou do que pretendia fazer, conforme consta no áudio, decisão que transparece no vídeo que a senhora fez? A senhora foi coagida a recuar? Voltou a trabalhar na prefeitura?

5.   Sobre seu emprego anterior, qual era a instituição cuja dona lhe demitiu por perseguição política? A senhora abriu processo contra ela? E hoje, como a senhora sobrevive? Continua morando em Palmeira dos Índios? Continua atuando como psicóloga?

No aguardo do retorno das informações para a matéria que preciso entregar até as 16 horas de hoje, dia 02 de setembro. Pode enviar por áudio, pelo contato de Whastapp usado para o envio desta solicitação de informações. Obrigado.

 

Segue nota da prefeitura de Palmeira dos Índios

 

Sobre denúncias de ex-servidoras, Júlio Cezar responde: “São tão vítimas quanto eu”

 

A denúncia é que o prefeito teria humilhado ex-servidoras

 

O celular e as redes sociais são poderosas ferramentas de comunicação, mas, ao mesmo tempo, nas mãos de pessoas que desejam praticar uma política barata e baixa, também se transformam em uma verdadeira indústria de notícias e perfis falsos, os famigerados Fake News. Em um ano de eleições, como o que estamos vivendo agora, esta prática se torna mais evidente. É o que Está acontecendo em Palmeira dos Índios. O prefeito Júlio Cezar vem sentindo na pele, sem dó e sem nenhuma piedade, os efeitos dessa indústria, que vai além do “quanto pior melhor”, e entra numa seara de difamação, calúnia, injúria e danos morais.

 

O prefeito disse que não irá responder a Fakes patrocinados por seus adversários políticos. No entanto, ele se defende dizendo que nunca foi preso por roubar dinheiro de merenda e nem por encomendar morte de ninguém, e que a resposta será nas urnas. “Eu e o meu vice, Dr. Márcio Henrique, temos as mãos limpas: não praticamos violência; não pegamos o dinheiro público para uso próprio; não desviamos dinheiro de livros; não somos investigados pela Polícia Federal; e não tiramos a liberdade do povo. Somos cidadãos comuns e ganhamos a confiança dos palmeirenses que estão aprovando as mudanças que estamos fazendo em Palmeira. Isso incomoda a indústria do Fake, que, inconformados, estão tentando de tudo”, disse Júlio.

 

Sobre a acusação de assédio, e que o prefeito teria humilhado e assediado ex-servidoras, Júlio foi sereno e cauteloso. “Quem convive com pessoas que têm depressão deve ajudá-las. Estou com a mente aberta para ouvi-las e oferecer o meu apoio. O que eles estão fazendo com estas duas pessoas (ex-servidoras) que estão passando por um momento difícil de saúde, é uma covardia! Estão se aproveitando da fraqueza emocional de um ser humano. Eles não têm vergonha na cara! A população reprovou todas as matérias deles, e graças a Deus, as vítimas reconheceram a trama e pararam de falar nas redes sociais e me inocentaram. Uma até revelou, nas redes sociais, apoio ao nosso trabalho. Elas são tão vítimas quanto eu!”, finalizou o prefeito Júlio Cezar.



Compartilhe