Política

Arapiraca: a bela, grande e próspera capital do “coração” de Alagoas


Carlos Alberto Jr

27/10/2017 12h51

A segunda maior cidade de Alagoas completa seus 93 anos de emancipação política no próximo dia 30, segunda-feira. Arapiraca, a capital do Agreste, já “nasceu” com ares de beleza e grandiosidade e criada a partir da coragem e desbravamento do agricultor Manoel André Corrêa dos Santos, sertanejo do então povoado de Cacimbinhas, em Palmeira dos Índios.

A história do surgimento de Arapiraca, município que tem neste ano 234.185 habitantes, de acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chama a atenção de quem pesquisa sobre seus primórdios. Manoel André, então produtor de mandioca, procurava novas terras para o plantio da cultura e fixar residência com sua família. Em pouco tempo chegou à propriedade do capitão José Joaquim do Cangandú, sobrenome que batizou povoado do hoje município.

Já nessas terras, Manoel André construiu sua residência embaixo de uma frondosa “Arapiraca”, árvore imponente, hoje quase inexistente no município. A palavra é de origem indígena e significa “ramo que o periquito visita”. A povoação que então se iniciou tinha quase todos os seus habitantes ligados entre si por laços de parentesco.

Em 1855, a esposa de Manoel André faleceu vítima de cólera, epidemia que assolava a região. Ele prometeu construir uma igreja sobre sua sepultura, promessa cumprida em 1864, ficando a igreja sob o orago de Nossa Senhora do Bom Conselho, que veio a se tornar padroeira da cidade.

 

DESBRAVANDO

 

O passo mais importante dado por Manoel André foi a abertura da trilha que levava os comboios de animais à Vila de Porto da Folha (hoje cidade de Traipu), como se chamou até o ano de 1876. Essa trilha foi se tornando conhecida por todos os cargueiros de animais da região central de Alagoas, que por ela escoavam todos os produtos do povoado e também dos vizinhos seguindo para Penedo pelo Rio São Francisco.

Em 1880, um sobrinho de Manoel André, Esperidião Rodrigues da Silva, então com de 22 anos, e Florêncio Apolinário se estabelecem com a primeira casa de negócios no povoado, no ramo de estivas e tecidos. Quatro anos depois, Esperidião Rodrigues criou a feira livre marcando, assim, seu nome na história de Arapiraca.

Cidade comemora 93 anos vencendo desafios e se preparando para o futuro

O desbravador e agricultor Manoel André Correia faleceu em 1890, ano de criação da primeira escola do povoado de Arapiraca, por meio do Decreto Lei nº 12 de 1º de maio de 1890, mas somente no governo de Barão de Traipu, em 1891, é que foi nomeada a primeira professora, Marieta Peixoto Rodrigues. Ainda no governo do Barão de Traipu, por iniciativa também de Esperidião Rodrigues da Silva, foi criado o Distrito de Subdelegacia de Polícia.

Com a fabricação da melhor farinha da região, o franco progresso da feira, a posição central do povoado, com a trilha aberta com destino ao Rio São Francisco, o povoado tornou-se, quase de forma natural, o centro mais adiantado que a própria sede do município (Limoeiro de Anadia), que até aquela data ainda não tinha estradas para evacuar sua produção.

Na eleição de 1892, Manoel Antônio Pereira Magalhães, sobrinho de Manoel André Correia, é eleito para o cargo de intendente do município de Limoeiro de Anadia. Durante a sua gestão, construiu o açude público, localizado em Cacimbas – de muitos anos, um dos mais populosos bairros da cidade -, chamado Açude do Governo.

A partir de 1892, a população do povoado começou a se desenvolver com a construção de mais casas. A ideia para emancipação política de Arapiraca começou a ganhar forças a partir de 1912, em consequência das divergências entre a sede do município e o povoado.

 

A EMANCIPAÇÃO

 

O já intendente, Esperidião Rodrigues, após permanecer na capital alagoana durante 40 dias, conseguiu que a Câmara aprovasse o projeto de Lei, assinado pelo Deputado Odilon Auto da Cruz Oliveira, tornando Arapiraca Vila e Município. O então governador, Fernandes Lima, sancionou o dito projeto, no dia 30 de maio de 1924.

Ao sancionar o Projeto de Lei dirigiu-se a Esperidião Rodrigues com o seguinte telegrama: “Acabo de sancionar Projeto de Lei, criando o município de Arapiraca com cuja população laboriosa, adiantada, progressiva, congratulo-me por intermédio amigo, o grande, incansável paladino desta conquista, que representa o ato de justiça dos poderes públicos, a um povo que se levanta por si próprio, que tem iniciativa e que progride. Cordiais saudações. Fernandes Lima – Governador do Estado”.

Como distrito, Arapiraca esteve subordinada, sucessivamente, aos municípios de Penedo, Porto Real do Colégio, São Brás e Limoeiro de Anadia. CAJr

 

 



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